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Combatente da Segunda Guerra Mundial morre de covid-19 aos 99 anos no ES

Ex-combatente da Segunda Guerra Mundial, o segundo tenente Raymundo Barbosa Ramos, de 99 anos, morreu vítima da covid-19 - Arquivo Pessoal
Ex-combatente da Segunda Guerra Mundial, o segundo tenente Raymundo Barbosa Ramos, de 99 anos, morreu vítima da covid-19 Imagem: Arquivo Pessoal

Lucas Rezende

Colaboração para o UOL, em Vitória

05/08/2020 21h57Atualizada em 06/08/2020 10h17

Ex-combatente da Segunda Guerra Mundial, o segundo tenente Raymundo Barbosa Ramos, de 99 anos, morreu vítima da covid-19 em um hospital particular da região metropolitana de Vitória (ES) no último domingo (2). Ele estava com baixa saturação de oxigênio quando foi internado no dia 12 de julho. Mas seu quadro agravou, necessitando de sedação e uso de respiradores mecânicos, até a morte.

Raymundo lutou entre as trincheiras italianas da Batalha de Monte Castelo, travada ao final da Segunda Guerra Mundial, entre as tropas aliadas e as forças do Exército Alemão, no norte italiano. A batalha marcou a presença da Força Expedicionária Brasileira (FEB) no conflito, apesar de Raymundo ter lutado associado ao exército americano.

Em 1945, o segundo tenente compôs a tropa que expulsou os alemães nazistas de Monte Castelo, um ponto estratégico de acesso ao norte italiano e à França. Raymundo era um dos 10 "pracinhas" — como são chamados os militares envolvidos no conflito — que saíram do Espírito Santo rumo ao conflito e ainda residiam no Estado. O mais velho do grupo completou 100 anos.

Ex-combatente da Segunda Guerra Mundial, o segundo tenente Raymundo Barbosa Ramos, de 99 anos, morreu vítima da covid-19 - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

"Meu avô saiu do Rio Grande do Norte para o Espírito Santo. Aos 20 anos, embarcou para a guerra, apesar de ser filho único. Tinha muito orgulho de ter sido um combatente e exibia as muitas relíquias que colecionou. Tinha honrarias, quadros, e ainda guardava a medalha de identificação que usou nos combates", conta o neto Matheus Barbosa Ramos, de 25 anos.

Por conta da idade avançada, pouco saía de casa, mas tinha como hobby: alimentar passarinhos, até mesmo os da rua. E nutriu, até o último dia de vida, a paixão pelo Clube de Regatas do Flamengo. "Os parentes moram todos no mesmo bairro. Em dias de jogo, aos domingos, todos se juntavam para assistir numa sala especial para os jogos. E ele tinha um urubuzinho da sorte, um mascote", lembra o neto.

O enterro aconteceu sob honrarias militares, com uma bandeira do Brasil sobre o caixão. Raymundo deixa a mulher, de 91 anos, 15 netos, 10 bisnetos e 8 filhos. Patriota, soltou uma máxima digna de herói de combate antes de morrer: "Se a guerra não me matou, não vai ser a covid que vai me matar". De tantas batalhas vencidas, perdeu a para o vírus. Mas não sem antes ver seu Flamengo campeão da América.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que informou a matéria, Raymundo Barbosa Ramos tinha 15 netos, e não 18. A informação foi corrigida.

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