Violência no Rio

Polícia do Rio indicia 10 traficantes por ataques a templos de religião africana

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

Dez traficantes já foram indiciados pela Polícia Civil do Rio de Janeiro por suspeita de ordenarem ou participarem de ataques a centros de umbanda e candomblé no Estado. Segundo o deputado estadual Carlos Minc, presidente da Comissão de Combate às Discriminações, ao Racismo, à Intolerância Religiosa e à LGBTfobia da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), os suspeitos são ex-presidiários que teriam se convertido a outras religiões durante o período de detenção.

"Eu denunciei os ataques orquestrados por traficantes há um ano e meio à Procuradoria de Justiça. A gente percebe que tem um mini Estado Islâmico se formando no Rio. Um braço armado. Já não basta toda a opressão nas comunidades, agora tem mais essa? São traficantes destruindo e oprimindo a liberdade religiosa", destaca o parlamentar.

Ainda de acordo com Minc, muitos dos indiciados pertencem ao TCP (Terceiro Comando Puro). Entre eles, está o traficante Fernando Gomes de Freitas, 38, o Fernandinho Guarabu, que está há 13 anos à frente do tráfico de drogas na Ilha do Governador, zona norte do Rio.

Um vídeo recente que circula em redes sociais mostra um homem vestindo uma camisa de Jesus Cristo em meio a um altar destruído. Nas imagens, ele aparece sendo obrigado a inutilizar cordões de santos sob ordem de um suposto traficante que segura um taco de baseball com a palavra "diálogo" escrita.

No áudio, o criminoso diz: "Na próxima vez, eu mato! Que bandeira branca é essa? Bandeira aqui é do TCP ou de Jesus Cristo. O mano não quer macumba aqui. Avisa a ele que sou de Jesus. Se eu pegar de novo vou matar! ", ameaça. Outro diz: "É para arrebentar uma por uma, tá?", se referido aos cordões.

Reprodução
Sob ameaça, homem arrebenta cordões de santos em meio a templo destruído

32 denúncias em um mês

Segundo dados da Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos, em menos de um mês, 32 denúncias de intolerância religiosa foram comunicadas à pasta somente no último mês. São invasões a terreiros, ações preconceituosas no transporte público, entre outras.

"Tudo está sendo investigado. Em breve deve começar a funcionar a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi). Em São Paulo, essa delegacia já funciona há três anos. Com ela, será possível agilizar as investigações sobre esses tipos de casos", disse o secretário de Direitos Humanos, Átila Nunes.

O delegado mais cotado para assumir a titularidade da nova unidade é Orlando Zaccone, que tem relação com movimentos sociais.

No Brasil, o disque 100 recebeu em 2011, 15 denúncia de atos de intolerância religiosa em todo o país. Em 2016, o número saltou para 759.

"Imagina quantos casos ocorrem e a gente nem tem conhecimento. Esta é uma ferramenta importante que precisa ser mais conhecida do cidadão", complementa Nunes.

Uma caminhada em defesa da liberdade religiosa está marcada para o próximo domingo (17), no bairro de Copacabana, zona sul do Rio. Esta será a décima edição do ato que tem como objetivo chamar atenção para o aumento da violência religiosa.

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