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Brumadinho: buscas chegam a cem dias e vão continuar, dizem bombeiros

Luciana Quierati

Do UOL, em São Paulo

2019-05-04T04:01:00

04/05/2019 04h01

As buscas por vítimas do rompimento da barragem da Mina do Feijão, em Brumadinho (MG), chegam hoje a cem dias ininterruptos com a promessa de que não se encerrarão até que todos os desaparecidos sejam encontrados ou não haja mais condições de encontrar corpos identificáveis.

É o que afirmou ontem a jornalistas o porta-voz do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, tenente Pedro Aihara. "Nos últimos dias, tivemos cinco ou seis localizações de corpos ou segmentos corpóreos. O que mostra que nosso trabalho continua sendo efetivo", disse.

35 pessoas continuam desaparecidas, embora haja corpos ou partes deles no IML (Instituto Médico Legal) no aguardo de reconhecimento da identidade a partir de exame de DNA. Com dois corpos localizados ontem, a Defesa Civil e os Bombeiros contabilizam 235 mortos na tragédia da barragem da mineradora Vale, ocorrida em 25 de janeiro.

Divulgação/Bombeiros MG
Bombeiro acompanha trabalho de uma das cem máquinas pesadas que têm sido usadas nas buscas por vítimas Imagem: Divulgação/Bombeiros MG

Na última semana, as equipes conseguiram mapear onde estão soterrados os piezômetros - tubos que medem o nível de água que precisa ser drenada em barragens. Com essa referência, acreditam que será mais fácil encontrar mais funcionários que trabalhavam na Vale no momento da eclosão.

"Assim, [podemos] restringir os pontos de busca", explica Aihara, que espera encontrar quatro pessoas que estavam na base da barragem durante o rompimento. As imagens delas foram divulgadas pela imprensa pouco tempo após o acidente, mas os corpos ainda não foram localizados.

Rotina de buscas

Divulgação/Bombeiros MG
Bombeiros fazem buscas em área onde, de um lado, a lama já está seca e, de outro, brotam algumas plantas Imagem: Divulgação/Bombeiros MG

Os trabalhos dos bombeiros militares de Minas seguem em 17 frentes, cada uma em uma área onde ainda possa haver vítimas.

São entre 130 a 150 homens mobilizados diariamente, das 6h às 23h. "E o trabalho muitas vezes avança pela madrugada, com reuniões de feedback e de planejamento de operações", diz Aihara.

As equipes contam com o auxílio de 100 máquinas pesadas (tipo retroescavadeira) e seis cães farejadores em sistema de rodízio - 40 já passaram pelo local, vindos de várias partes do país. Segundo o porta-voz dos Bombeiros, os animais localizaram cerca de 70% dos corpos.

As máquinas pesadas são empregadas onde há maior quantidade de rejeitos. Elas retiram grandes porções de material que, posteriormente, são reanalisados, na busca de corpos.

"São de três a quatro rechecagens, para garantir que todo o rejeito seja vistoriado", diz Aihara.

Estado dos corpos

Mesmo depois de tantos dias, ainda é possível, segundo Aihara, encontrar corpos identificáveis. O contato com minério de ferro pode atrasar a decomposição.

"Ocorre uma conservação um pouco melhor nessas áreas, mas, ainda assim, como são cem dias, a gente já tem um estado considerável de decomposição", diz.

Até agora, as equipes conseguiram localizar e recuperar mais de 600 segmentos de corpos humanos e animais que estavam pela área atingida pela lama da Vale.

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