Acusado de narcotráfico deve ter nome referendado como presidente do Suriname

Da Agência Brasil

Em Brasíla

  • Ranu Abhelakh/ Reuters

    Futuro presidente, Desi Bouterse é suspeito de envolvimento com o tráfico internacional de drogas

    Futuro presidente, Desi Bouterse é suspeito de envolvimento com o tráfico internacional de drogas

Suspeito de envolvimento com o tráfico internacional de drogas e investigado inclusive no Brasil, o futuro presidente da República do Suriname, Desi Bouterse, de 63 anos, deve ter o nome referendado nesta segunda-feira (19) pelo parlamento do país, a Assembleia Nacional. Dos 51 membros da Casa, Bouterse conta com o apoio de pelo menos 34 parlamentares, segundo observadores brasileiros.

Apontado como um dos principais líderes políticos no Suriname desde a década de 1980, ele foi presidente do Conselho Militar Nacional. Bouterse é acusado de envolvimento com o narcotráfico e de participação em uma série de assassinatos de quilombolas surinameses (chamados de marrons), em 1982.

Em 1999, o governo da Holanda enviou à polícia brasileira um inquérito denunciando a família Bouterse. Além do futuro presidente do Suriname, o documento aponta o envolvimento do filho dele, Dino Bouterse. Pelas investigações dos holandeses, Dino comandou cinco operações de troca de armas por drogas com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

O Brasil e o Suriname mantêm relações diplomáticas e políticas positivas. Mas nos últimos meses dois episódios causaram tensões entre os dois países. Em dezembro, um grupo de brasileiros da região da cidade de Albina foi atacado por quilombolas surinameses. Entre homens e mulheres, 14 ficaram feridos, dos quais sete gravemente.

Em maio, 28 brasileiros foram presos por autoridades surinamesas sob suspeitas de garimpo ilegal no país. Pelos cálculos da Embaixada do Brasil no Suriname, há de 15 mil a 20 mil brasileiros no país.

O perfil de brasileiros que procuram o Suriname é de trabalhadores do campo, do garimpo e de atividades domésticas. Muitos não tiram a documentação adequada com medo de serem expulsos do país. A maioria é procedente do Maranhão, Amapá e Pará.

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