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Prefeitura bloqueia acesso à comunidade no litoral infestada por sarna

Moradores tentam derrubar barreiras instaladas pela prefeitura em comunidade afetada por sarna humana - Arquivo Pessoal/Patrícia Patrali
Moradores tentam derrubar barreiras instaladas pela prefeitura em comunidade afetada por sarna humana Imagem: Arquivo Pessoal/Patrícia Patrali

Maurício Businari

Colaboração para o UOL, em Santos (SP)

16/07/2021 21h40Atualizada em 16/07/2021 23h38

Moradores da favela de Nova Mirim, na Praia Grande, litoral de São Paulo, denunciaram a instalação de barreiras de concreto na entrada da comunidade.

O bloqueio foi colocado ontem pela prefeitura e impede a passagem de qualquer tipo de veículo, até mesmo ambulâncias e viaturas do Corpo de Bombeiros.

Os obstáculos de concreto contêm avisos em vermelho, informando que aquela área está numa região de proteção ambiental.

Assustados e ainda tendo que encontrar soluções alternativas para o surto de escabiose, conhecida como sarna humana --não contido pelas autoridades de saúde--, os moradores ouvidos pelo UOL relataram o temor de terem sido isolados devido à doença.

Barreiras - Arquivo Pessoal/Patrícia Patrali - Arquivo Pessoal/Patrícia Patrali
Barreiras instaladas pela prefeitura em comunidade afetada por sarna humana
Imagem: Arquivo Pessoal/Patrícia Patrali

O surto se alastrou por bairros carentes de Praia Grande. Representantes da comunidade disseram que agentes da prefeitura estiveram lá, para prestar atendimento médico aos moradores. Apesar disso, dizem que a doença não está controlada.

Agora há uma nova preocupação. A administração municipal realizou um cadastramento das famílias que habitam o local, com a justificativa de impedir novas invasões.

Mas os moradores temem ações de desocupação da área, depois que um barraco foi demolido.

Sintomas retornam

Jéssica dos Santos Neves, 30, diz que o filho, Paulo, 3, voltou a apresentar feridas na boca.

O menino já tinha quase se recuperado da doença, que é provocada por um ácaro parasita (Sarcoptes scabiei) e se agrava quando as feridas são contaminadas por infecções secundárias, como as bacterianas.

"Mas agora a escabiose está voltando, estamos preocupados. A gente está sem saber o que fazer. E agora eles [agentes da prefeitura] vêm aqui e bloqueiam a entrada? Por que estão fazendo isso?", questionou.

Josiane Firmino dos Santos, 20, mãe de Estela, de sete meses, conta que a criança teve que se internar duas vezes no hospital por infecções advindas da sarna humana. Ela melhorou mas voltou a apresentar sintomas.

"A gente fez o tratamento que deram, umas pomadas para passar, ela melhorou. Mas agora estão voltando a aparecer umas bolinhas no bracinho dela. Eu tenho medo, porque não sei se ela pode piorar."

A empresária Patrícia Ogna Patrali, que mantém um perfil no Instagram para ajudar os moradores (https://www.instagram.com/pginvisivel/), esteve hoje no local para acompanhar a situação.

Em vídeo, registrou a dificuldade dos catadores de material reciclável. As barreiras não permitem passar com os carrinhos de coleta de lixo, atividade exercida por diversos integrantes da comunidade.

O que diz a prefeitura

Procurada, a Prefeitura de Praia Grande informou que instalou as barreiras na entrada da comunidade para evitar novas invasões e construções irregulares naquela área, considerada de preservação ambiental.

Além disso, a cidade monitora diariamente outras 18 áreas, com imagens de satélite e drones, para coibir as invasões.

A administração explicou que essa área foi congelada para novas ocupações no dia 23 de junho. Um cadastro socioeconômico foi feito com 58 famílias que estavam presentes no local.

Segundo a prefeitura, qualquer construção irregular que surja após essa data será removida.

No final da tarde de hoje, equipes da prefeitura visitaram a comunidade e retiraram, com a ajuda dos próprios moradores, uma das 12 barreiras de concreto instaladas na entrada.

Quanto à contenção do surto de sarna humana, a prefeitura informou que os moradores foram atendidos e ainda estão sendo acompanhados por equipes da Secretaria de Saúde Pública (Sesap). No dia 28 de junho, foram realizados 336 atendimentos, com 82 consultas médicas.

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