Topo

Esse conteúdo é antigo

PF investiga denúncia de vacinação ilegal contra covid-19 em BH

Colaboração para o UOL

26/03/2021 08h26

A PF (Polícia Federal) deflagrou hoje a Operação Camarote para investigar uma suposta importação ilegal de vacinas contra covid-19. A administração e aplicação irregular desses imunizantes teria ocorrido em Belo Horizonte, Minas Gerais.

A PF cumpriu hoje quatro mandados de busca e apreensão, com o objetivo de angariar provas sobre esse caso.

A suspeita é que as vacinas foram administradas em uma garagem de empresa Viação Saritur, do segmento de transporte rodoviário de passageiros. Na terça-feira (23), uma pessoa gravou um vídeo que mostra a vacinação irregular.

Após a denúncia, os militares vistoriaram o local e não encontraram vestígios de vacinação. Segundo a PM, os empresários disseram que estavam na empresa pois havia acontecido uma reunião da diretoria.

A Revista Piauí divulgou nesta semana uma reportagem denunciando um grupo de políticos e empresários ligados ao setor de transporte que teriam tomado a primeira das duas doses da vacina da Pfizer contra a Covid-19, em Belo Horizonte. Ainda de acordo com a reportagem, eles compraram o imunizante por iniciativa própria e não repassaram ao SUS (Sistema Único de Saúde), como prevê a lei.

Um dos que teriam recebido a dose foi o ex-senador Clésio Andrade, ex-presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT). Ao Estadão, Andrade negou ter sido vacinado pelo grupo. "Desconheço. Estou em quarentena aqui no Sul de Minas. Tive covid", afirmou.

O UOL procurou a Pfizer, que negou a venda ilegal para os empresários. "A Pfizer nega qualquer venda ou distribuição de sua vacina contra a COVID-19 no Brasil fora do âmbito do Programa Nacional de Imunização", declarou a farmacêutica.

A PF mira nos supostos crimes de: contrabando, caso a importação seja anterior à lei que autorizou a importação de vacinas por empresas, com obrigação de doação das doses ao SUS; descaminho, caso a lei citada já estivesse em vigor; ou "falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais", caso a suposta importação tenha acontecido antes do registro da vacina na Anvisa. Já sobre aqueles que teriam recebido a vacina recai a suspeita de crime de receptação.

(Com Estadão)