Donos aceitam oferta da Prefeitura, e prédio ocupado em SP deve virar moradia popular

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

  • Marcio Komesu/UOL

    Prédio no centro de SP estava sem uso havia 20 anos, antes de ser ocupado, em 2007

    Prédio no centro de SP estava sem uso havia 20 anos, antes de ser ocupado, em 2007

Os proprietários do edifício Mauá, no bairro da Luz, centro de São Paulo, aceitaram a proposta da Prefeitura, de cerca de R$ 20 milhões, e vão ceder o espaço para moradia popular. Agora, faltam apenas "procedimentos jurídicos" para a finalização da compra pela gestão municipal. Cerca de 940 pessoas vivem no local, que foi ocupado em 25 de março de 2007.

O advogado dos proprietários, José Roberto Amaral, informou ao UOL que o acordo está selado. "Só faltam alguns detalhes. Estamos aguardando a Prefeitura se manifestar", disse. Procurada, a gestão municipal disse que "as tratativas para viabilização da ação estão caminhando para um desfecho final".

Segundo a Prefeitura, "nas últimas semanas, a Cohab (Companhia Metropolitana de Habitação) elaborou nova proposta para desapropriação do edifício chegando a um valor definitivo dentro do limite do município. Os proprietários demonstraram interesse e propuseram condições para viabilização da proposta que estão em análise pelo município para posterior validação junto à Justiça."

Ainda de acordo com a gestão municipal, após os procedimentos jurídicos, a secretaria de Habitação e a Cohab vão definir a forma de financiamento do edifício para moradia social e a demanda indicada para o local.

Números da ocupação:

  • 940 pessoas vivem na "Ocupação Mauá"
  • 237 famílias que ocupam o espaço desde 2007
  • 180 crianças e pré-adolescentes vivem com a família no local

"A gente não quer nada de graça. Pleiteamos um valor justo"

O edifício, que já abrigou um hotel, estava abandonado havia cerca de 20 anos antes de ser ocupado, segundo o MMLJ (Movimento de Moradia na Luta por Justiça). Para Ivaneti Araújo, líder do MMLJ, o acordo é um "primeiro passo, largo, que durou 10 anos", mas que o grupo conseguiu avançar. "Depois de tantas lutas, de 10 anos, não haverá despejo na Mauá", disse.

O mineiro Florentino de Brito vive com a mulher, Solange, na ocupação. "Vim para cá [São Paulo] pensando numa vida melhor, com emprego. Sempre trabalhei de ajudante de motorista, mas não conseguia pagar aluguel e criar os dois filhos que tenho. Aqui foi a solução", afirmou.

Conhecido como "Ocupação Mauá", o local quase se tornou parte de um programa habitacional, no ano de 2013, quando seria comprado pela Prefeitura. No entanto, um imbróglio jurídico travou as negociações.

A Prefeitura, na gestão Fernando Haddad (PT), chegou a depositar R$ 11 milhões para a compra do local. Logo depois de o petista perder as eleições municipais, em 2016, um perito avaliou que o imóvel valia o dobro, e a Cohab pediu a devolução do dinheiro já disponibilizado afirmando não ter como arcar com a nova estimativa de custos.

Luís Adorno/UOL
Mulher e neto viviam sob a apreensão de serem despejados, assim como as outras 236 famílias que vivem na Ocupação Mauá, em frente à estação Luz, no centro de SP

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