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Deputado homenageia PMs envolvidos em operação com 15 mortos no Rio

Polícia Militar realiza operação no Morro do Fallet no Rio de Janeiro (RJ), na última sexta-feira - BETINHO CASAS NOVAS/ESTADÃO CONTEÚDO
Polícia Militar realiza operação no Morro do Fallet no Rio de Janeiro (RJ), na última sexta-feira Imagem: BETINHO CASAS NOVAS/ESTADÃO CONTEÚDO

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

14/02/2019 11h13

O deputado estadual mais bem votado do Rio de Janeiro, Rodrigo Amorim (PSL), protocolou nesta semana na mesa diretora da Assembleia Legislativa um pedido para homenagear os policiais envolvidos na operação que terminou com 15 mortos no Morro do Fallet, em Santa Tereza, na última sexta-feira (8).

No texto enviado, o parlamentar, que ficou conhecido por quebrar uma placa que homenageava a vereadora Marielle Franco, diz em sua moção honrosa que "os valorosos servidores públicos que participaram da operação fizeram o favor de cancelar 13 CPFs de maus elementos envolvidos com o tráfico de drogas, durante conflito direto com o estado".

Amorim avalia ainda que a operação foi impecável e que terminou com 11 pessoas presas e "ceifou do seio da comunidade 13 marginais que ousaram entrar em confronto direto com esses excelentes policiais...Os cidadãos de bem que ali residem não podem permanecer sob o jugo de marginais". Posteriormente, o número de mortos na operação subiu para 15.

Através da assessoria de imprensa do deputado, o UOL questionou se a homenagem será mantida caso as investigações concluam que houve execução do grupo, como defende a família dos suspeitos. O deputado ainda não respondeu ao questionamento.

PM diz que suspeitos foram mortos em confronto

Segundo informações da Polícia Militar, a operação no morro do Fallet foi deflagrada a partir de uma informação do Disque Denúncia que dava conta que 20 homens armados estavam fortemente armados em uma casa no alto da comunidade. Ao chegar no local, as equipes da PM foram recebidas a tiros e houve confronto. As vítimas foram socorridas ao hospital Souza Aguiar, no Centro do Rio. No entanto, a secretaria municipal de Saúde informou que elas chegaram mortas na unidade. 

Familiares apresentam outra versão

Parentes dos suspeitos contestam a versão da PM. De acordo com eles e com relatos encaminhados à Defensoria Pública e à Comissão de Direitos Humanos da OAB no Rio, o grupo estava rendido quando foi atingido. O ouvidor-geral da Defensoria Pública, Pedro Daniel Strozenberg, disse ao UOL que existem fortes indícios de fuzilamento. Fontes ouvidas pelo UOL, que pediram para não serem identificadas, afirmam que em ao menos 8 mortos os legistas constataram concentração de tiros pelas costas e na cabeça. 

Há denúncias também que relatam marcas de ferimentos de faca nos corpos, além de relatos que duas das vítimas teria sido baleadas dentro de suas casas. Um dos suspeitos teve o pescoço quebrado, de acordo com laudo das autópsias apresentados pelos parentes. Um inquérito policial militar investiga as mortes, assim como a Delegacia de Homicídios da capital. Os policiais envolvidos na ação já foram ouvidos pela DH e as armas apreendidas e encaminhadas para perícia. 
 

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