Topo

Homem morre esfaqueado após festa na casa de enteado do prefeito de Manaus

Flávio Rodrigues dos Santos, 42, encontrado morto após uma festa na casa do enteado do prefeito de Manaus - Reprodução/Facebook
Flávio Rodrigues dos Santos, 42, encontrado morto após uma festa na casa do enteado do prefeito de Manaus Imagem: Reprodução/Facebook

Abinoan Santiago

Colaboração para o UOL, em Ponta Grossa (PR)

01/10/2019 14h03

A Polícia Civil do Amazonas está investigando as circunstâncias da morte do engenheiro Flávio Rodrigues dos Santos, 42, encontrado morto com perfurações de arma branca na tarde de ontem em uma região de mata do bairro Tarumã, na zona oeste de Manaus.

A vítima estava desaparecida desde a noite de domingo (29). Ele participava de uma festa na casa de Alejandro Valeiko Filho, filho da primeira-dama Elizabeth Valeiko e enteado do prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB), em um condomínio de luxo, no bairro Ponta Negra, na mesma região da capital.

O inquérito é comandado pelo 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP), que apura a versão inicial apresentada por um dos participantes da festa no registro do boletim de ocorrências. A denúncia aponta que dois homens encapuzados invadiram o condomínio e entraram na casa, agredindo um dos presentes com arma branca e sequestrando, logo em seguida, Flávio Rodrigues dos Santos.

A Polícia Civil requisitou perícias técnicas no perímetro onde o corpo da vítima foi encontrado e na casa do enteado do prefeito manauara. A intenção é encontrar pistas sobre o local onde teria ocorrido o homicídio. O Instituto Médico Legal (IML) realiza exame de necropsia no corpo da vítima para saber as causas da morte.

De acordo com o delegado Aldeney Goes, oitivas estão em andamento e diligências são realizadas. Ele não informou o nome de eventuais investigados para não atrapalhar o andamento do inquérito. Alejandro Valeiko já prestou depoimento.

Condomínio nega invasão

O UOL entrou contato com o condomínio, que disse em nota, não ter registrado qualquer tipo de invasão nem roubo no condomínio entre a noite de domingo e madrugada de segunda-feira.

O condomínio informou que o proprietário da casa autorizou a entrada das pessoas e que em determinado momento "houve um desentendimento entre as pessoas que ali estavam, iniciando uma discussão entre eles".

"Cabe à autoridade policial a investigação, apuração e esclarecimentos dos fatos ocorridos. De fato não houve nem invasão e nem roubo, e a morte do visitante nada tem haver com o condomínio Passaredo, o que será confirmado pelo distrito de polícia responsável pelo caso", disse em nota.

Família da vítima contesta sequestro

A família da vítima também contesta a versão de sequestro. Maurílio Aguiar, advogado que acompanha o caso a pedido dos familiares do engenheiro, considera contradição no depoimento das testemunhas da festa sobre o suposto rapto de Flávio em razão da segurança oferecida pelo condomínio.

Ele diz que a família apurou que houve o desentendimento entre as pessoas que estavam na residência.

"Eles estavam em uma festa em um sítio e depois continuaram a reunião na casa do Alejandro. Soubemos que houve um desentendimento entre eles e que um deles teria desferido o golpe de faca no Flávio", disse o advogado da família, que reclama não ter acesso aos autos da investigação por parte da Polícia Civil.

Prefeito fala em dívida de droga

Em nota publicada em suas redes sociais nesta terça-feira, o prefeito Artur Virgílio Neto disse que o enteado luta há 10 anos contra dependência de drogas. Ele reafirma a versão registrada no boletim de ocorrências na polícia de que houve invasão no condomínio por homens encapuzados.

O prefeito afirmou que os suspeitos entraram na casa "cobrando dinheiro" de Flávio dos Santos.

"Um dos meninos se trancou no banheiro e Alejandro recebeu golpe de coronha que lhe abriu a cabeça. Levaram o que queriam: o rapaz Flavio, a quem 'cobravam' pagamento pelo trabalho maldito que leva pessoas à perdição. (...) Sequestraram e assassinaram Flavio, assim como sequestram e matam, todos os dias, aqueles que se tornam dependentes e não conseguem mais pagar aos seus algozes", reafirmou.

A família de Flávio repudiou a insinuação do prefeito manauara. O advogado considerou que o político tentou desviar o foco das investigações e que o engenheiro "nunca usou nenhum cigarro".

Na nota, Virgílio Neto ainda rechaçou eventual suspeita de homicídio contra o enteado.

"Sejamos claros. Alejandro é doente. Padece de um vício que não o abandona. Mas jamais foi ou será um assassino. Bem ao contrário, é vítima de gente que mata e sequestra sem remorso, movida por dinheiro imundo", concluiu.

Cotidiano