Mulher é assediada após corrida e quer processar motorista e Uber: "em choque"

Wanderley Preite Sobrinho

Colaboração para o UOL

  • Arquivo Pessoal

    Motorista da Uber tentou beijar Jaqueline Miranda após corrida em São José do Rio Preto

    Motorista da Uber tentou beijar Jaqueline Miranda após corrida em São José do Rio Preto

A negociadora jurídica Jaqueline Miranda, de 27 anos, vai processar o motorista da Uber que tentou beijá-la à força depois de uma corrida em São José do Rio Preto (SP). O caso aconteceu na última quarta-feira (8). "Em choque", ela confirmou ao UOL que discute com seu advogado a possibilidade de também processar a Uber como co-responsável pelo incidente.

"Ainda estou em choque", afirmou Jaqueline enquanto ia, de ônibus, formalizar a queixa contra o motorista do aplicativo por assédio sexual. "Nunca havia passado por algo parecido."

Jaqueline, que sofreu um acidente na empresa em que trabalha e está afastada pelo INSS, solicitou uma corrida pelo aplicativo porque seu joelho machucado doía muito. "Pedi um Uber para fazer o trajeto de cinco quarteirões entre o endereço em que eu estava e o banco Mercantil."

Ao entrar no veículo, o constrangimento começou. "Ele mudou a rota e começou a me fazer perguntas pessoais: o que estava fazendo ali sozinha, se eu era casada, qual a minha profissão…"

Constrangida, ela decidiu fingir que falava ao celular até que o carro chegasse ao destino. Com crédito de R$ 5 da corrida anterior, Jaqueline pagou os R$ 0,75 que faltavam. "Tirei a carteira e paguei. Ele, então, parou em frente ao banco e me disse que a corrida tinha ficado barata demais. Pôs a mão esquerda na minha perna e com a direita me puxou para beijar."

Ela saiu do carro aos gritos de "você está louco!". "O segurança do banco me aconselhou registrar um Boletim de Ocorrência. Como comecei a passar mal, o moto-táxi me socorreu. Eles acionaram a Guarda Municipal e depois a PM."

Justiça

A Delegacia de Defesa a Mulher de Rio Preto já recebeu a visita do suspeito, que se apresentou espontaneamente. A delegada Margarete Franco, no entanto, não pôde ouvi-lo porque ele ainda não havia sido intimado.

Jaqueline pretende processar o rapaz criminal e civilmente. "Criminal pelo abuso e, civilmente, vou pedir indenização por danos morais e constrangimento", diz a mulher, que também pode levar o aplicativo à Justiça. "Meu advogado está analisando se podemos processar a Uber porque eles deveriam se responsabilizar pelos motoristas que contratam."

Logo após o incidente, a vítima avaliou a corrida com apenas uma estrela e se justificou denunciando o assédio. Um representante da Uber em São Paulo ligou para Jaqueline para se colocar à disposição, garantindo que apurariam o caso e que desconectariam seu aplicativo do motorista suspeito. "Mas ele vai continuar pegando outras passageiras?", questiona.

Em nota, a Uber informa que o motorista já foi "banido" da plataforma e que "nenhuma viagem é anônima e este tipo de comportamento, se confirmado, leva ao imediato desligamento da plataforma. Acreditamos na importância de combater, coibir e denunciar casos de assédio e violência contra a mulher".

A reportagem ainda aguarda posicionamento da empresa sobre o processo a que pode ser alvo pela suposta co-responsabilidade.

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