Violência no Rio

Forças Armadas fazem operação simultânea em 11 favelas do Rio de Janeiro

Luis Kawaguti

Do UOL, no Rio

As Forças Armadas e a polícia realizam nesta terça-feira (1º) uma operação de grandes proporções simultaneamente em 11 favelas da zona oeste do Rio de Janeiro.

Segundo o Comando Conjunto da intervenção federal, a ação visa expandir o patrulhamento que as Forças Armadas já vêm fazendo nas zonas sul e norte e nas vias expressas do Rio.

O objetivo da chamada "ação de segurança ostensiva" é derrubar barricadas e eventualmente prender criminosos que tentem impedir que as forças de segurança voltem a circular nessas favelas.

A ação acontece nas favelas Curral das Éguas, Fumacê, Muquiço, Palmeirinha, Batan, Minha Deusa, Parque das Nogueiras, Vila Vintém, Promorar I, Promorar II e Triângulo.

Elas ficam nas áreas dos bairros de Bangu, Ricardo de Albuquerque, Padre Miguel, Magalhães Bastos, Sulacap, Deodoro, Valqueire, Realengo, Honório Gurgel e Campinho, que englobam uma área habitada por cerca de 1,5 milhão de pessoas na zona oeste da cidade.

Luis Kawaguti/UOL
Ação das Forças Armadas na Favela do Muquiço, no Rio

Porém, segundo o Comando Conjunto e a Secretaria de Segurança, não se trata de ocupação permanente nem de uma ação nos moldes do que ocorre na Vila Kennedy – onde as Forças Armadas estão presentes diariamente desde 23 de fevereiro para tentar manter a segurança. Elas ficarão lá até que policiais militares do 14º Batalhão da PM (responsável pela área) concluam uma fase de treinamento com o Exército e depois assumam a região.

A intervenção não afirmou até quando as tropas permanecerão nas 11 favelas nem quantos militares participam da operação, mas disse, em nota, que "os efetivos empregados pelas Forças Armadas são compatíveis com a natureza e abrangência das ações, e contam com o apoio de meios blindados, aeronaves e equipamentos pesados de engenharia".

Os órgãos da intervenção disseram ainda que a operação será seguida por ações de patrulhamento ostensivo das Forças Armadas. O foco principal deve ser combater roubos a pedestres e roubos de veículos.

Luis Kawaguti/UOL
Militar participa de ação de segurança ostensiva na favela do Muquiço, no Rio

As Forças Armadas vêm auxiliando a Polícia Militar a patrulhar o Rio de Janeiro desde o final de março, mas até agora só realizavam ações nas zonas sul, central e norte da cidade.

Além da remoção de barricadas, a operação desta terça-feira envolve cerco e estabilização das favelas além de revistas de veículos e de pessoas. A Polícia Civil cumpre mandados de prisão ou busca e apreensão em endereços específicos.

"Algumas ruas e acessos na região poderão ser interditados e setores do espaço aéreo poderão ser controlados, oportunamente, com restrições dinâmicas para aeronaves civis. Não há interferência nas operações dos aeroportos", afirmaram também o Comando Conjunto e a Secretaria de Segurança em nota.

"Tem assalto todo dia", diz morador

"Por um lado é bom isso acontecer porque aqui está tendo assalto quase todo dia, ontem mesmo assaltaram o meu amigo aqui do lado. Só que por outro lado eles têm que fazer isso sem mexer com morador, botar na parede, falar que é vagabundo", disse um comerciante da favela do Muquiço, que se identificou apenas como Rafael.

"Eu moro aqui há 20 anos e posso dizer que o que acontece aqui é o que acontece em todo o Rio de Janeiro. Eu acho muito bom mandarem o Exército para cá, só que terem escolhido logo o feriado para fazer isso é complicado porque a gente fica com medo de sair na rua. O problema é se arriscarem nossas vidas, eu nem vou abrir a minha venda", afirmou a dona de lanchonete Maria José da Silva Del  Giudece.

Um morador que pediu para não ter o nome revelado disse que no passado era possível ver criminosos da facção Terceiro Comando Puro cruzando as vias de acesso da favela armados com fuzis. Eles estariam em conflito constante com membros do Comando Vermelho, que controla a favela vizinha, da Palmerinha.

O UOL acompanha a operação desde seu início, por volta das 14h, e não constatou som de disparos nem presenciou confrontos. As tropas usadas na favela do Muquiço são da 12ª Brigada Aeromóvel de São Paulo. O uso de tropas de outros estados vem sendo adotado em um sistema de revezamento planejado com as tropas do Rio, mas também é uma tentativa de evitar vazamento de informações sobre operações. Isso porque as tropas de fora do estado não têm vínculos locais e não tentariam avisar ninguém sobre operações.

A intervenção já havia afirmado anteriormente que as ações ostensivas de patrulhamento e operações em favelas fariam parte de um esforço de caráter emergencial de melhorar a segurança no Rio. Em paralelo, são realizadas mudanças que visam reestruturar administrativamente os órgãos de segurança do estado. Entre elas estão aumentar o efetivo e treinar as polícias, comprar equipamentos e melhorar a administração e a gestão financeira.

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