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CNJ irá investigar desembargadora que acusou Marielle na internet

A vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada na última quarta (14) - Rodrigo Chadí /Folhapress
A vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada na última quarta (14) Imagem: Rodrigo Chadí /Folhapress

Carolina Farias e Ana Carla Bermúdez

Do UOL, no Rio e em São Paulo

19/03/2018 19h55Atualizada em 19/03/2018 20h27

O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) informou nesta segunda-feira (19) que vai investigar a desembargadora Marília Castro Neves, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. A magistrada acusou a vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada na quarta-feira (14), de estar “engajada com bandidos” e de ter sido eleita com ajuda da facção criminosa Comando Vermelho.

Segundo o CNJ, uma reclamação disciplinar foi protocolada contra a desembargadora no fim da tarde de hoje por Caroline Proner, integrante da ABJD (Associação Brasileira de Juristas pela Democracia). Advogada e professora, Caroline Proner também é uma das organizadoras do livro "Comentários a uma Sentença Anunciada: o Processo Lula", que traz críticas ao juiz Sergio Moro e à Operação Lava Jato. A obra reúne textos que apontam supostos equívocos na sentença que condenou o ex-presidente no caso do tríplex do Guarujá.

Na noite de ontem (18), o PSOL disse ter entrado com uma representação no CNJ contra a desembargadora.

A reclamação contra a magistrada protocolada nesta segunda deverá ser encaminhada diretamente ao Corregedor Nacional de Justiça.

Caso seja verificado que não há provas suficientes contra a desembargadora, o pedido será arquivado. Caso haja provas suficientes, será pedida ao plenário a instauração de um processo administrativo disciplinar ou de sindicância para que o caso continue sendo investigado.

Entre as punições que podem ser aplicadas à desembargadora, estão sua remoção compulsória da CNJ, seu afastamento do tribunal por um período de pelo menos dois anos e sua aposentadoria compulsória. Mesmo se for afastada, ela deverá continuar recebendo pagamentos proporcionais a seu tempo de serviço.

Em nota enviada hoje ao Conselho, a desembargadora disse ter repassado "de forma precipitada" informações sobre Marielle.

"No afã de defender as instituições policiais, ao meu ver injustamente atacadas, repassei de forma precipitada notícias que circulavam nas redes sociais. A conduta mais ponderada seria a de esperar o término das investigações, para então, ainda na condição de cidadã, opinar ou não sobre o tema", escreveu Marília Castro Neves.

"Reitero minha confiança nas instituições policiais, esperando, como cidadã, que este bárbaro crime seja desvendado o mais rápido possível. Independentemente do que se conclua das investigações, a morte trágica de um ser humano é algo que se deve lamentar e seus algozes merecem o absoluto rigor da lei".

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