PUBLICIDADE
Topo

Cotidiano

Morta no aniversário, lutadora de jiu-jítsu treinava para o 1º campeonato

Lutadora levou três tiros na cabeça enquanto comemorava aniversário em Manaus - Arquivo pessoal
Lutadora levou três tiros na cabeça enquanto comemorava aniversário em Manaus Imagem: Arquivo pessoal

Jéssica Nascimento

Colaboração para o UOL

29/01/2019 18h24

Morta enquanto comemorava o aniversário no último domingo (27), Patrícia Leite, 24, lutava jiu-jítsu e se preparava para o primeiro campeonato. Segundo familiares e colegas de treino, Patrícia tinha conquistado a faixa azul e treinava todos os dias para a disputa, marcada para 9 de fevereiro.

A trajetória da atleta foi interrompida por três tiros que levou na cabeça em casa em Manaus. Ela foi levada para o hospital e pronto-socorro João Lúcio, porém não resistiu aos ferimentos e morreu. 

Carlos Abraão Rodrigues Farias, 19; Eduardo de Alencar Navegante, 22, e Ronaldo Borges Silva, 32, foram presos em flagrante ainda no domingo. Um suspeito ainda está foragido.

Patrícia morava com a irmã e queria ser advogada, segundo familiares. Devido a dificuldades financeiras, fez apenas um semestre de direito, contaram os familiares. Para pagar as contas, fazia "bicos", trabalhava como vendedora em lojas de roupas femininas e também modelava. O dinheiro do prêmio da competição de jiu-jítsu seria utilizado para retomar a faculdade.

Ela sonhava com a vitória e tinha planos para o dinheiro do prêmio.

Nas redes sociais, Patrícia sempre publicava fotos treinando. É descrita pela família como uma pessoa caseira e queria ser um exemplo para o filho de nove anos, que mora com a família do pai no interior de Amazonas.

"Patrícia sempre foi presente e queria trabalhar para dar uma vida boa pro menino. Quem fez isso, não tirou só a sua vida, mas os seus sonhos. Minha prima era uma menina do bem", disse Daiana Freitas, 27, prima da vítima.

Segundo uma amiga, Patrícia planejava a festa havia alguns meses. Juntou dinheiro dos bicos para fazer a decoração da cor de que mais gostava: rosa. Pediu a casa de um amigo emprestada e publicou o endereço do evento no Facebook. Horas antes do crime, um vídeo mostra a jovem cantando parabéns junto com os amigos. 

"Foi muita gente. Estava todo mundo muito feliz e alegre. Por volta de três horas da manhã, quatro homens bateram na porta e perguntaram por ela. Como ninguém respondeu, eles entraram, pegaram todos os presentes, alguns celulares dos convidados e já foram em direção da Paty. Foi execução e não assalto", disse a amiga.

Vingança

Para amigos e familiares, o crime seria vingança de Eduardo Alencar, ex-namorado de uma amiga de Patricia e um dos presos em flagrante.

Segundo relatos, a lutadora e ele tiveram diversas discussões.

"Todo mundo sabia que o Eduardo era traficante e fazia coisas erradas. A Patrícia não gostava da forma que ele tratava a amiga, sempre ficamos sabendo que ela apanhava muito dele, que ele a trancava dentro de casa", disse outra amiga.

"A Patrícia tomava partido e o Eduardo ficou louco. Sempre dizia que ia acabar com essa história", afirmou a amiga.

Suspeitos negam, diz polícia  

O crime aconteceu por volta de três horas da manhã. Segundo o boletim de ocorrência, o grupo roubou o carro de um motorista de aplicativo antes do crime, ainda na noite de sábado (24).

A prisão ocorreu após a Polícia Militar receber a notícia de que um grupo em carro semelhante estava fazendo roubos em bairros da zona sul e que estaria envolvido na ocorrência. As prisões foram convertidas em preventivas, após uma audiência de custódia que ocorreu na segunda-feira (28). 

Segundo o 1° Distrito Integrado de Polícia Civil (DIP), onde o caso foi registrado, outro homem que teria participado do crime fugiu levando a arma. Em depoimento, os suspeitos disseram que o foragido teria atirado na jovem. Com eles, foram encontrados diversos aparelhos celulares, um veículo roubado e um fuzil de brinquedo. 

Ainda segundo o boletim de ocorrência, testemunhas disseram para os policiais militares que o grupo chegou à casa, onde ocorria o aniversário, de forma violenta. Depois de roubarem os presentes, perguntaram por Patrícia. Um dos suspeito a teria reconhecido e feito os disparos. 

Um dos suspeitos, Ronaldo Borges, já responde a processo por um homicídio praticado em 2009. Já a vítima, não tinha passagem pela polícia. 

Cotidiano