Encontros entre líderes da Rússia e dos EUA já foram tensos e decisivos

Do UOL, em São Paulo

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    12.fev.1945 - Primeiro-ministro britânico Winston Churchill, com o presidente americano Franklin D. Roosevelt e o líder soviético Josef Stalin em encontro em Yalta

    12.fev.1945 - Primeiro-ministro britânico Winston Churchill, com o presidente americano Franklin D. Roosevelt e o líder soviético Josef Stalin em encontro em Yalta

Durante décadas as cúpulas entre os líderes da Rússia (ou da antiga União Soviética) e dos EUA têm sido assuntos por cada palavra, aperto de mão e expressões faciais realizadas pelos líderes. O primeiro encontro cara a cara do presidente americano Donald Trump com o presidente russo Vladimir Putin durante o G20 em Hamburgo, na Alemanha, não foi muito diferente.

Donald Trump e Vladimir Putin tiveram nesta sexta-feira (7), na reunião anual do G20, seu primeiro encontro público desde que o empresário se tornou presidente dos Estados Unidos. Diante da imprensa, em um curto pronunciamento antes de iniciarem as conversas, os dois trocaram elogios e se disseram comprometidos a resolver as questões que afetam os dois países.

Trump e Putin fecharam um acordo para uma trégua no sudoeste da Síria que entrará em vigor ao meio-dia (horário local) do próximo domingo (9). De acordo com o ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, os dois governantes se comprometeram também a garantir que "todas as partes" envolvidas no conflito respeitarão o cessar-fogo.

Evan Vucci/AP
O presidente russo, Vladimir Putin, na esquerda, cumprimenta o presidente dos EUA, Donald Trump

A portas fechadas, a suposta interferência russa nas eleições americanas de 2016 foi um dos tópicos de discussão entre os presidentes Donald Trump e Vladimir Putin, segundo Rex Tillerson, secretário de Estado dos EUA. A reunião durou mais de duas horas.

Segundo Tillerson, Trump abriu a reunião falando sobre as acusações de interferência russa, chanceladas pelas agências de inteligência do país, e teria "pressionado" Putin sobre o assunto algumas vezes. O presidente russo, no entanto, negou envolvimento do Kremlin.

Já Putin, em entrevista à agência estatal russa Sputnik, disse que teve uma conversa longa com Trump, em que foram debatidos temas como "Ucrânia, Síria, combate ao terrorismo, cibersegurança e questões bilaterais", sem detalhar o resultado da conversa.

Ao longo da história, alguns encontros entre os presidentes americanos e russos renderam importantes avanços diplomáticos, mesmo durante as piores tensões da Guerra Fria. Outros terminaram em discórdia diplomática.

Trump e Putin se cumprimentam nos bastidores do G20

2016 – Cúpula do G20 em Hangzhou

O último encontro formal de Obama com Putin não foi uma festa de despedida. Ele expulsou a Rússia do grupo das 8 nações industrializadas por causa das ações da Rússia na Ucrânia e desde o ocorrido, sua relação com Putin nunca melhorou.

A cúpula em Hangzhou foi um momento de poucos afetos, onde nenhum dos dois deixou sorrisos nas fotografias.

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5.set.2016 - Presidente russo, Vladimir Putin, fala com o presidente americano Barack Obama, em Hangzhou, na China

Não houve um avanço em relação à Síria, onde ambos países esperavam um acordo para diminuir a violência. E uma desconfiança sobre a interferência russa nas eleições americanas, que então estavam se desenrolando, criou um clima tenso na reunião. A última vez que Putin viu Obama, foi em um encontro de quatro minutos em uma conferência econômica no Peru, em novembro.

2012 –  Cúpula do G20 em Seul

É fácil de identificar o momento em que o presidente dos EUA, Barack Obama, aprendeu sobre os riscos de falar com um microfone aberto ao público. Em março de 2012, em Seul, na Coreia do Sul, Obama foi pego dizendo que o presidente russo, Dmitri Medvedev se reeleito, iria ter "mais flexibilidade" para resolver problemas de defesas de mísseis com Moscou.

Medvedev respondeu dizendo para Obama que iria "transmitir essa informação para Vladimir" – referindo-se a Putin, que estava chegando no seu fim de mandato como primeiro ministro da Rússia.

O oponente republicano de Obama, Mitt Romney, rapidamente utilizou a gafe como evidência de que Obama estava escondendo uma agenda secreta para seu segundo mandato.

