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Cotidiano

Sobe para 4 número de mortes provocadas por temporal no Rio

Cobertura de casa de eventos desaba durante a apresentação

UOL Notícias

Marina Lang e Luís Adorno*

Colaboração para o UOL, no Rio, e do UOL, em São Paulo

15/02/2018 07h50Atualizada em 15/02/2018 20h12

Ao menos quatro pessoas morreram no Rio após uma forte chuva atingir a capital fluminense entre a noite de quarta-feira (14) e a madrugada desta quinta-feira (15). A cidade amanheceu com ruas alagadas, árvores caídas, problemas no transporte público e regiões sem energia elétrica. Parte da ciclovia Tim Maia, na zona oeste, desabou. As regiões oeste e norte foram as mais atingidas.

O Centro de Operações Rio informou que há problemas em diversas regiões e pediu aos moradores que evitem se deslocar pela cidade. O Rio permaneceu durante a madrugada por cinco horas em estágio de crise --o terceiro nível em uma escala de três e significa chuva forte a muito forte nas horas que se seguem. Segundo a Defesa Civil, 77 sirenes foram acionadas em 44 comunidades desde a noite de ontem. Até as 10h30 desta quinta, 345 ocorrências foram registradas pelo órgão.

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Por volta das 12h20, o secretário da Casa Civil, Paulo Messina, confirmou que um menino de 12 anos morreu em Cascadura, zona norte. Messina afirmou que a morte teria sido provocada por soterramento.

Um homem e uma mulher também morreram soterrados no bairro de Quintino, zona norte do Rio, por volta das 2h40 desta quinta. Segundo o Corpo de Bombeiros, Marcos Garcia, 59, e Judina Magalhães, 62, não resistiram aos ferimentos causados pelo deslizamento de terra. Outro homem, Alamir Cesar, 90, chegou a ter parte do corpo soterrado, mas foi atendido e liberado ainda no local.

Outra vítima foi o PM Nilcimar dos Santos, 48, atingido por uma árvore rua Recife, em Realengo, na zona oeste. Ele trabalhava no 3º Batalhão da Polícia Militar (Méier).

O forte temporal destruiu casas e famílias ficaram desalojadas no Complexo do Alemão, na zona norte. Chorando, uma mulher disse que os pertences foram embora com a correnteza.

Meu filho e meu cachorro subiram a mureta, e tudo foi embora com a chuva.

No bairro da Ilha do Governador, também na zona norte, o cenário é de devastação. O morador do Jardim Guanabara, na Ilha, Fábio Cavalcante conta que a chuva deixou um cenário de guerra no bairro.

Não parecia chuva. Parecia um furacão. O dia amanheceu com várias pedras levantadas, asfalto que cedeu, bueiros fora do lugar, ruas alagadas. Parece um cenário de guerra.

Em viagem pela Europa, o prefeito Marcelo Crivella (PRB) postou mensagem em sua rede social dizendo que acompanha a situação dos temporais. “O alerta de crise para a chuva intensa foi dada [sic] e a Defesa Civil foi colocada em prontidão para atuar prontamente em caso de acidentes graves”, escreveu.

Trecho da ciclovia Tim Maia desaba

Band Notí­cias

Queda de árvores, vias alagadas e trens com problemas

Por volta das 15h, o Centro de Operações informou que equipes da prefeitura foram acionadas para a retirada de 35 árvores que caíram em razão da chuva. Segundo o balanço, foram registrados ao menos quatro alagamentos, um deslizamento de muro, uma queda de muro e duas quedas de poste.

A avenida Gomes Freire foi interditada na altura do número 380 devido a queda de uma árvore. 

A pista lateral da avenida Brasil foi parcialmente liberada na altura de Ramos, sentido centro. Há, também, um alagamento na altura de Manguinhos, no sentido oeste da avenida.

No começo da tarde, a saída da linha Amarela estava interditada (no sentido Fundão) para a Abolição devido a um afundamento de pista.

O viaduto de São Cristóvão também continuava interditado.

De acordo com informações da prefeitura, a estrada de Jacarepaguá também se encontrava interditada no sentido Rio das Pedras, altura da rua Flordelice. O desvio está sendo feito pela estrada do Engenho D'Água.

A linha 2 do metrô, que operava com intervalos irregulares devido a problemas de energia, voltou ao funcionamento normal por volta das 10h, segundo informou a concessionária MetrôRio.

Também por volta das 10h, a SuperVia informou que a operação do ramal Deodoro foi normalizada. Segundo a empresa, os trens estão parando normalmente em todas as estações do ramal. Segundo a concessionária, a operação está em processo de normalização no trecho entre Gramacho e Central, cujas estações se encontram fechadas.

Já as estações Olaria, Ramos e Penha Circular continuavam fechadas devido a pontos de alagamento.

No BRT, corredores Transcarioca e Transolímpica chegaram a ter os serviços paralisados na madrugada. Os intervalos se normalizaram às 8h.

Falta de energia

Por volta das 9h, a Light, empresa responsável pelo fornecimento de energia, informou que algumas localidades ainda estavam sem luz. “Nossas equipes estão trabalhando para normalizar o serviço, mas encontrando dificuldades como ruas alagadas, árvores caídas e galhos na rede elétrica”, diz em nota.

As principais áreas afetadas pelos cortes de energia são zona oeste (Campo Grande, Jacarepaguá, Barra da Tijuca e Recreio) e norte (Ilha do Governador e Penha).

A Polícia Federal suspendeu os serviços de emissão de passaportes agendados para atendimento nesta quinta no posto do Aeroporto Internacional do Galeão, zona norte. A corporação solicita que os usuários com atendimento marcado para hoje não fossem ao posto do aeroporto e ressaltou que os mesmos estão sendo reagendados para atendimento com prioridade, assim que o serviço for restabelecido.

Hospitais e serviços de saúde afetados

Ao menos 13 hospitais tiveram problemas com as chuvas no Rio. No Hospital Carlos Chagas, na zona norte, o teto de uma das unidades desabou. A Secretaria do Estado da Saúde informou que “parte do teto de gesso de um dos corredores da unidade cedeu. A equipe de manutenção tomou as providências necessárias para resolver o problema e ninguém se feriu. A unidade segue em funcionamento”.

Outras 11 unidades de saúde foram afetadas na cidade em razão de queda de energia. Os hospitais municipais Evandro Freire, Paulino Werneck, Albert Schweitzer, Francisco da Silva Telles, Nossa Senhora do Loreto, Álvaro Ramos, as maternidades Alexander Fleming e Carmela Dutra e as UPAs Vila Kenndey, Sepetiba e Madureira funcionam com geradores para garantir a assistência aos pacientes, segundo informações da Secretaria Municipal de Saúde.

Já o hospital Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca (zona oeste do Rio) chegou a alagar e apresentar pontos de infiltração, além da falta de energia. Não houve interrupção do atendimento.

Algumas unidades de atenção primária também foram afetadas e estão com restrição no atendimento. Os reparos estão sendo feitos para que os serviços retornem o mais rápido possível. Os pacientes que não puderem ser atendidos hoje por dificuldade de acesso ou problemas nas unidades terão suas consultas remarcadas.

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