Crianças mortas por atirador da escola Goyases são enterradas em Goiânia

Luciana Amaral

Do UOL, em Goiânia

Os corpos dos adolescentes João Pedro Calembo e João Vítor Gomes, vítimas do atirador que abriu fogo na escola Goyases, em Goiânia, foram enterrados na manhã deste sábado (21). Eles morreram na hora, dentro de sala de aula, depois de terem sido atingidos por diversos disparos à queima-roupa.

Durante o sepultamento, o pai de João Pedro, Leonardo Calembro, afirmou que, no momento, não se deve julgar o responsável pelo crime, e sim entender o que acontecer e perdoar. "Eu espero que toda a sociedade e os outros pais o perdoem pelo fato acontecido. Não devemos julgá-lo agora. Nós temos de entender e perdoar".

Dida Sampaio/Estadão Conteúdo
Parentes e amigos acompanham o enterro de João Pedro Calembo

João Pedro foi enterrado no cemitério Parque Memorial, em Vau das Pombas, nos arredores de Goiânia. O colega João Vítor, por sua vez, foi sepultado no cemitério Jardim das Palmeiras, no setor centro-oeste da cidade.

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Antes da cerimônia fúnebre, os pais, parentes e pessoas que eram próximas a João Pedro fizeram uma oração. Uma amiga da família, que se identificou como Linda Dirce, afirmou que, se tivesse que definir o adolescente com uma palavra, seria "encantador".

"Era um menino encantador. Muito lindo, muito carinhoso. Era muito alegre, feliz, bom irmão e filho. Gostava de ler e estudar", disse.

Amigos relataram ao UOL que a família de João Pedro é muito religiosa e unida. De acordo com os depoimentos, só há "coisas boas" a dizer. "Estavam sempre juntos, os pais sempre presentes. Muito divertidos também. O João era uma criança tranquila", declarou Janine Procópio.

André Costa/Estadão Conteúdo
João Vítor Gomes, 13, é enterrado no cemitério Jardim das Palmeiras, em Goiânia

Uma colega de sala dos envolvidos, que diz ter conhecido João Pedro há quatro anos, chamou atenção para o bom humor da vítima. "Vivia brincando com a gente. Era estudioso, tirava nota boa. Ele gostava de jogar xadrez também."

A adolescente definiu o atirador, que estudava na mesma sala das vítimas, como "muito calado" e "inteligente". Segundo ela, o infrator dizia "o tempo todo" que iria matar. "Chegava do nada falando isso. Ele passou a semana inteira falando para o João Pedro que ia matar ele."

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De acordo com relatos de colegas, ambos não se davam bem porque João Pedro costumava dizer que o atirador fedia. "Falava que fedia, que não tomava banho. Sempre ficava fazendo essas brincadeiras. Então ele levou o desodorante essa semana na escola."

O atirador está apreendido na Depai (Delegacia de Polícia de Apuração de Atos Infracionais) e poderá pegar até três anos de detenção. Segundo a polícia, ele confessou o crime por ter sofrido bullying pelos colegas e se inspirou nos massacres de Columbine, nos Estados Unidos, e de Realengo, no Rio de Janeiro.

O infrator atirou ainda em outros quatro colegas de classe. Três estão internados no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) --duas meninas e um menino, todos de 13 anos. Uma delas levou três tiros e, mesmo após cirurgia, está em coma induzido e em estado considerado grave. Os demais estão estáveis sob observação.

Outra vítima está internada no Hospital de Acidentados, também em Goiânia, mas não há informações sobre o seu estado de saúde.

DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO
Vigília é realizada na porta do Colégio Goyases

Mortos são supostos desafeto e amigo do atirador

João Pedro seria um suposto desafeto do atirador, segundo ele disse em depoimento. Segundo relatos de alunos, ele integraria um grupo de colegas que chamava o autor do crime de "fedido", entre outros nomes, e teria levado um desodorante à aula.

Já João Vitor seria amigo do atirador, mas este teria tido um desequilíbrio emocional na hora e continuou atirando nos demais presentes na sala de aula.

O pai de João Pedro falou que o bullying é uma palavra nova que se dá a brincadeiras antigas praticadas e assédio de piadas e ressaltou que o fato sempre aconteceu nas escolas.

"Acho que, a partir do momento em que você não resolve os problemas em casa, essa palavra se torna um problema. Então acho que hoje devemos voltar para a família, a casa, os ensinamentos cristãos. É o melhor caminho para a sociedade", disse.

Calembo recebeu a notícia da morte de João Pedro quando foi buscar os três filhos que estudam no local. Ele disse não ter nada a dizer para a família do atirador agora, mas que vai orar por eles. "Só isso", acrescentou.

De acordo com o pai da vítima, a tragédia poderia ter sido evitada. Segundo ele, João Pedro era uma criança muito doce, amável e carinhosa. "É um menino cristão. Os valores familiares sempre pautados na vida do próximo. Ele tem sempre isso em mente", relatou.

Para Calembo, os valores familiares atualmente estão perdidos na sociedade e é preciso ensinar às crianças a importância da vida dos outros. "A sociedade está carente de uma paternidade presente dentro dos lares. Precisamos ter nossa família alicerçada", ponderou.

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