Violência no Rio

Rio: sem carro blindado, delegado é autorizado a usar fuzil para proteção, e arma é roubada

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

  • Reprodução/Arquivo Pessoal/Facebook

    Delegado Marcos Amin teve o fuzil roubado: “Não é a melhor opção [o uso do fuzil], mas é o que temos"

    Delegado Marcos Amin teve o fuzil roubado: “Não é a melhor opção [o uso do fuzil], mas é o que temos"

A chefia da Polícia Civil do Rio de Janeiro autorizou um delegado a portar um fuzil 556 para uso pessoal após o carro blindado utilizado pelo agente ter sido cortado. De acordo com Marcos Amin, o pedido para uso do fuzil foi feito por ele após o governo suspender o uso do blindado por corte de custos.

A decisão foi baseada num relatório da Assinpol (órgão de inteligência da Polícia Civil) que confirmou ameaças de morte ao policial devido a investigações e prisões efetuadas nos últimos anos pela Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo, na região metropolitana do Rio, onde o delegado assistente atua.

O porte do armamento se tornou público no sábado (7), quando criminosos abordaram o delegado Marcos Amin e roubaram o carro dele --um Honda Civic, na rua Amaro Cavalcante, no bairro de Piedade, zona norte carioca. A arma de grosso calibre estava no veículo.

"Não é a melhor opção [o uso do fuzil], mas é o que temos. Eu passei por um processo administrativo para conseguir essa autorização, tenho treinamento, por isso concederam", disse o delegado, que afirma que o uso de fuzil para defesa pessoal não é algo comum na Polícia Civil do Rio.

Amin contou ainda que, por medida de segurança, ele e a mulher não costumam andar no mesmo carro. No entanto, no último sábado, os dois estavam no mesmo veículo porque ela emprestou o carro aos pais. O casal ia para a casa de parentes quando foi abordado.

"Minha esposa não gosta de armas, por isso elas estavam na mala. Nós saímos do carro assim que percebemos a aproximação do veículo. Um dos criminosos atirou contra mim. Foi muito perto", relatou Amin.

O delegado e a esposa ainda precisaram correr e se abrigar em um condomínio da região. Um mototaxista levou o delegado até o 3º BPM (Batalhão de Polícia Militar). Um cerco foi feito na região.

O carro foi encontrado, sem o fuzil, após ser abandonado na subida da Grajau-Jacarepaguá --estrada que liga as zonas norte e oeste da capital e que dá acesso às comunidades do Lins, também na zona norte. No veículo havia também uma pistola municiada, um colete à prova de balas e carregadores, também levados pelos criminosos. Os suspeitos não foram localizados.

Procurada, a Polícia Civil disse que, mesmo com autorização do porte de fuzil pelo delegado, a Corregedoria Interna vai instaurar uma sindicância administrativa para averiguação disciplinar do caso.

O órgão não respondeu aos questionamentos do UOL sobre as medidas de proteção concedidas a policiais sob ameaça.

Disparo de fuzil pode atingir 1 km por segundo

O especialista em segurança pública Paulo Storani avalia que a autorização para uso de fuzil é uma medida compensatória, já que o Estado não consegue oferecer mecanismos de segurança para esses agentes. No entanto, ele considera uma falha de segurança o armamento ter sido colocado no porta-malas do carro.

"Andar com um fuzil na mala de um carro é a certeza que você não irá usar a arma. Logo, teria sido melhor o armamento ficar em casa ou na delegacia em uma situação como essa. Com isso, ele acabou dando a possibilidade que mais um fuzil entrasse em circulação no Rio de Janeiro."

O fuzil 556 é uma arma com calibre de alta velocidade, podendo atingir 1.050 m/s, dependo do fabricante. Esse tipo de fuzil tem poder de penetração menor que o 762, mas é tão letal quanto ele. Em uma escala de calibre, o 762 tem maior poder destruição e, em seguida, o 556. Trata-se da arma preferida por policiais por ser mais leve e fácil de transportar.

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