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26 dos 62 mortos em Altamira (PA) eram presos provisórios, diz governo

Centro de Recuperação Regional de Altamira teve confronto entre duas facções criminosas - Reprodução/TV Globo
Centro de Recuperação Regional de Altamira teve confronto entre duas facções criminosas Imagem: Reprodução/TV Globo

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

03/08/2019 09h55

O governo do Pará informou hoje que 26 dos 62 mortos nesta semana no massacre em Altamira (PA) eram presos provisórios. A informação foi dada nesta manhã pela Superintendência do Sistema Penitenciário do Pará (Susipe).

Na segunda-feira, 58 internos morreram após confronto entre integrantes das facções criminosas Comando Classe A (CCA) e Comando Vermelho. Dois dias depois, mais quatro presos morreram estrangulados dentro de um caminhão-cela enquanto eram transferidos de Altamira para Belém, capital do estado.

De acordo com a Susipe, 41,9% dos presos mortos aguardam julgamento. Outras 27 vítimas (43,5%) estavam condenadas, enquanto nove (14,5%) já tinham condenação e, ao mesmo tempo, aguardavam o julgamento de mais processos pelos quais respondiam.

De acordo com a Superintendência, a idade dos mortos varia entre 18 e 52 anos e a maioria respondia por tráfico de drogas, homicídio e associação criminosa. Dos 62 mortos, 50 eram do Pará e 12 de outros estados.

Ainda segundo a Superintendência, 18 dos 26 detentos sobreviventes que estavam no caminhão-cela chegaram a Belém do Pará ontem. Os oito restantes devem ser transferidos hoje para a capital.

Audiência de custódia foi realizada com os presos dentro do caminhão em que aconteceu os quatro estrangulamentos e 22 deles foram indiciados por homicídio.

O massacre

De acordo com informações da Susipe, uma rebelião na manhã de segunda deixou 585 presos mortos, 16 deles decapitados, no Centro de Recuperação Regional de Altamira. Dois agentes prisionais chegaram a ser mantidos reféns, mas foram liberados no final da manhã, depois de negociação envolvendo policiais civis e militares e promotores de Justiça.

Segundo Vasconcelos, o presídio foi palco de "uma guerra entre facções criminosas". "Tratou-se de uma guerra de facções. Em Altamira, há uma facção local chamada Comando Classe A (CCA) e que divide o presidio com integrantes do Comando Vermelho, e que foram esses vítimas desse ato praticado pelos integrantes da organização criminosa CCA", disse o secretário em coletiva.

O ataque ocorreu, segundo o secretário, logo após as celas serem destrancadas para o café da manhã. "O Comando Classe A rompeu o seu pavilhão e rompeu o pavilhão do Comando Vermelho. Foi um ataque de certa forma rápido, dirigido a exterminar os integrantes rivais", disse o secretário. "Eles [integrantes do CCA] entraram, colocaram fogo, mataram e pararam o ataque. Foi um ataque dirigido, localizado."

O CCA tornou-se recentemente aliado ao PCC (Primeiro Comando da Capital), que disputa com o Comando Vermelho a liderança dos presídios no Brasil.

Na quarta-feira, o governo realizou transferência de 30 presos de Altamira para Belém, mas quatro deles foram encontrados mortos dentro de um caminhão-cela usado na ação. As mortes só foram descobertas em Marabá (PA).

Mais de 100 mortos em prisões

Há cerca de dois meses, outro estado do Norte do país foi palco de um massacre de internos. Em 26 de maio, 15 detentos foram mortos em Manaus, no Complexo Penitenciário Anísio Jobim. Um dia depois, as autoridades amazonenses encontraram outros 40 corpos, totalizando 55 internos assassinados. Em 2017, esta mesma unidade registrou o assassinato de outras 56 pessoas.

Nos últimos anos, episódios parecidos aconteceram em Roraima e, no início deste ano, o Ceará viveu uma onda de violência ordenada por criminosos presos em penitenciárias do Estado, o que levou ao envio da Força Nacional de Segurança Pública ao Estado.

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