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Com 34 mortos, tragédia de Brumadinho já é maior do que a de Mariana

Alex Tajra e Ana Carla Bermúdez

Do UOL, em São Paulo

26/01/2019 18h17Atualizada em 27/01/2019 03h29

O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais confirmou a morte de 34 pessoas por conta da queda da barragem I da Mina do Feijão, em Brumadinho (MG). O governo do estado chegou a confirmar 40 mortos, mas retificou a informação uma hora depois.

Com essa informação, a queda da barragem em Brumadinho já fez mais vítimas que o desastre ambiental de Mariana, em 2015, que deixou 19 mortos. Os bombeiros também informaram que 296 pessoas estão desaparecidas. Há ainda 81 desabrigados e 23 pessoas hospitalizadas.

Em entrevista coletiva na tarde deste sábado, o coronel Anderson Almeida afirmou que ainda há um risco de desmoronamento de outra barragem do complexo, mas que os bombeiros e a Vale estão trabalhando para tentar garantir a segurança da área. "Não descartamos o rompimento da barragem VI, ainda estamos trabalhando numa situação em que pode estar seguro, estamos drenando", afirmou o oficial.

Segundo o oficial, mais de 200 pessoas trabalham nas buscas na área que foi atingida pela lama da barragem. O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais recebeu reforço de oficiais da corporação no Rio de Janeiro e de oficiais da Força Nacional.

Equipes de bombeiros civis e militares com auxílio de helicópteros fazem busca por desaparecidos na região do Córrego do Feijão após o rompimento da barragem de rejeitos de mineração na região de Brumadinho (MG) - Pedro Ladeira/Folhapress - Pedro Ladeira/Folhapress
Equipes de bombeiros civis e militares com auxílio de helicópteros fazem busca por desaparecidos na região do Córrego do Feijão após o rompimento da barragem de rejeitos de mineração na região de Brumadinho (MG)
Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress


De acordo com Almeida, os Bombeiros procuram por desaparecidos em 12 pontos da região atingida pelos rejeitos. Ele informou que as buscas foram interrompidas por cerca de 50 minutos na tarde deste sábado devido às chuvas na região. Os trabalhos, no entanto, já foram retomados, e os Bombeiros ainda têm esperanças de encontrar sobreviventes.

"Não estamos atrás de corpos, estamos atrás de pessoas", disse. 

De acordo com Almeida, as pessoas que foram encontradas sem vida até o momento estavam soterradas pela lama, e não sob escombros, o que pode ter dificultado a sobrevida das vítimas após a tragédia. Ele não soube precisar, no entanto, por quanto tempo uma pessoa pode sobreviver debaixo da lama.

Bolsonaro sobrevoou área

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) sobrevoou na manhã deste sábado (26) a área atingida pelo rompimento da barragem em Brumadinho. Ele não deu declarações no local e já voltou para Brasília.

Bolsonaro usou o Twitter para dizer que é "difícil ficar diante de todo esse cenário e não se emocionar" e prometer que o governo fará o que estiver ao seu alcance para atender as vítimas, minimizar danos, apurar os fatos, cobrar justiça e prevenir novas tragédias, citando ainda o desastre de Mariana (MG), há mais de três anos.

Na sexta, depois de afirmar para uma rádio que o "governo não tem nada a ver com essa questão da Vale", o presidente criou um conselho para monitorar os desdobramentos da queda da barragem.

O conselho será composto por dez ministros e será chefiado por Onyx Lorenzoni (Casa Civil). O órgão terá como objetivo "acompanhar e fiscalizar as atividades a serem executadas em decorrência da ruptura da barragem".

Bolsonaro sobrevoa a região atingida pelo rompimento de barragem em Brumadinho (MG) - Isac Nóbrega/Presidência da República - Isac Nóbrega/Presidência da República
Bolsonaro sobrevoa a região atingida pelo rompimento de barragem em Brumadinho (MG)
Imagem: Isac Nóbrega/Presidência da República

Já o comitê fará a gestão e a avaliação das respostas ao desastre. O grupo fará reuniões semanais e contará com representantes dos mesmos dez ministérios.

Tragédia se repete

Na sexta-feira (25), uma barragem da Vale se rompeu em Brumadinho (MG), a cerca de 60 km de Belo Horizonte. A tragédia aconteceu na região do córrego do Feijão, que deságua no rio Paraopeba, na Bacia do Rio São Francisco.

O rompimento acontece três anos após a queda de uma barragem da Samarco também em Minas Gerais, em Mariana, o maior da história da mineração no Brasil. A Vale é uma das donas da Samarco, junto com a mineradora anglo-australiana BHP Billiton.