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Fotógrafo leva bala de borracha em protesto contra preço da passagem em SP

Vídeo mostra PM atirando bala de borracha contra fotógrafo em SP

UOL Notícias

Alex Tajra

Do UOL*, em São Paulo

16/01/2019 20h54

O fotógrafo Daniel Arroyo, da Ponte Jornalismo, foi atingido no fim da tarde desta quarta-feira (16) por uma bala de borracha durante a manifestação contra o aumento das tarifas de ônibus e metrô em São Paulo. As passagens passaram de R$ 4 para R$ 4,30 neste início de ano.

Arroyo cobria o ato quando policiais, de maneira aleatória segundo manifestantes presentes, detiveram algumas pessoas "para averiguação". Enquanto os profissionais da imprensa acompanhavam a atuação dos soldados, um militar arremessou bombas de gás lacrimogêneo e disparou balas de borracha contra os jornalistas. Uma delas atingiu o joelho direito do fotógrafo.

A ação foi registrada em vídeo pelo próprio Daniel Arroyo e divulgada no Twitter. Nas imagens, é possível ver um policial militar disparando duas vezes contra um manifestante de camiseta amarela. O segundo disparo atingiu o fotógrafo. 

"Desde o começo da manifestação havia um clima tenso entre os policiais e os jornalistas que estavam cobrindo o ato. Eles não queriam nenhum diálogo", conta Arthur Stabile, repórter também da Ponte que acompanhava Arroyo na cobertura.

"As pessoas estavam sendo detidas, e, numa dessas ocasiões, fomos tirar fotos da polícia. Foi aí que jogaram uma bomba em nossa direção, estava nítido que só havia jornalistas naquele lugar", diz Stabile.

Os jornalistas estão desde o começo da noite no pronto-socorro do hospital São Camilo no Ipiranga, onde Arroyo passa por atendimento. Segundo Stabile, quando os repórteres que estavam cobrindo o protesto perceberam que Daniel fora atingido, se dirigiram à PM para pedir socorro, mas ouviram dos policiais que nada podia ser feito.

Ao UOL, Arroyo informou que vai realizar um boletim de ocorrência na tarde desta quinta-feira (17). 

Procurada, a assessoria de imprensa da Polícia Militar de São Paulo afirmou que não vai se manifestar sobre o caso de Arroyo. 

A manifestação

Manifestantes compareceram à Praça do Ciclista nesta quarta (16), na região central, para o segundo ato contra o aumento da tarifa de ônibus na cidade de São Paulo. Antes de a manifestação começar, quando havia uma pequena concentração no local, dezenas de viaturas e motocicletas da Polícia Militar estavam nos arredores da praça.
 
De acordo com alguns manifestantes no ato, organizado pelo Movimento Passe Livre, houve um desentendimento com a Polícia Militar antes do início da passeata. Foram lançadas bombas de gás lacrimogêneo e pelo menos seis manifestantes foram detidos. 

Segundo o MPL, o ato foi dispersado em um primeiro momento, mas houve reagrupamento e os manifestantes seguiram o trajeto em direção à Praça Roosevelt. No protesto da semana passada, também houve impasse sobre o trajeto da marcha. Os manifestantes queriam seguir para a Avenida Paulista, enquanto a PM tentava impedir.

"Eles não queriam permitir que o ato saísse, estavam prendendo pessoas arbitrariamente. Vi um policial derrubar um cara da bicicleta", afirmou o manifestante Vinicius Cunha. Cunha e integrantes do MPL afirmaram que a polícia atacou o ato com bombas durante o "jogral" --momento em que os manifestantes sentam na via e fazem um discurso coletivo para alinhar o trajeto que será percorrido. "A polícia cerceou nosso direito de se manifestar", disse Costa. 

A reportagem do UOL entrou em contato com as duas delegacias responsáveis pela região, mas ambas informaram que ninguém foi encaminhado até o momento. O grupo que se reorganizou ficou por um tempo parado em frente à Praça Roosevelt, na avenida Consolação, onde a polícia montou um cordão com centenas de homens. Em frente à barreira policial montada pela PM, manifestantes erguiam os braços e gritavam "sem violência".

*Com informações de agências

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