Hollande diz que França tem "batalha longa" pela frente; 52 estão em estado grave

Do UOL, em São Paulo

O presidente da França, François Hollande, concedeu um pronunciamento na manhã desta sexta-feira (15) sobre o atentado que deixou 84 mortos na cidade de Nice, na noite de ontem. Pouco depois da fala de Hollande, o procurador François Molins atualizou o número de feridos: 202, sendo 52 em estado grave (25 deles ainda na UTI), e 10 crianças e adolescentes entre os 84 mortos. 

"A França tem uma batalha longa pela frente, contra um inimigo que continua a atingir países e sociedades que têm a liberdade como um valor universal", declarou o presidente.

Hollande citou os feridos que estão em estado grave. "Eles estão entre a vida e a morte. Entre as vítimas há franceses e estrangeiros, de todos os continentes. E várias crianças que vieram assistir aos fogos de artifício com suas famílias e foram atingidas apenas para justificar a crueldade de um indivíduo, ou possivelmente um grupo."

"Visitamos os feridos, que têm imagens horríveis em suas cabeças. Estão sofrendo mais por causa do trauma psicológico. Mesmo os que não tiveram ferimentos físicos carregarão o trauma dessas imagens pelo resto de suas vidas", acrescentou.

Hollande ainda homenageou as vítimas e os familiares, além de elogiar o trabalho das polícias e dos serviços de emergência, citando também os atentados contra a redação do jornal "Charlie Hebdo" e os ataques de novembro em Paris. "Eles fizeram o possível", afirmou.

O presidente ainda indicou que pelo menos um policial morreu no incidente. "Tenho lágrimas nos meus olhos por esse jovem policial que agiu para que o assassino fosse neutralizado e encerrasse essa carnificina", declarou Hollande.

"Novamente o mundo tem os olhos na França, com solidariedade e afeto. O mundo está pensando na gente. E somos um país que supera tudo isso, e que deu um grande exemplo ao mundo ao mostrar coesão e unidade nesse momento", disse o presidente.

O suspeito do ataque com o caminhão que deixou 84 mortos em Nice, na França, foi identificado como Mohamed Lahouaiej-Bouhlel, um franco-tunisiano de 31 anos que era casado e tinha três filhos. A polícia francesa realizou buscas em seu apartamento na manhã desta sexta-feira (15) e levou diversos materiais para análise.

O novo ataque, que até o momento não foi reivindicado por nenhum grupo, fez com que Hollande voltasse atrás e estendesse o estado de emergência no país por mais três meses.

França como alvo de ataques

O atentado se junta a outros dois grandes ataques ocorridos na França, na capital Paris, nos últimos meses: o ataque à redação do jornal "Charlie Hebdo" em 7 de janeiro de 2015, que deixou 12 mortos, e os atentados coordenados de 13 de novembro do ano passado, onde 130 pessoas morreram.

O primeiro foi cometido por dois irmãos ligados à Al-Qaeda e o segundo, realizado em localidades diferentes --como a casa de shows Bataclan e os arredores do estádio Saint-Denis--, foi organizado pelo Estado Islâmico.

O atentado em Nice ocorre em um contexto de ameaça terrorista muito elevada, especialmente na França, envolvida em ações militares na Síria contra o Estado Islâmico. O país acaba de sediar a Euro 2016 em meio aos temores de ataques e chegou a cogitar partidas em estádios sem o público presente --o que não ocorreu.

Estado de emergência terminaria no fim de julho

O massacre também acontece menos de duas semanas antes do final programado para o estado de emergência na França, previsto para o dia 26 de julho. No entanto, Hollande afirmou em pronunciamento à nação que vai prolongar em três meses as medidas de emergência. A proposta precisa ser aprovada pelo Congresso francês.

Até o momento, o ataque não foi reivindicado por nenhum grupo.

(Com agências internacionais)

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