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Jovem é suspeita de influenciar namorado e planejar sequestro de empresário no Rio

Leanny foi presa em flagrante acusada de crime de extorsão mediante sequestro - Divulgação/Polícia Civil
Leanny foi presa em flagrante acusada de crime de extorsão mediante sequestro Imagem: Divulgação/Polícia Civil

Fabiana Marchezi

Colaboração para o UOL

29/08/2017 18h42

A polícia do Rio de Janeiro acredita que a jovem Leanny Taceane da Conceição Renones, de 25 anos, seja a mentora do sequestro do empresário paulista Alexis Beghini de Carvalho, 27, sua esposa, e seu pai, José Alexis Beghini de Carvalho, 59, no Rio de Janeiro, no último fim de semana.

Leanny foi presa em flagrante junto com o namorado Nilton Alves Moreira Junior, de 24 anos, que além de suspeito seria amigo da vítima. Os dois são acusados de crime de extorsão mediante sequestro.

Entretanto, segundo o que foi apurado pela polícia até agora, a suspeita é de que ela tenha articulado todo o crime junto com o próprio irmão, que morava na Vila do João, no Complexo da Maré, mas foi morto em troca de tiros com a polícia durante o sequestro. As vítimas foram libertadas ilesas. Os quatro suspeitos moravam no Rio.

“Os depoimentos das testemunhas e tudo o que apuramos até agora, inclusive pela internet, nos leva a acreditar que o Nilton foi induzido a praticar o crime por ela. Pudemos apurar uma submissão dele em relação a ela”, disse o delegado que investiga o caso, Marcelo Carregosa, da 5ª DP do Rio de Janeiro.

Foi a morte do irmão dela e de um outro suspeito que levou a polícia a desvendar o caso. Segundo as autoridades, quando soube da morte de um dos suspeitos, Leanny se desesperou e começou a chorar, o que fez os investigadores desconfiarem de sua atitude. Depois, com os documentos, a polícia confirmou o sobrenome e a filiação dos dois.

Para o delegado, a influência que Leanny exercia sobre Nilton pode deixar a história parecida com o crime que ficou conhecido como Caso Richthofen, mas em versão contrária. Neste caso, Suzane von Richtofen é a jovem rica que convence o namorado Daniel Cravinhos e o irmão dele, Cristian, a matar os próprios pais para ficar com a herança. O crime ocorrido em 2002 chocou o país.

Ao contrário de Suzane, Leanny tinha origem mais humilde, mas desde que começou a namorar com Nilton, engenheiro e de família de classe média alta, há cerca de um ano, passou a ostentar presentes caros, como relógios, bolsas e roupas de marca. “A impressão que dá é que ele fazia todos os gostos dela para não perdê-la. E como tinha a cabeça fraca acabou concordando até em prejudicar um amigo por ela. Mas tudo será investigado. Queremos saber quando começou esse planejamento e se tem mais envolvidos”, comentou o delegado.

O casal está detido desde a madrugada de domingo (27), no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu. A polícia agora apura se há mais envolvidos no crime e quer saber como tudo foi articulado por Leanny, que também levanta suspeita pela vida de mistério e ostentação que levava.

Segundo a polícia, amigos dela e a própria vítima, que era amigo de Nilton, contaram que mesmo tendo uma vida mais humilde, além dos presentes caros que ostentava nas redes sociais, Leanny também vivia postando fotos de viagens caras que fazia no Brasil e até ao exterior. Ainda de acordo com os relatos, ela vivia desaparecendo alguns dias e se isolava do mundo, depois voltava e dizia que tinha uma síndrome rara que a obrigava a isso.

A própria vítima, Alexis contou aos investigadores que o amigo tinha atitudes estranhas ultimamente. Ele disse que o suspeito morou em São Paulo e que tinham se afastado quando ele veio para o Rio e que quando perguntava sobre Leanny para ele, ele se esquivava, não queria dar detalhes sobre a vida da namorada.

Ainda conforme relato da vítima à polícia, meses antes do encontro que terminou no sequestro, Nilton foi com Leanny visitá-lo em São Paulo. A polícia já descobriu que o irmão de Leanny, que morreu durante o sequestro, também teria ido a São Paulo na ocasião, mas ele não foi visto pela família Carvalho. Os policiais que investigam o caso acreditam que ele tenha ido para iniciar o levantamento e planejar a emboscada, que aconteceria no Rio.

Nilton Alves Moreira se uniu a Leanny em plano para sequestrar família paulista - Divulgação/Polícia Civil - Divulgação/Polícia Civil
Nilton Alves Moreira se uniu a Leanny em plano para sequestrar família paulista
Imagem: Divulgação/Polícia Civil

O caso

Na noite de sábado, 26, Alexis, a mulher e o pai dele foram encontrar com Leanny e Nilton para jantar num restaurante em Jacarepaguá. Na saída, por volta das 19h, depois de se despedirem do casal, os Carvalho embarcaram no carro para voltar à casa da avó, onde estavam hospedados. Mas foram rendidos por dois bandidos, o irmão de Leanny e um comparsa. Para não levantar suspeitas, os bandidos também renderam Leanny e Nilton.

Todos foram colocados dentro do carro dos Beghini, sob ameaça de que só seriam libertados mediante o pagamento de R$ 300 mil. Quando chegaram ao Santo Cristo, policiais do Batalhão de Choque, desconfiados, abordaram o veículo e trocaram tiros com os sequestradores, que foram baleados e morreram no hospital. Assim que percebeu que o irmão havia sido baleado, Leanny entrou em desespero. Na delegacia, tudo foi desvendado e ela e Nilton foram detidos em flagrante.

Na internet, todos os perfis do casal foram apagados

A polícia vasculhou detalhes da vida do casal nas redes sociais, mas todos os perfis já foram apagados. Em audiência de custódia realizada nesta segunda-feira (28), a juíza Ana Paula Monte Figueiredo Pena Barros manteve a prisão preventiva do casal

Na decisão, a magistrada justificou a manutenção da prisão preventiva dos réus pela gravidade dos fatos e para evitar constrangimento das vítimas, que serão ouvidas em juízo em audiências futuras.

“No que diz respeito à manutenção da prisão preventiva, entende esta magistrada que a mesma se demonstra necessária e proporcional, devendo ser destacado que os fatos são extremamente graves, já que as vítimas ficaram em poder dos sequestradores por cerca de uma hora, sendo ameaçadas, tendo sido feito uso de arma de fogo além de violência física real”, avaliou.

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