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Picada de escorpião mata menina em SP; avó passa mal após caso e morre

Mikaeli Letícia Siqueira Nunes morre após ser picada por escorpião - Reprodução/Facebook
Mikaeli Letícia Siqueira Nunes morre após ser picada por escorpião Imagem: Reprodução/Facebook

Bruna Alves

Colaboração para o UOL, em São Paulo

16/10/2019 12h09

Uma menina de 7 anos morreu após ser picada por um escorpião na última segunda-feira, em Franco da Rocha, na Grande São Paulo. A avó da menina passou mal ao saber do ocorrido com a neta e morreu horas depois na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), da cidade. As duas foram enterradas juntas ontem, no cemitério de Franco da Rocha.

Mikaeli Letícia Siqueira Nunes tinha ido passar o Dia das Crianças na casa da avó, Zilda Marquesin de Siqueira, 64. No local, a garota foi picada por um escorpião e levada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade.

De acordo com a Prefeitura de Franco da Rocha, ao chegar na UPA, às 5h15 de segunda-feira, a menina recebeu atendimento, porém a UPA não tem soro antiveneno, necessário para o tratamento emergencial.

A prefeitura informou que o procedimento padrão é transferir as vítimas para a Santa Casa de Francisco Morato, considerada referência na área infantil, mas devido à gravidade a opção foi levar a criança para o Hospital Estadual Dr. Carlos da Silva Lacaz, que também não possui o soro, mas conta com Unidade de Tratamento Intensiva (UTI) pediátrica.

A Secretaria Estadual de Saúde contestou a medida adotada pela prefeitura. "O município direcionou a criança sem comunicação prévia a esta unidade. A Prefeitura de Franco da Rocha cometeu um erro que acabou prejudicando o tratamento da criança", avalia o órgão.

Questionada pela reportagem sobre a medida, a prefeitura informou que "a equipe médica da UPA considerou que, em virtude do estado de gravidade da paciente, o encaminhamento ao Hospital Lacaz, que conta com UTI pediátrica, era mais recomendado e seria mais eficiente levar o soro até a paciente, e não o contrário".

Além do local, a secretaria disse que não foi feita uma avaliação correta do quadro clínico da criança. "Nesses tipos de acidentes, o primeiro atendimento deve ser avaliado por um médico, para classificação do risco do paciente e estabilização clínica, o que deveria ter sido feito pela UPA".

Mikaeli chegou ao Hospital Lacaz às 6h53, com um quadro clínico gravíssimo e foi encaminhada diretamente para a UTI. A Prefeitura de Franco da Rocha informou que levou o soro ao Hospital Estadual às 8h e realizou a aplicação de forma imediata, mas a vítima não resistiu e teve a morte constatada por volta das 16h30.

A avó da criança passou mal ao saber da morte da neta e foi encaminhada à UPA, por volta das 20 horas. Segundo a prefeitura, ela já deu entrada na unidade de saúde com uma parada cardíaca. A mulher chegou a ser socorrida pelos médicos plantonistas, mas não resistiu.

A Polícia Civil informou que deve investigar a morte da menina para saber se houve negligência médica de algum dos envolvidos. Foram solicitados exames periciais junto ao Instituto Médico Legal (IML) e o caso foi registrado como morte suspeita na delegacia de Francisco Morato.

Soro antiveneno não é encontrado em todos os hospitais

Em nota, a Prefeitura de Franco da Rocha informou que "a aplicação desse tipo de soro é realizada com armazenamento e atendimento especializado. O protocolo é determinado pela Vigilância Epidemiológica estadual, em conjunto com os municípios atendidos. No caso de Franco da Rocha, a referência infantil é a Santa Casa de Francisco Morato", disse.

Segundo a Prefeitura, nesse ano houve 25 casos de picadas de escorpião na cidade, mas essa foi a primeira morte registrada. A reportagem tentou contato com familiares, mas não obteve resposta.

Cotidiano