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Caso Henry: Polícia nega pedido da defesa e mantém reconstituição para hoje

Henry Borel, de 4 anos, morreu no dia 8 de março, no Rio de Janeiro - Reprodução/Redes Sociais
Henry Borel, de 4 anos, morreu no dia 8 de março, no Rio de Janeiro Imagem: Reprodução/Redes Sociais

Tatiana Campbell

Colaboração para o UOL, no Rio de Janeiro

01/04/2021 09h40Atualizada em 08/04/2021 16h37

A Polícia Civil do Rio de Janeiro negou o pedido de adiamento da reprodução simulada da morte de Henry Borel, 4, feito pela defesa do vereador e médico Dr. Jairinho, padrasto do garoto, e da mãe da criança, Monique Medeiros. Com isso, a reconstituição está mantida para hoje, às 14h, no apartamento onde o casal vivia em um condomínio da Barra da Tijuca, zona oeste da cidade.

Para o delegado Henrique Damasceno, titular da 16ª DP (Barra), a reprodução é de suma importância para dar continuidade às investigações do caso. A defesa de Monique e Jairinho afirmou que os desaconselhou a comparecerem.

Para pedir o adiamento, a defesa alegou que Monique está em "grave quadro de depressão" — com um atestado médico anexado — e que encontra-se "demasiadamente abalada pela perda do filho".

Na petição, o advogado do casal, André França, informou que "não há tempo hábil para o assistente técnico dos requerentes preparar os quesitos e a participação no ato, essenciais à defesa". A defesa chegou a solicitar que a reconstituição fosse remarcada a partir de 12 de abril.

No texto, o advogado afirma ainda que, durante busca e apreensão nas residências de Monique e Dr. Jairinho, os policiais não usaram malote para fazer o transporte de celulares, computadores e documentos, e, por isso, solicitou que um assistente técnico acompanhe não só a perícia dos equipamentos, mas também a reconstituição da morte da criança.

Na petição enviada ao delegado Henrique Damasceno, a defesa pediu também um laudo de ruído ambiental devido ao barulho de uma possível queda da cama — argumento utilizado por Monique Medeiros a respeito das lesões presentes no corpo de Henry.

O advogado de Jairinho e Monique após enviar os pedidos ao delegado, disse que aconselhou o casal a não comparecer hoje na reprodução simulada.

"Tendo em vista essa posição do delegado que se mostrou intransigente, porque o nosso pedido é para que adiasse para terça que vem, nós estamos no meio de um feriado. Ele, sem uma motivação que eu acredite razoável, indeferiu. Acho que isso prejudica até a própria investigação, porque mais gente estaria credenciado a participar e a demonstrar os fatos como aconteceram. Por essa razão eu estou orientando aos meus clientes a não comparecerem", afirmou ele.

Perícias

Foi solicitado ainda uma perícia de local no apartamento do pai do menino, o engenheiro Leniel Borel, e no carro usado por ele para levar o filho até o apartamento de Jairinho na noite do dia 7 de março.

Na reconstituição, Monique e Jairinho irão detalhar aos agentes da 16ª DP (Barra), aos peritos do IML (Instituto Médico Legal) e do ICC (Instituto de Criminalística Carlos Éboli) a versão deles do que aconteceu na madrugada do último dia 8.

No mandado enviado pela Polícia Civil informando sobre a reprodução simulada consta uma advertência de que, caso Monique e Jairinho "não compareçam no dia, local e horário determinados, incorrerão no crime de desobediência".

Para ajudar na reprodução, será utilizado um boneco — usado durante treinamentos do Corpo de Bombeiros — com o mesmo peso e altura de Henry. A ação está prevista para começar às 14h.

A Polícia Civil quer entender as circunstâncias do relato em que o casal diz que encontrou o menino desacordado no chão do quarto onde eles dormem. Segundo Monique e Jairinho, os dois estavam assistindo televisão e disseram que, durante a madrugada, mudaram de cômodo para não acordar Henry.

Por volta das 3h30, a mãe do menino levantou e acordou Jairinho, ao voltar para o quarto. Em depoimento, Monique disse que já encontrou o filho no chão "gelado e com os olhos revirados", além de estar com falta de ar. O menino deu entrada no hospital, por volta das 3h50, já sem vida.

Até o momento, 17 testemunhas já foram ouvidas no inquérito.

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