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João de Deus é denunciado pela 12ª vez; MP inicia nova fase de investigação

João de Deus - Reprodução
João de Deus Imagem: Reprodução

Do UOL, em São Paulo

14/01/2020 11h13

O médium João de Deus foi novamente denunciado à Justiça por crimes sexuais. A denúncia, feita pelo Ministério Público de Goiás, é a 12ª contra o médium. Além dele, foram denunciados dois guias que realizavam o transporte de fiéis do Rio Grande do Sul para Abadiânia.

A denúncia inicia uma nova fase de investigações sobre os abusos cometidos pelo médium durante seus atendimentos espirituais em Abadiânia (GO) e vai apurar a existência de uma rede de proteção para que ele cometesse os crimes sexuais.

João de Deus foi denunciado por três crimes sexuais cometidos contra duas vítimas. Um dos guias é acusado por seis crimes sexuais, e o outro por dois crimes sexuais, ambos na condição de garantidores que se omitiram ao não tentar impedir o crime.

Os estupros de vulnerável ocorreram de janeiro de 2009 a janeiro de 2011. João Teixeira de Faria, nome verdadeiro do médium, já foi condenado a 19 anos e 4 meses em regime fechado por violação sexual mediante fraude contra duas mulheres e estupro de vulnerável contra outras duas, além de quatro anos de prisão, em regime aberto, por porte ilegal de armas.

Embora os crimes sexuais praticados no ano de 2009 estejam prescritos para o médium, o mesmo não ocorre com relação aos guias denunciados, cujas idades não são superiores a 70 anos.

Envolvimento de guias nos crimes

Segundo os promotores do MP-GO, o envolvimento dos guias na prática dos crimes sexuais é decorrência da relação de confiança estabelecida com as vítimas e suas famílias, a ponto de elas confidenciarem a eles os abusos sofridos. Mesmo assim, os guias não denunciaram ou tentaram defender as vítimas.

Para os promotores, os guias funcionavam como uma rede de proteção para a escolha das vítimas e a manutenção da estrutura de atendimentos realizados em Abadiânia, permitindo que mulheres fossem direcionadas a atendimentos individuais e facilitando os abusos.

De acordo com as investigações, os guias chegaram a justificar os crimes às vítimas afirmando que as ejaculações de João de Deus eram limpeza espiritual, de chacras, realizada por uma entidade incorporada naquele por meio de uma relação sexual com as vítimas, e que eles mesmos já teriam passado por isso.

O MP-GO ofereceu 12 denúncias contra João de Deus por crimes sexuais, envolvendo 59 vítimas cujos crimes não estão prescritos e 89 prescritos. Ao todo, 194 mulheres formalizaram denúncias contra ele. Tramitam outras duas denúncias por porte ilegal de armas - uma em Abadiânia e outra em Anápolis -, além de uma ação civil pública, com pedido de indenização por danos morais, que já obteve o bloqueio de ativos financeiros, bens móveis e imóveis no valor de R$ 50 milhões.

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