O que se sabe até agora sobre o atentado a boate gay de Orlando

Do UOL, em São Paulo e Brasília

Na madrugada do domingo (12) um homem armado abriu fogo contra o público de uma boate gay em Orlando, na Flórida (EUA), matando ao menos 50 pessoas, no pior ataque a tiros da história dos Estados Unidos.

Veja o que já se sabe sobre o caso, tratado pelas autoridades americanas como um "ato de terror e ódio".

O que aconteceu em Orlando?

Por volta das 2h locais (3h de Brasília), um homem começou a atirar contra os frequentadores da boate gay Pulse, uma das maiores casas noturnas de Orlando, na Flórida. A casa realizava uma festa de temática latina e estava próxima do seu horário de fechamento.

Houve troca de tiros entre ele e um policial que trabalhava na boate, mas ainda não se sabe se o incidente ocorreu dentro ou fora do local. Em seguida, o atirador fez alguns dos frequentadores reféns.

Às 5h locais (6h de Brasília), a polícia invadiu a boate e realizou uma "explosão controlada". Policiais afirmaram à imprensa norte-americana que o atirador estaria com um dispositivo amarrado a seu corpo. O atirador foi morto.

Quantas pessoas foram atingidas?

Segundo a polícia, 50 pessoas morreram, mas o total de mortos ainda pode subir, com pelo menos 53 feridos levados ao hospital, muitos deles em estado grave.

As autoridades norte-americanas estão divulgando aos poucos os nomes dos mortos identificados. Por enquanto, ainda não há informações de brasileiros que poderiam ter sido mortos ou feridos no ataque. O Itamaraty divulgou uma nota em solidariedade às vítimas e disse que está em contato com as autoridades locais.

Steve Nesius/Reuters
Norte-americanos se emocionam após atentado que matou, ao menos, 50 pessoas em boate gay da Flórida

O que as testemunhas disseram?

Havia cerca de 320 pessoas dentro da boate durante o tiroteio, segundo a polícia de Orlando. Algumas delas falaram sobre o que viram.

"Tudo o que vi foram pessoas correndo e gritando. Era como uma cena de um filme de terror", disse Christopher Hansen à rede de TV americana CNN. Jon Alamo diz ter visto o atirador carregando uma arma e entrando no ambiente onde ele estava.

"Ouvi 20, 40 e 50 tiros", disse ele. "E então a música parou".

Qual a dimensão do atentado?

O número de mortos e as circunstâncias do ataque fazem do caso o maior ataque a tiros já registrado na história dos Estados Unidos. Antes disso, o atentado a tiros com maior número de mortos era o massacre da Universidade Virginia Tech, em 2007, quando Seung-Hui Cho abriu fogo contra estudantes e se matou, deixando 32 vítimas.

Considerando ataques terroristas, esse é o pior nos Estados Unidos desde o 11 de setembro.

Reprodução/MySpace
Omar Saddiqui Mateen tinha 29 anos e era segurança particular

Quem é o atirador?

O suspeito foi identificado como Omar Saddiqui Mateen, 29, morador de Port St Lucie, na Flórida. Ele era um cidadão dos Estados Unidos, nascido em Nova York, filho de imigrantes afegãos.

Mateen trabalhava como segurança particular na empresa G4S e possuía licença legal para duas armas.

Em entrevista ao jornal "Washington Post", a ex-mulher de Omar, com quem ele foi casado por alguns meses em 2009, afirmou que ele era violento, "instável" e a agredia, mas disse não ter identificado posições extremistas. "Ele parecia um ser humano normal", disse a ex-mulher de Omar.

Neste domingo, o pai de Mateen falou à rede de TV americana NBC News e contou que o filho ficou "irritado" quando viu dois homens se beijando no mês passado.

Qual a motivação do ataque?

Isso ainda não está claro. O FBI está liderando a investigação do caso como um ato de terrorismo. Há informações de que o atirador citou apoiar o Estado Islâmico em ligação à polícia antes do ataque.

O grupo extremista que se autodenomina "Estado Islâmico" chegou a reivindicar a autoria do ataque, mas a ligação de Mateen com o grupo ainda não foi confirmada. 

Homofobia é outra razão possível para o atentado à boate gay. 

Qual a ligação do atirador com o Estado Islâmico?

As autoridades dos EUA afirmaram que ainda não está claro se o atirador de fato possuía treinamento ou se o grupo extremista chegou a coordenar o ataque. No entanto, o FBI afirmou que já havia investigado o atirador por duas vezes por suspeitas de simpatia com terroristas. 

A agência de notícias do Estado Islâmico divulgou comunicado no qual afirma que o atentado foi cometido por um "combatente do Estado Islâmico". O caso é tratado como um "incidente terrorista" pelas autoridades americanas e o presidente Barack Obama afirmou que: "Sabemos o suficiente para dizer que isso foi um ato de terrorismo e de ódio", disse o presidente dos EUA.

Qual foi a reação política ao atentado?

O presidente Barack Obama manifestou publicamente suas condolências sobre um novo massacre causado por um atirador. Essa é a 13ª vez que ele teve de fazer isso em oito anos de governo. O presidente norte-americano aproveitou a oportunidade para tentar reverter aquilo que ele mesmo já chamou de "grande frustração" de seu período na Presidência: a legislação sobre armas.

"O dia de hoje marca o tiroteio mais mortal que já tivemos na história dos Estados Unidos. Isso é também um lembrete sobre como é fácil para alguém colocar as mãos em uma arma e atirar em pessoas numa escola, numa igreja, num cinema ou em uma boate", afirmou Obama.

"Temos que decidir se esse é o país onde queremos viver. E a atitude de não fazer nada é uma decisão também", completou.

Tiroteio mata dezenas em boate gay nos EUA

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