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'Basicamente, cidade não vai funcionar', diz prefeito de Petrópolis

Temporal gera inundações em Petrópolis; segundo o prefeito, várias artérias da cidade foram obstruídas - Reprodução/Redes Sociais
Temporal gera inundações em Petrópolis; segundo o prefeito, várias artérias da cidade foram obstruídas Imagem: Reprodução/Redes Sociais

Do UOL, em São Paulo

16/02/2022 07h31Atualizada em 16/02/2022 20h54

O prefeito de Petrópolis (RJ), Rubens Bomtempo (PSB), disse, em entrevista à TV Globo, que a cidade "basicamente não vai funcionar" após ser atingida por fortes chuvas que deixaram ao menos 94 mortos.

Bomtempo informou que decretou estado de calamidade pública e que as aulas, que haviam sido retomadas nesta semana, foram suspensas. A Prefeitura de Petrópolis também anunciou luto oficial de três dias.

"Basicamente a cidade não vai funcionar. Decretei estado de calamidade pública. Vo não consegue promover a mobilidade na cidade, as principais artérias foram obstruídas. Não tem condição de você colocar a cidade para funcionar num curtíssimo espaço de tempo", disse ele. "O que deve funcionar é resposta que a gente tem que estar dando do ponto de vista das urgências na cidade."

  • Veja a cobertura sobre a chuva em Petrópolis e mais notícias do dia no UOL News:

O estado de calamidade pública permite à Prefeitura ampliar os gastos, atrasar pagamentos e parcelar dívidas para combater algum problema — seja ele um desastre natural ou conflitos políticos, econômicos e sociais. É uma situação mais grave do que o estado de emergência.

Segundo o prefeito, o fato de barreiras e deslizamentos terem afetado as principais artérias da cidade dificulta o trabalho das autoridades de fazer um diagnóstico mais amplo da situação.

Bomtempo falou ainda sobre como o socorro em situações como essa já faz parte da "cultura" da cidade. "Existe na nossa cidade uma cultura de resiliência a esta questão da chuva. Nós temos um sistema de pluviômetro, um sistema de sirenes, núcleo de defesa Civil, voluntários que atuam diretamente nas comunidades. Existem pontos de apoio, e as pessoas já conhecem. Normalmente são escolas", relatou.

O prefeito também falou sobre a desigualdade do país e que parte das periferias dos municípios brasileiros são ocupadas pela população mais pobre porque falta uma política habitacional.

"A população foi sendo excluída, ocupando a periferia, em grande parte tentando legitimar um território que foi negado a ela historicamente. Aí as pessoas moram em áreas de risco, porque não foi dado para elas o direito de morar melhor. A gente tem que fazer essa reflexão também", declarou.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Bomtempo pediu à população que evite sair de casa para o socorro poder atuar o mais rápido possível. "Serão dias difíceis que a gente vai ter que enfrentar, e a gente vai ter que fazer esse enfrentamento junto".

Cenas de guerra, diz governador do Rio

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), afirmou que Petrópolis vive "cenas de guerra" após o forte temporal. A declaração foi dada em entrevista à GloboNews nesta madrugada.

"As imagens são muito fortes e, provavelmente, vamos amanhecer com imagens tão ou mais fortes. É realmente uma tragédia grande. Cenas de guerra! Carros pendurados em postes! O que nós vimos é uma cena muito triste, cena praticamente de guerra", descreveu.

Segundo Castro, as pessoas desabrigadas serão levadas para escolas municipais e estaduais, além de cadastradas para receber aluguel social.

O presidente Jair Bolsonaro (PL), que está na Rússia em viagem oficial, determinou para que ministros de seu governo deem o apoio necessário às vítimas das fortes chuvas.

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