Análise: Atentado em Nice alerta para risco de ataques durante Rio-2016

Paula Bianchi

Do UOL, no Rio

Para o analista de assuntos estratégicos e especialista em terrorismo André Luís Woloszyn, os 84 mortos no atentando ocorrido em Nice, na França, nesta quinta-feira (14), reforçam a necessidade do Brasil ficar alerta para a possibilidade de atentados semelhantes no país durante as Olimpíadas.

O risco de um atentando no Brasil, diz Woloszyn, é de médio a alto, mas a ação dos chamados "lobos solitários", que agem sem vinculação com nenhuma organização, não pode ser ignorada -- atualmente, a Abin (Agência Brasileira de Inteligência), classifica a ameaça terrorista no nível 4, em uma escala que vai de 1 a 5.

Nós temos uma conjuntura internacional que favorece a ação de lobos solitários, capazes de ataques de baixa intensidade. E nós temos um aumento da radicalização no Brasil, com o crescimento do número de extremistas."

Woloszyn, no entanto, acredita que o Brasil tem se preparado da melhor forma possível para os jogos, trabalhando com a inteligência de outros países e mapeando possíveis ameaças no país. "O Brasil está no mesmo nível de outros países. Nenhum pais está preparado [para enfrentar atentados]. Podemos ver pela França, Reino Unido, Bélgica", diz, ao lembrar atentados recentes em outras nações.

Ele considera que o papel recente do país como ator global, ao mediar conflitos e receber eventos do porte da Copa do Mundo e das Olimpíada, aumenta as chances de ataques no país. "O Brasil passou a atuar com mais evidência na política internacional e, a partir desse momento, nos tornamos suscetíveis à globalização dos delitos, sejam os crimes internéticos seja o terrorismo", afirma.

Governo irá revisar segurança nas Olimpíadas

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, declarou nesta sexta-feira (15) que o atentado em Nice deve promover um arrocho nas medidas de segurança para o público durante os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos do Rio de Janeiro. Entre as medidas anunciadas está um adicional de 3.200 homens das Forças Armadas, que se unirão aos mais de 21 mil militares já designados para a cidade do Rio durante os Jogos Olímpicos.

"O atentado em Nice preocupa a nós também. Vamos ter que revisar procedimentos, ampliar barreiras, as revistas, vamos ter que ter uma segurança muito mais rígida. Infelizmente isso pode ser uma dificuldade a mais e um transtorno para as pessoas, mas é para o bem e para a segurança delas", afirmou o ministro, em entrevista à rádio CBN.

França como alvo de ataques

O atentado se junta a outros dois grandes ataques ocorridos na França, na capital Paris, nos últimos meses: o ataque à redação do jornal "Charlie Hebdo" em 7 de janeiro de 2015, que deixou 12 mortos, e os atentados coordenados de 13 de novembro do ano passado, onde 130 pessoas morreram.

O primeiro foi cometido por dois irmãos ligados à Al-Qaeda e o segundo, realizado em localidades diferentes --como a casa de shows Bataclan e os arredores do estádio Saint-Denis--, foi organizado pelo Estado Islâmico.

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