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Mulher de 23 anos morre após tomar medicamento e ficar roxa em PS de SP

Oberleide Rosário de Jesus, de 23 anos, que morreu em Praia Grande - Reprodução/Facebook
Oberleide Rosário de Jesus, de 23 anos, que morreu em Praia Grande Imagem: Reprodução/Facebook

Marcela Leite*

Do UOL, em São Paulo

03/08/2019 17h45

Uma mulher de 23 anos morreu no pronto-socorro Quietude, em Praia Grande, no litoral de São Paulo, após tomar medicamentos no local e ficar com manchas roxas pelo corpo na última quarta-feira (31). A família de Oberleide Rosário de Jesus suspeita de negligência da equipe médica, pede que o caso seja investigado e já registrou um boletim de ocorrência contra o hospital.

Segundo a cunhada de Oberleide, Josefa Ilda dos Santos Oliveira, a jovem procurou a instituição de saúde na última terça-feira (30) com febre e dor de cabeça e no corpo. Ela teria sido medicada com dipirona e voltado para casa.

No entanto, conforme Ilda, Oberleide passou a noite com febre e foi levada novamente pelo marido e pelo cunhado ao pronto-socorro às 5h de quarta-feira (31). "Lá, eles deram mais medicamentos para ela, não sei especificar quais, e ela começou a apresentar essas manchas roxas pelo corpo todo, sentindo uma queimação", explica.

A cunhada diz que chegou ao local para ver a jovem às 13h e foi informada por um médico que o estado da paciente era gravíssimo. No entanto, questionados pela família, os profissionais de saúde disseram não saber o que a paciente tinha, mas informaram que ela precisava ser transferida para um hospital com UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

A vaga, segundo Ilda, foi conseguida às 16h, "mas um médico disse que ela estava fraca e que não ia aguentar a transferência". "Ela já estava com dificuldade para respirar, sentindo muitas dores, falava que não estava suportando tanta dor, que a perna dela estava travada, que o corpo inteiro estava queimando", conta.

Oberleide morreu por volta das 17h e a família voltou a questionar os médicos. "Eles falavam que nem eles estavam entendendo o que estava acontecendo, que poderia ser dengue hemorrágica, embolia, mas tudo isso era hipótese", diz.

A gente quer que seja esclarecida a morte dela, a gente quer uma resposta para o que aconteceu. Ela era uma moça saudável, não dá para acreditar

Josefa Ilda dos Santos Oliveira, cunhada de Oberleide

A jovem de 23 anos morava em Praia Grande havia cinco meses, quando se casou com Vagner Menezes. Natural de Fátima, na Bahia, ela procurava um emprego no litoral paulista.

A família fez uma vaquinha e conseguiu levar ontem o corpo de Oberleide de volta para a Bahia, onde será sepultado.

Procurada pelo UOL, a Sesap (Secretaria de Saúde Pública) de Praia Grande afirmou que o "atendimento realizado a paciente no PS Quietude atendeu todas as diretrizes dos órgãos reguladores da área da saúde".

Ainda segundo a Sesap, a causa do óbito foi investigada pelo Serviço de Verificação de Óbito (SVO). O resultado da investigação, porém, não foi divulgado.

*Colaborou Ricardo Marchesan

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do publicado no último parágrafo, o Serviço de Verificação de Óbito é quem está investigando a causa da morte, e não o Serviço de Identificação de Óbito como informado. A informação foi corrigida.

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