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Polícia ouve ex-funcionários da Backer e de fabricante de substância tóxica

Cerveja Belorizontina, da Backer - Divulgação/Backer
Cerveja Belorizontina, da Backer Imagem: Divulgação/Backer

Daniela Mallmann

Colaboração para o UOL, em Belo Horizonte

16/01/2020 20h23

Na tarde de hoje, um ex-funcionário da empresa que vende monoetilenoglicol para a Backer, fabricante de cervejas suspeitas de causarem ao menos quatro mortes em Minas Gerais, e um homem que foi demitido da cervejaria foram ouvidos pela Polícia Civil.

Eles não tiveram as identidades reveladas. Segundo a polícia, advogados da cervejaria puderam acompanhar os depoimentos.

A Polícia Civil de Minas Gerais e o Ministério da Agricultura também cumpriram mandados de busca e apreensão na empresa que fornece monoetilenoglicol para a Backer. Documentos e produtos químicos foram recolhidos e encaminhados para a perícia.

Ainda há diversas hipóteses e dúvidas nas investigações:

1. Houve sabotagem?

Após as primeiras mortes, veio à tona uma demissão conturbada na Backer no fim de dezembro. Sentindo-se injustiçado e perseguido, o demitido teria feito ameaças a um colega de trabalho, e um boletim de ocorrência chegou a ser registrado. Por isso, aventou-se a possibilidade de uma sabotagem contra a empresa.

2. A fornecedora misturava dietilenoglicol ao monoetilenoglicol?

A Backer afirma que a substância tóxica encontrada em 21 lotes da cerveja e em exames de sangue de pacientes contaminados, o dietilenoglicol, não faz parte de sua linha de produção. A empresa afirma que usa apenas monoetilenoglicol. Ambas as substâncias são tóxicas e não podem ser adicionadas a bebidas, mas costumam ser usadas em processos de refrigeração industrial.

Professores de química ouvidos pelo UOL afirmam que, sob certas condições, uma substância pode ser transformar na outra. Outra hipótese levantada pela polícia é que a fornecedora da Backer adicionasse dietilenoglicol, mais barato, ao monoetilenoglicol comprado pela cervejaria.

A operação de apreensão hoje na empresa fornecedora teve o objetivo de avaliar essa hipótese. E a polícia convocou um ex-funcionário da empresa seguindo a lógica de que um funcionário atual, por medo de perder o emprego, pudesse estar menos propenso a informar possíveis desvios na produção do componente químico.

3. Como essas substâncias utilizadas para o resfriamento da cerveja foram parar dentro do tanque da bebida?

Outra dúvida é como o monoetilenoglicol e o dietilenoglicol, usados na parte externa dos tanques, foi parar dentro nas bebidas. Para isso, sabotagem, vazamento ou outras circunstâncias a serem esclarecidas estão no radar da polícia.

Cotidiano