Integrantes do PCC mortos no CE estavam com cordão de ouro e relógio avaliados em R$ 440 mil

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

Uma fonte ligada à investigação da morte de dois homens do alto escalão da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), no Ceará, na semana passada, afirmou ao UOL que, com os criminosos assassinados, foram encontrados um cordão de ouro, com pingente de cifrão, avaliado em R$ 400 mil, e um relógio, avaliado em R$ 40 mil. Ainda não se sabe quem são os autores do crime e, exatamente, qual a motivação --há apenas hipóteses.

Os corpos de Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, e Fabiano Alves de Souza, o Paca, foragidos da Justiça de São Paulo e apontados como número 1 e número 2 do PCC em liberdade, foram encontrados na madrugada de sexta-feira (16) para sábado (17) por um homem que colhia frutas em uma região de mata fechada em Aquiraz, região metropolitana de Fortaleza. Eles foram mortos na quinta (15).

As joias foram encontradas por policiais militares e civis que foram ao local do crime para recolher os corpos e iniciar o trabalho de perícia.

Oficialmente, a Polícia Civil do Estado não confirma a apreensão dos itens de valor, mas pede que a população ajuda na identificação e localização de quem efetuou os disparos, por meio dos números de telefone 181 e (85) 3101-2816. A Sspds (Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social) do Ceará informou que a polícia procura os autores dos homicídios. A Delegacia Metropolitana de Aquiraz abriu um inquérito para apurar o caso.

Até então, Gegê do Mangue e Paca eram considerados as principais vozes da facção criminosa PCC fora dos presídios. No organograma geral da facção criminosa, Gegê era o número 3 do bando, de acordo com o MP (Ministério Público), atrás apenas de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder máximo e preso em Presidente Venceslau (SP), e Abel Pacheo, o Vida Loka, recluso na penitenciária federal de Mossoró (RN).

Na manhã de domingo, a principal hipótese das autoridades que investigam o crime era de uma emboscada feita por uma facção rival no Ceará contra os criminosos, tendo em vista a disputa que existe por ponto de tráfico no Estado. À tarde, elementos de investigação apontam como principal hipótese que eles foram mortos a mando da cúpula do próprio PCC.

Divulgação/SAP
Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, do PCC

Segundo o promotor Lincoln Gakiya, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) de Presidente Venceslau, Gegê do Mangue e Paca teriam participação no assassinato do ex-integrante da cúpula do PCC Edilson Borges Nogueira, o "Birosca", amigo pessoal de Marcola e de outros integrantes da cúpula.

Gegê do Mangue e Paca teriam ordenado a morte sem consultar a cúpula, enquanto Marcola estava no regime RDD (Regime Disciplinar Diferenciado) teoricamente sem comunicação com os demais integrantes do PCC.

"Esses dois homens foram mortos em uma área de reserva indígena em Aquiraz, no Ceará. Os moradores relatam que uma aeronave foi usada na ação criminosa. Um helicóptero teria efetuado voos em baixa atitude e os ocupantes efetuados disparos", explicou à reportagem o promotor Gakiya. Próximo aos corpos, havia várias cápsulas de pistolas 9 mm.

O helicóptero usado, segundo um policial civil do Ceará, foi identificado por testemunhas como de cor preto fosco e com uma faixa vermelha embaixo. Outra testemunha relatou à polícia que viu um voo rasante em uma aldeia indígena que fica próxima de onde os corpos foram encontrados e, na sequência, ouviu barulho de muitos tiros. Dez minutos depois, o mesmo helicóptero voltou a região e foram ouvidos mais disparos.

Ainda não se sabe como e por que os criminosos foram encontrados no Ceará. Investigadores de São Paulo e do Ceará têm se dividido nas hipóteses. Há autoridades que apontam que os líderes da facção estavam no Estado pela iniciativa do PCC disputar os pontos de tráfico local, e há quem diga que eles foram levados ao Ceará apenas para serem mortos.

No domingo (18), o presidente Michel Temer (MDB) decidiu enviar uma força-tarefa para dar "apoio técnico" ao combate ao crime organizado no Ceará.

Gegê do Mangue ficou preso por cerca de dez anos. Em 2 de fevereiro de 2017, ele foi solto por um habeas corpus expedido pelo juiz Deyvison Heberth dos Reis, da Vara de Execuções de Presidente Prudente, 18 dias antes de ser julgado por um duplo homicídio. Dezenove dias depois da soltura, ele teve a prisão preventiva decretada novamente, por pressão do MP, mas nunca foi localizado.

Já Paca foi beneficiado com a saída temporária na Páscoa de 2011 e nunca mais voltou para a prisão. O criminoso era apontado como parte da "Sintonia Final Geral", a cúpula máxima do PCC. Em 2013 e 2014, havia indícios de que Paca estaria no Paraguai com a tarefa de negociar armas e drogas para a facção.

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