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Após PF entregar aliança de Dom à família, corpo é levado a cemitério no RJ

Alessandra Sampaio, viúva de Dom Phillips, retira aliança que pertencia ao jornalista inglês e a segura na palma da mão - Divulgação
Alessandra Sampaio, viúva de Dom Phillips, retira aliança que pertencia ao jornalista inglês e a segura na palma da mão Imagem: Divulgação

Herculano Barreto Filho

Do UOL, em São Paulo

23/06/2022 17h55Atualizada em 23/06/2022 17h55

O caixão com os restos mortais do jornalista inglês Dom Phillips, 57, foi levado hoje à tarde ao cemitério Parque da Colina, em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro. O corpo dele será cremado no domingo (26), em uma cerimônia restrita a parentes e amigos.

Segundo a família, os agentes da Polícia Federal responsáveis pelo deslocamento de Brasília ao aeroporto do Galeão, na capital carioca, entregaram a eles a aliança encontrada no dedo de Dom. O indigenista Bruno Pereira, 41, será enterrado amanhã (24) no cemitério e crematório Morada da Paz, em Paulista (PE).

Assim que chegaram do aeroporto, os irmãos da viúva Alessandra Sampaio entregaram a aliança de Dom. Ela então retirou a peça do saco plástico, segurou na palma da mão e tirou uma foto, encaminhada à imprensa.

Os restos mortais do correspondente do jornal britânico The Guardian e do servidor licenciado da Funai (Fundação Nacional do Índio), mortos a tiros no dia 5 deste mês ao serem baleados em uma emboscada no trajeto feito em uma embarcação entre a comunidade ribeirinha São Rafael e a cidade de Atalaia do Norte (AM), estavam sendo periciados pela Polícia Federal em Brasília.

Os agentes encarregados pelo transporte do corpo de Dom se encontraram com parentes do jornalista em uma área restrita do aeroporto do Galeão às 15h40 em um encontro que durou cerca de dez minutos. Após a assinatura de um documento constatando que o caixão estava lacrado, os parentes receberam a aliança encontrada junto ao corpo.

De acordo com a família, a PF fez imagens e recebeu a autorização de repassar o conteúdo à imprensa. Procurada, a assessoria da entidade ainda não se manifestou.

A imprensa poderá entrar no cemitério onde Dom será cremado, mas não terá acesso à capela Memorial da Colina, restrita a amigos e parentes. Pela manhã, será lido um pronunciamento escrito pela família do jornalista.

Os suspeitos de envolvimento no crime

Um homem de 26 anos se apresentou hoje à PM (Polícia Militar) na região da Sé, no centro de São Paulo, afirmando ter envolvimento com as mortes na Amazônia. Segundo o delegado Roberto Monteiro, da Seccional Centro, Gabriel Pereira Dantas "relata com muita riqueza de detalhes" sua suposta participação no crime e a viagem até São Paulo.

Mais cedo, uma policial já havia confirmado a prisão ao UOL. À tarde, em entrevista à imprensa, Monteiro afirmou que pediu a prisão temporária de Dantas e aguarda decisão do Poder Judiciário. A Polícia Civil de São Paulo já entrou em contato com a PF (Polícia Federal).

De acordo com o delegado, Dantas afirmou que é de Manaus e estava em Atalaia do Norte. Teria dito ainda que, após ter participado do crime, saiu do Amazonas, foi ao Pará, Mato Grosso. E, em seguida, viajou de Rondonópolis (MT) até São Paulo. Sem dinheiro e abrigo, procurou a PM por volta das 6h e falou que tinha envolvimento no crime.

Em vídeo publicado pelo jornal Folha de S. Paulo, Dantas fala que ajudou a pilotar o barco dos criminosos e cita um dos suspeitos presos. Mas nega que tenha atirado em Bruno e Dom ou participado da ocultação dos corpos. "Só fiz tirar [os dois corpos do barco], eu fiquei no desespero", diz.

Monteiro não respondeu se Dantas está na lista da PF de oito suspeitos de terem participado da morte de Bruno e Dom (leia mais abaixo). Procurada, a PF também não respondeu os questionamentos da reportagem.

O delegado informou que Dantas deu nomes de testemunhas da história relatada —uma delas presta depoimento nesta tarde em Rio Verde (GO).

O crime

Bruno Pereira e Dom Phillips desapareceram em 5 junho no Vale do Javari, na Amazônia. Dom era correspondente do jornal The Guardian. Britânico, veio para o Brasil em 2007 e viajava frequentemente para a Amazônia para relatar a crise ambiental e suas consequências para as comunidades indígenas.

O jornalista conheceu Bruno em 2018, durante uma reportagem para o The Guardian. A dupla fazia parte de uma expedição de 17 dias pela Terra Indígena Vale do Javari, uma das maiores concentrações de indígenas isolados do mundo. O interesse em comum aproximou os dois.

Bruno era conhecido como defensor dos povos indígenas e atuante na fiscalização de invasores, como garimpeiros, pescadores e madeireiro.

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a área em que a dupla navegava é "palco de disputa entre facções criminosas que se destacam pela sobreposição de crimes ambientais, que vão do desmatamento e garimpo ilegal a ações relacionadas ao tráfico de drogas e de armas".

Até o momento, a investigação da PF chegou a três suspeitos —apenas o pescador Amarildo da Costa Oliveira, conhecido como Pelado, confessou a autoria no duplo homicídio. Segundo a polícia, ele havia admitido ter jogado os corpos em uma parte da mata do Vale do Javari, esquartejado e ateado fogo. No entanto, nesta semana, voltou atrás e afirmou não ter participado do homicídio.

De acordo com o depoimento do pescador, o responsável pelas mortes do indigenista e do jornalista, ocorridas no início do mês, é Jeferson da Silva Lima, também conhecido como Pelado da Dinha.

Os dois, juntamente a Oseney da Costa de Oliveira, irmão de Amarildo e conhecido como Dos Santos, estão detidos pela PF. Oseney nega envolvimento no crime. Ao todo, a corporação considera oito pessoas suspeitas.

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