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Ministra é criticada por suposto racismo; artista diz que obra foi "mal interpretada"

Reprodução/Africaisacountry.com
Imagem: Reprodução/Africaisacountry.com

Do UOL, em São Paulo

18/04/2012 15h52Atualizada em 18/04/2012 16h07

Uma imagem feita no último dia 15 de abril tem causado controvérsia na Suécia. Na ocasião, a ministra da Cultura do país, Lena Adelsohn-Liljeroth, participa de uma instalação artística e oferece, sorrindo, pedaços da "genitália" de um bolo no formato de uma mulher africana nua.

O criador da ideia, o artista Makode Linde –que atua como a "cabeça" do doce– gritava quando os pedaços eram cortados. A ministra agora é acusada de racismo e está sendo pressionada a renunciar.

Segundo o jornal britânico “Mirror”, o artista, que é afrodescendente, disse que sua obra foi “mal interpretada”. “Eu acho que as pessoas que ficaram chateadas com a obra não entenderam a intenção do meu trabalho”, afirmou.

De acordo com Linde, a ideia era criticar a circuncisão das mulheres africanas e os estereótipos ligados à questão.

Mas o episódio foi classificado como um “espetáculo racista” pela associação nacional afro-sueca. “Na nossa opinião, isso contribui para o racismo na Suécia”, disse o porta-voz da entidade, Kitimbwa Sabuni.

Para ele, o fato da ministra ter participado do evento contribui para sua "incompetência e falta de juízo". “Sua participação –ela ri, bebe e come o bolo– contribui para o insulto contra a mulher afetada pela circuncisão."

Liljeroth disse que entende a reação da entidade, mas defendeu sua posição. “Eu entendo que a arte é provocativa. Eu fui convidada a discursar no evento sobre liberdade artística, e então eles pediram que eu cortasse o bolo”, afirmou. Para a ministra, a associação deveria direcionar a crítica ao artista e não a ela. 

No entanto, Sabuni afirma que participar de uma “manifestação racista que se mascara de arte” só pode ser interpretada como um apoio da ministra ao preconceito.

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