Seis em cada 10 pessoas veem aumento da corrupção no mundo, diz pesquisa

Andréia Martins
Do UOL Notícias

Em São Paulo

  • Reprodução

    Alejandro Salas, diretor da Transparência Internacional nas Américas

    Alejandro Salas, diretor da Transparência Internacional nas Américas

A corrupção aumentou nos últimos três anos, afirmam seis de cada dez pessoas ao redor do mundo, segundo o relatório mundial sobre corrupção divulgado nesta quinta-feira (9) pela Transparência Internacional (TI).

Segundo a pesquisa, a percepção da corrupção é maior na Europa, na América do Norte e na África Subsaariana, onde para 73%, 67% e 62% das pessoas, respectivamente, a corrupção aumentou nos últimos três anos. A América Latina ocupa a 5ª posição (51%) entre as regiões.

“O mais importante é que a pesquisa revela não apenas a percepção, mas as experiências dos cidadãos com o tema, ao perguntar se já pagaram subornos, por exemplo. Mas o fato de, para a maioria, a corrupção ter aumentado, não é um resultado bom”, diz Alejandro Salas, diretor da TI nas Américas.

Sobre os motivos por trás desse aumento na percepção da corrupção, Salas diz que a pesquisa não apresenta quais seriam os motivos, mas ele acredita que ela esteja ligada à crise econômica mundial.

“Creio que a crise financeira aumentou a percepção de corrupção nas pessoas. Especialmente nos países desenvolvidos. Nos Estados Unidos, mais de 70% da população acha isso. E tem a ver com a crise porque ela mostrou falta de transparência, que não havia bons mecanismos e que os governos não encontraram boas soluções [para conter a crise]”, diz Salas.

Por outro lado, Salas considera uma boa notícia o fato de que mais pessoas se mostraram dispostas a denunciar atos de corrupção: sete em cada 10 entrevistados (71%).

O levantamento mostra ainda que 69% dos entrevistados acreditam que pessoas comuns possam combater a corrupção; 71% disseram que apoiariam os amigos que defendessem a causa, e 49% disseram que poderiam combater a corrupção.

“Especialmente na América Latina, os cidadãos estão muito interessados em fazer parte da solução do problema. Nessa região há uma crença grande de que o governo pode solucionar os problemas”, diz Salas.

Percepção da corrupção é maior na política

Para a maioria dos entrevistados, a política é a área mais afetada pela corrupção. Os partidos políticos são vistos como corruptos por 79% das pessoas, o funcionalismo público e o Legisltativo vêm em seguida com 62% e 60%, respectivamente. ONGs e o Exército continuam sendo os que menos geram desconfiança, com 30%.

Quando a questão é o combate à corrupção, metade dos entrevistados classifica de “ineficaz” as ações dos governos.

Desses, os africanos-subsaarianos se mostram mais otimistas. Para 39% deles, as medidas do governo contra a corrupção são assertivas. Já na região da Ásia-Pacífico, esse número cai para 22%.

Principais indicadores da pesquisa

A percepção da corrupção aumentou nos últimos três anos. Seis em cada 10 pessoas acham que a corrupção é maior hoje
Para 79%, as instituições políticas são as mais afetadas pela corrupção em todo o mundo
29% dos entrevistados disseram já ter subornado policiais
50% consideram que as ações do governo para combater a corrupção são ineficazes
Para 25% dos entrevistados, a mídia tem papel fundamental no combate à corrupção. Outros 22% colocam os líderes do governo como peças chaves no combate à corrupção

A imprensa é vista por 25% dos entrevistados como o principal órgão que pode combater a corrupção, seguida de líderes políticos (22%), “atores específicos da política, que a população reconhece como liderança”, comenta Salas.

“Há muitos países onde os meios de comunicação são 'capturados', de propriedade de políticos: veja a Itália, por exemplo. Mas eu creio que os meios independentes, que trabalham com base na internet e com as novas formas de tecnologia, como o WikiLeaks, são os que estão fazendo sentir que a mídia é uma instituição que pode ajudar a solucionar o problema”, diz Salas sobre a percepção em relação a mídia.

Pequenos subornos

O maior número de pequenos subornos a autoridades e serviços, nos últimos 12 meses, ocorreu no Afeganistão, Camboja, Camarões, Índia, Iraque, Libéria, Nigéria, Palestina, Senegal, Serra Leoa e Uganda, onde mais de 50% das pessoas entrevistadas pagaram propina no último ano.

O principal alvo é a polícia. Dos entrevistados, 29% afirmaram que pagaram propina para policiais nos últimos 12 meses. Em seguida, vêm serviços de registro e autorização (20%) e o Poder Judiciário (14%)

Nos últimos quatro anos, o índice de suborno foi reduzido apenas em duas regiões: Ásia do Pacífico, que caiu de 14% para 9%, e a Europa, que foi de 5% para 4%. Em todas as demais regiões pesquisadas – África Subsaariana, América Latina, América do Norte e os Balcãs Ocidentais – a ocorrência de subornos aumentou.

Assim como em pesquisas anteriores, pessoas mais pobres têm mais (o dobro) probabilidade do que os mais ricos de pagarem propinas para serviços básicos como água, luz, saúde pública e educação.

O Relatório Global de Corrupção 2010 entrevistou mais de 91.000 pessoas em 86 países e territórios, entre 1º de junho e 30 de setembro de 2010.

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