"Fritzl sueco" é condenado a 10 anos de prisão por manter mulher em bunker

Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução/Polícia da Suécia

    Máscaras usadas para raptar a vítima

    Máscaras usadas para raptar a vítima

Um médico sueco foi condenado a 10 anos de prisão por ter sequestrado uma mulher e a mantido por seis dias em um bunker que levou anos para ser construído em Kristianstad, no sul da Suécia. 

Martin Peter Trenneborg, 38, foi acusado de mantê-la em um bunker de alta segurança, revestido com concreto, e de tê-la estuprado repetidamente por seis dias. Segundo o advogado de acusação, ele pretendia manter a mulher como sua "namorada" no local por vários anos.

O médico admitiu o sequestro, mas negou ter abusado sexualmente da vítima. 

O tribunal em Estocolmo concluiu que Trenneborg planejou a ação por bastante tempo. "Além disso, o médico sujeitou a vítima a sérios riscos ao medicá-la e ao mantê-la trancada de maneira bastante desconfortável no bunker, à prova de luz e de som", disse o tribunal em comunicado. 

Trenneborg foi apelidado pela imprensa internacional como o "Fritzl sueco", em referência ao austríaco Josef Fritzl, que manteve sua filha Elizabeth presa no porão de casa por quase 25 anos, abusando sexualmente dela ao longo do período, com quem teve sete filhos.

AFP PHOTO / TT News Agency / Swedish Police
Local em que a vítima era mantida
 

O médico e sua vítima se encontraram pela primeira vez em Estocolmo em setembro, quando ele fingiu ser um cidadão americano. Dois dias depois, se viram novamente. Ele foi até a casa dela com champanhe, morangos e presentes, lhe administrou um sonífero e a estuprou, relata a acusação.

Em seguida, o médico a transportou desacordada em uma cadeira de rodas. Ambos usavam máscaras de borracha –de um homem barbudo e de uma idosa—para ocultar suas identidades. Ele dirigiu 350 quilômetros até sua propriedade, onde o bunker tinha sido preparado.

"Não imaginava o que iria acontecer, se ele iria me torturar, matar ou violentar", disse a vítima durante depoimento. Segundo ela, o médico disse que a manteria em cativeiro durante anos.

O acusado foi sozinho até Estocolmo de carro para pegar objetos pessoais da vítima, mas descobriu que a polícia havia mudado a fechadura da porta, logo depois de o desaparecimento dela ter sido comunicado às autoridades.

Então, o médico levou a mulher até a cidade e ambos se apresentaram a uma delegacia para obter as chaves da residência e mostrar que a mulher não estaria desaparecida. Após as suspeitas de um agente, que pediu para conversar com a mulher sem a presença do médico, o rapto foi descoberto e o médico foi preso.

O acusado admite tê-la drogado e a mantido refém em um bunker, mas nega os abusos sexuais e diz que sofre de um transtorno mental. "Meu cliente nega ter tido a intenção de fazer mal, apenas fez o necessário para sequestrá-la, não queria obrigá-la a nada. Ele é uma pessoa muito deprimida e estava desesperado para ter uma companheira", disse a advogada do médico, Mari Schaub, no início do julgamento.

A imprensa sueca afirmou que a polícia encontrou documentos comprovando que o acusado planejava mantê-la presa por pelo menos dez anos. Ele teria até formulado uma espécie de "contrato", oferecendo recompensas por atividades sexuais particulares, e que ameaçava estender o seu rapto se ela tentasse fugir. A polícia investiga ainda se ele pretendia raptar mais mulheres.

A vítima demanda uma indenização de US$ 44 mil (cerca de R$ 180 mil), mas o acusado propõe pagar um pouco mais de um terço deste valor.  (Com agências internacionais)

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