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Piloto e copiloto que caíram com Gabriel Diniz eram diretores de aeroclube

Os pilotos Gabriel Abraão Farias (camisa vinho) e Linaldo Xavier Rodrigues (azul) - Reprodução
Os pilotos Gabriel Abraão Farias (camisa vinho) e Linaldo Xavier Rodrigues (azul) Imagem: Reprodução

Aliny Gama

Colaboração para o UOL

28/05/2019 04h01Atualizada em 30/05/2019 20h00

O piloto Gabriel Abraão Farias, 27, e o copiloto Linaldo Xavier Rodrigues, 37, que morreram na queda de avião que também vitimou o cantor Gabriel Diniz, 28, eram diretores do Aeroclube de Maceió, cujas operações foram suspensas ontem à noite pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

O avião caiu por volta das 12h na região de Porto do Mato, a 66 quilômetros de Aracaju. A aeronave era um monomotor de modelo PA-28-180 e prefixo PT-KLO, fabricado em 1974.

Segundo o Aeroclube de Maceió, Farias e Rodrigues eram comandantes de avião. Farias voava desde 2012 e acumulava 2.000 horas de voo. Rodrigues era piloto desde 2016 e tinha 150 horas de voo.

Os corpos de Farias e Rodrigues serão enterrados hoje, respectivamente em Maceió e Delmiro Gouveia, sertão de Alagoas.

Piloto e engenheiro

Amigos de Rodrigues dizem que ele era engenheiro eletricista e dividia as atividades como piloto. Ele também foi Policial Militar, mas deixou a farda para pilotar aeronaves.

"O sonho dele era ser piloto de avião e quando ele pôde, fez o curso. Desde que ele perdeu a irmã, havia cinco anos, vítima de câncer, ele focou nos estudos", disse Henrique Alves, amigo de Linaldo.

"Nos formamos juntos na Polícia Militar. Ele traçou outros caminhos e foi para a aviação e hoje nos deixa", lamentou outro amigo do copiloto, Welinton Jacinto.

Já Farias se dedicava integralmente às aeronaves e planejava abrir uma escola de treinamento de comissários de bordo em Maceió. Ele começou o curso de piloto aos 18 anos e vinha requerendo, havia três anos, uma autorização junto à Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) para o novo negócio.

"Ele estava muito feliz com o projeto da escola. Ele tinha me confiado o cargo de enfermeira para ministrar módulos de urgência e emergência. Serei eternamente grata a ele por ter me escolhido para fazer parte do seu sonho, que era a escola", conta a enfermeira Iara Coloia.

"Ele se foi fazendo o que mais gostava: voar."

A jornalista Thacia Simone de Oliveira relembra um voo panorâmico que fez com Farias de Maceió até a praia do Gunga, em Roteiro (AL), em fevereiro do ano passado.

"O conheci como piloto. Era muito seguro no que fazia. No voo que fizemos, ele fez até acrobacias e isso mostrou a segurança dele, sabia o que estava fazendo. O tempo todo ele ia explicando o que se passava no voo", destacou.

Tio de Farias, o subtenente reformado da Polícia Militar de Alagoas, Dorival Gonçalves de Sá, conta que o sobrinho sonhava em ser piloto de avião desde criança.

"Ele brincava com aviões, a vida dele era concretizar esse sonho", diz. Segundo Gonçalves, a família está em choque com o acidente. "Estamos sem acreditar no que aconteceu", completa.

A amizade entre os dois pilotos foi lembrada em uma publicação de Rodrigues no dia 30 de abril, quando ele postou uma série de imagens em seu Instagram com Farias.

"Deus me proporcionou a aviação, a aviação tem me proporcionado amizades, as amizades têm me proporcionado o que nunca poderei pagar, mas tentarei passar adiante", escreveu no dia 30 de abril.

Farias costumava usar as redes sociais mostrando os voos que fazia e os artistas que conhecia. Um deles é o humorista Tirulipa, que afirmou que o piloto é uma referência em Alagoas.

Voo de lazer

Um dos diretores do aeroclube de Maceió, Jeferson dos Santos, afirmou que Rodrigues voava a convite de Farias e que eles tinham ido passar o fim de semana em Salvador.

"Era um voo de lazer. Abraão [Farias] era um cara que tinha contato com diversas pessoas, tinha amizade com famosos. Ele foi passar o fim de semana em Salvador e chamou o amigo [Linaldo] Xavier para acompanhá-lo. O voo era particular do Abraão", disse Santos.

O diretor do aeroclube de Maceió negou que o voo que trazia o cantor era fretado. Segundo Santos, foi uma coincidência o fato de Farias estar em Salvador, e então o cantor pegou uma carona para vir até Maceió. "Qualquer um dos diretores pode usar as aeronaves para voos seus particulares, tanto que existe um recibo assinado pelo Abraão [Farias]", afirmou Santos.

Cotidiano