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MPF pede que Funai não puna grevistas; servidores pedem mais segurança

Sede da Funai em Brasília - Divulgação/Mario Vilela/Funai
Sede da Funai em Brasília Imagem: Divulgação/Mario Vilela/Funai

Colaboração para o UOL

23/06/2022 20h58Atualizada em 23/06/2022 21h01

O MPF (Ministério Público Federal) emitiu uma recomendação, hoje, à Funai (Fundação Nacional do Índio) para que a instituição não aplique sanções aos servidores que participam da greve nacional deflagrada pela categoria para cobrar mais segurança na atuação em áreas isoladas. O protesto também pede justiça pelas mortes de Dom Phillips e Bruno Pereira.

Segundo o documento, assinado pelo procurador Felipe Fritz Braga, há indícios de que a Funai pode punir os servidores. O MPF recomenda que seja estabelecida uma mesa de negociação com a presença do Ministério da Justiça, pasta da qual a Funai é integrante, e a própria instituição.

"A fim de viabilizar o efetivo encaminhamento das reivindicações dos servidores formuladas nos expedientes encaminhados à Funai e ao Ministério de Justiça e Segurança Pública referidos acima".

O MPF pede que a Funai se abstenha de qualquer ato administrativo que sancione, direta ou indiretamente, os servidores participantes. "Inclusive desconto da remuneração, enquanto não for estabelecida a mesa de negociação e exaurida sua finalidade".

O procurador fixou o prazo de cinco dias úteis para que sejam fornecidas informações sobre o acatamento da recomendação.

Servidores criticam gestão da Funai

Em Brasília, indigenistas e outros servidores da Funai organizaram ato em frente à sede da fundação durante a manhã desta quinta. Eles já estão em greve na capital federal desde a última segunda-feira (20).

Outros protestos foram organizados em unidades regionais do órgão ao longo do dia. Na Avenida Paulista, em São Paulo foi marcado um ato contra o marco temporal de terras indígenas e em apoio à greve.

Em manifesto divulgado, a categoria aponta que a gestão do delegado da Polícia Federal Marcelo Xavier, iniciada em 2019, "demonstra não possuir qualidade mínima para gerir a política indigenista". No texto, o grupo ainda afirma que as mortes de Bruno e Dom têm como pano de fundo um desmonte da Funai e que "todos os órgãos públicos essenciais passam por situação semelhante" no País.

A paralisação foi decidida em assembleia com representantes da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (CONDSEF/FENADSEF), da Associação Nacional dos Servidores da Funai (ANSEF) e da entidade que representa os indigenistas brasileiros, a INA (Indigenistas Associados).

Homem diz que teve envolvimento na morte Bruno e Dom

Um homem de 26 anos se apresentou hoje à PM (Polícia Militar) na região da Sé, no centro de São Paulo, afirmando ter envolvimento com a morte do indigenista Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips no Amazonas. Segundo o delegado Roberto Monteiro, da Seccional Centro, Gabriel Pereira Dantas "relata com muita riqueza de detalhes" sua suposta participação no crime e a viagem até São Paulo.

Mais cedo, uma policial já havia confirmado a prisão ao UOL. À tarde, em entrevista à imprensa, Monteiro afirmou que pediu a prisão temporária de Dantas e aguarda decisão do Poder Judiciário.

O caso está sendo investigado pela equipe do 77º DP (Distrito Policial), em Santa Cecília, também no centro da capital. A Polícia Civil de São Paulo já entrou em contato com a PF (Polícia Federal).

De acordo com o delegado, Dantas afirmou que é de Manaus e estava em Atalaia do Norte (AM). Teria dito ainda que, após ter participado do crime, saiu do Amazonas, foi para o Pará, depois para Mato Grosso, e, de carona com caminhoneiro, viajou de Rondonópolis (MT) até São Paulo.

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