Topo

Sumiço 3 meninos: Famílias ficam às escuras com atraso em repasse de pistas

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

20/04/2021 04h00

Prestes a completar quatro meses, o desaparecimento dos meninos Lucas Matheus da Silva, 8, Alexandre da Silva, 10, e Fernando Henrique Ribeiro Soares, 11, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, continua sem resposta.

Sem conhecimento de novas pistas, a Defensoria Pública do Rio, que dá assistência às famílias, afirma que há demora da Polícia Civil no repasse de informações para o órgão —o que deixa as famílias às escuras, sem qualquer explicação sobre o que tem sido feito. A Defensoria defende transparência nas investigações.

A Defensoria enviou ofícios à DHBF (Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense), responsável pelo caso, para que os investigadores informem sobre o andamento das diligências realizadas. Também foi solicitada reunião com os órgãos que integram a força tarefa criada para apurar o caso.

A defensora Gislane Kepe afirmou que o último avanço que se tem notícia é referente ao mês de março, quando o MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) localizou imagens de uma câmera de segurança que gravou a passagem dos três meninos por uma rua do bairro Vila Medeiros (veja acima), próximo do local onde desapareceram.

As imagens estavam em posse da Polícia Civil, mas as crianças só foram identificadas depois que o MP submeteu as gravações a um programa de melhoria de imagens.

Fernando Henrique, 11, Lucas Matheus, 8, e Alexandre da Silva, 10, desapareceram dia 27 de dezembro em Belford Roxo (RJ) - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Fernando Henrique, 11, Lucas Matheus, 8, e Alexandre da Silva, 10, desapareceram dia 27 de dezembro em Belford Roxo (RJ)
Imagem: Arquivo Pessoal

Kepe defendeu ao UOL que é necessário mais transparência sobre as investigações.

"A gente vem oficiando a Polícia Civil para que nos forneça atualização das diligências, pois está tendo certo retardo no envio dessas atualizações e, por isso, no final da semana passada, a gente já pediu uma reunião com a força-tarefa que foi criada para sabermos exatamente em que ponto estamos da investigação e o que ainda vai ser feito."

"Não há nada de concreto até o momento, mas o importante é que as diligências não pararam. Tenho grande expectativa que a polícia vai solucionar o caso", completou.

A Polícia Civil diz acreditar que os garotos tenham sido mortos a mando do tráfico de drogas da região por descumprirem ordem dos criminosos.

Procurada, a DHBF informou ao UOL que não há novidades sobre o caso. A delegacia não se manifestou sobre a cobrança de transparência.

Já o MP negou pedido de entrevista à reportagem e disse, através de nota, que "por ora, não há novidade a ser divulgada e que as investigações prosseguem em conjunto com a DHBF".

O que sabe até agora sobre o sumiço dos meninos

As três crianças desapareceram no dia 27 de dezembro após saírem de casa para brincar. Os meninos moram na comunidade do Castelar, em Belford Roxo. Segundo a família, o trio estava acostumado a brincar em um campo de futebol perto de casa e sempre voltava no mesmo horário para almoçar —o que não ocorreu.

De acordo com os parentes, familiares passaram a tarde procurando as crianças. À noite, os pais procuraram a Polícia Civil, mas foram informados de que seria necessário aguardar 24 horas para registrar o sumiço —o que contraria a lei 13.812, que recomenda o registro imediato da ocorrência.

As investigações começaram no dia seguinte ao desaparecimento. De acordo com as investigações, as crianças teriam deixado o campo de futebol com destino à feira de Areia Branca.

Mais de 40 câmeras de segurança foram analisadas. A DHBF, que possui um setor destinado a casos de desaparecimentos, disse que os meninos não haviam sido identificados em nenhuma das imagens coletadas. No entanto, em março, o MP-RJ informou que as crianças foram localizadas nos vídeos.

A filmagem é do próprio dia do desaparecimento e gravou os meninos às 13h39 em um bairro vizinho. Até o momento, essa é a pista mais concreta que se tem conhecimento.

A DHBF realizou diligências, falou com moradores e trabalhadores da região. Até chegar ao vídeo, a polícia já havia feito buscas em outros endereços, incluindo a capital e cidades vizinhas na baixada.

Em janeiro, um vizinho dos parentes das crianças foi amarrado e, segundo a DHBF, torturado por moradores que denunciaram o envolvimento dele no desaparecimento dos meninos. No entanto, a participação dele no crime foi descartada.

Roupas encontradas na casa dele com vestígios de sangue foram submetidas a um exame de DNA, que não constatou material genético dos meninos.

A Polícia Civil chegou a realizar em janeiro uma operação na comunidade do Castelar e no entorno e contou com auxílio de cães farejadores e homens do Corpo de Bombeiros. Houve confronto entre a polícia e criminosos.

Neste mês, a Polícia Civil do Rio criou uma força-tarefa para investigar o desaparecimento de Lucas, Alexandre e Fernando. São mais de cem dias sem respostas. As ações da Divisão de Homicídios agora contam com o apoio de agentes da Subsecretaria de Inteligência e da Delegacia de Descoberta de Paradeiros para desvendar o desaparecimento.