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DJ preso por engano no Rio estreia na noite carioca após ser solto

Reprodução/TV Globo
Leonardo do Nascimento, preso injustamente acusado de matar jovem em mercado do Rio Imagem: Reprodução/TV Globo

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio de Janeiro

2019-02-02T04:01:00

02/02/2019 04h01

Após ficar uma semana preso, acusado de um crime que não cometeu, o DJ Leonardo Nascimento, 27, antes desempregado, agora se prepara para estrear em uma casa noturna no bairro boêmio da Lapa, no Rio de Janeiro. O evento está marcado para 22 de fevereiro e terá como protagonista, além de Leonardo, o funk.

Ao UOL, ele contou que se surpreendeu com a solidariedade que tem "chegado por todos os lados": na última terça-feira (29), o DJ foi presenteado com uma aparelhagem de som nova.

O "mimo" foi entregue por Dennis DJ - um dos mais tocados no Brasil segundo Spotify - em um encontro entre os dois. 

"Essa mesa virou o meu xodó. Estou treinando mais de três horas por dia, me preparando. Começo, paro, como alguma coisa, volto a treinar. Meus dias estão muito corridos. Estão chegando mais e mais convites. Eu tô organizando uma agenda com a minha irmã, mantendo contato com a galera. O Dennis tá me dando muito apoio. Está vendo um curso de produção de música para mim. A produtora dele tá me ajudando também. Eu tô muito animado", afirmou.

Leonardo se prepara também para tocar ao lado do seu "padrinho". "Já estou fazendo um som legal. O Dennis disse que vai combinar para eu tocar num show dele, e eu estou muito feliz", diz.

Antes de ser preso, Leonardo tocava em algumas festas no bairro de Guaratiba, onde mora, na zona oeste da capital, mas estava parado havia um tempo, pois a mesa de som dele estava queimada.

"Não desejo aquilo [cadeia] para ninguém"

Durante os sete dias que ficou preso, Leonardo passou por quatro celas diferentes. Na primeira, ele conta que sentiu medo de ser agredido pelos companheiros de carceragem.

"Me jogaram numa cela com 85 pessoas. Cheguei lá como um monstro. Tinha muito medo de ser agredido, sofria ameaças. Disse isso na minha audiência de custódia e isso deixou muita gente irritada lá dentro", conta.

Depois de a advogada pedir proteção ao cliente, o DJ foi colocado em uma segunda cela sozinho. O local tinha fezes e urina de rato, segundo seus relatos.

"Aí a história da minha inocência começou a circular, e os agentes começaram a me ouvir e tentaram me ajudar. Passei para uma cela um pouco melhor, mas não tinha luz. Não sabia se era dia ou noite. Achei que fosse pirar e pedi para sair dali. Até que consegui ir para uma quarta cela e depois fui solto", relata.

Preso por engano

Leonardo foi preso em 16 de janeiro acusado de ser o responsável pela morte do estudante de psicologia Matheus Lessa, 22.

Matheus trabalhava no mercado da família quando dois homens abordaram a mãe, que estava no caixa do estabelecimento, e anunciaram o assalto. Ao apontar a arma para a mulher, Matheus interveio e foi baleado no pescoço e no braço. A vítima chegou a ser levada para o hospital pelo Corpo de Bombeiros, mas não resistiu. Os bandidos fugiram.

No dia seguinte, Leonardo foi preso em casa. Na delegacia, testemunhas o reconheceram equivocadamente como o autor do disparo. 

Desde a prisão, a família de Leonardo se esforçou para provar sua inocência. Câmeras de segurança da região que mostravam Leonardo saindo e chegando em casa no horário aproximado do crime foram entregues à polícia. 

De acordo com os policiais, a semelhança física entre o bandido e Leonardo fizeram com que a família da vítima errasse no reconhecimento. 

Leonardo ficou detido no presídio de Benfica, na zona norte da cidade. Ele foi solto na madrugada do dia 24 e foi recebido por choro e muita emoção por parentes e amigos. 

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