2001 – Cúpula da Eslovênia

Uma década após a queda da união Soviética, o presidente dos EUA, George W. Bush, ficou cara a cara com o presidente russo, Vladimir Putin. "Eu consegui sentir a sua alma -- um homem profundamente comprometido com o seu país e os seus interesses", afirmou Bush depois do encontro.

A fala de Bush passou a ser vista como um sinal de ingenuidade sobre o líder russo e ex-funcionário da KGB que iria ter algumas confusões com os próximos presidentes americanos. Bush chegou a convidar Putin para visitar sua fazenda no Texas.

Doug Mills/AP
16.jun.2001 - Presidente americano George W. Bush anda com o presidente russo Vladimir Putin, em encontro na Eslovênia

1986 - Cúpula de Reykjavik

Outro encontro entre os líderes, desta vez na capital da Islândia. Rapidamente arranjado e com poucas expectativas, a cúpula ganhou destaque no ponto em que apareceu a possibilidade de acordo de reduções de armas.

Ron Edmonds/AP
11.out.1986 - O presidente americano Ronald Reagan aperta as mãos do líder soviético Mikhail Gorbachev em Reykjavik, na Islândia

Na cúpula fotos icônicas do presidente americano, Ronald Reagan, e do líder soviético, Mikhail Gorbachev, sorrindo foram tiradas e nada muito além disso. No encontro os líderes não conseguiram chegar a um acordo e nem estabelecer uma data para outra cúpula.

1972 - Cúpula de Moscou

O presidente Richard Nixon voou para a capital soviética, a primeira visita de um presidente americano a Moscou, com uma semana inteira de encontros com o líder soviético Leonid Brejnev. Pode-se dizer que foi algo produtivo.

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29.mai.1972 - Presidente americano Richard Nixon cumprimenta o líder do Partido Comunista, Leonid Brezhnev, em Moscou

Não só os dois líderes conquistaram grandes acordos sobre a limitação de mísseis balísticos e a uma redução na corrida armamentista. Eles também fizeram acordos menores sobre educação, ciência, coordenação marítima e saúde pública. Os acordos foram promovidos em uma cerimônia de assinaturas que mais tarde seria vista como um ponto de inflexão na Guerra Fria.

1961 - Cúpula de Viena

A reunião de dois dias foi a primeira entre Kruschev e o novo presidente americano John F. Kennedy, que era quase vinte anos mais novo que Kruschev. Houve muitas celebrações, incluindo um encontro de alto nível entre as primeiras damas.

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4.jun.1961 - Premier soviético Khrushchev cumprimenta o presidente dos EUA, John Kennedy, em Viena

Mas contas governamentais dos EUA sobre a cúpula sugerem que o encontro foi extremamente tenso. Kennedy foi pressionado pelo líder soviético, que exigiu um tratamento imediato para reunificar a Alemanha sob condições desfavoráveis aos EUA. O desentendimento durante o encontro levantou o espectro de uma guerra real entre as duas potências nucleares. Dois meses depois o muro de Berlim foi construído.

1960 – Paris

Essa reunião da Guerra Fria entre o presidente Dwight D. Eisenhower e o líder soviético Nikita Kruschev pode ter sido condenada desde o início. Duas semanas antes de se reunirem em Paris, os soviéticos derrubaram um avião espião americano. Os EUA tentaram encobrir o caso alegando que era um avião de monitoramento de tempo (clima), porém os soviéticos expuseram essa mentira.

Kruschev atacou Eisenhower na reunião, enfurecendo o presidente americano que acabou cancelando a viagem para Moscou que estava planejada para o mês seguinte.

1945 – Conferência de Yalta

Com a Segunda Guerra Mundial chegando ao fim, os líderes dos EUA, da União Soviética e do Reino Unido se reuniram para planejar o futuro da Europa pós-guerra para tentar acelerar o fim dos conflitos no Pacífico. O líder soviético, Josef Stalin, concordou em entrar na guerra para ajudar a derrotar o Japão Imperial.

O presidente americano, Franklin D. Roosevelt e o primeiro-ministro britânico Winston Churchill permitiram a influência soviética em terras russas perdidas para o Japão, décadas antes.

Inicialmente tida como um grande sucesso, a conferência foi vista por muitos como um momento onde os EUA cederam muita influência aos soviéticos.

Décadas depois, a organização para um encontro sobre a Crimeia, proporcionaria alguma ironia. A Rússia anexou a região do leste da Ucrânia em 2014 e aprofundou uma fenda na diplomacia moderna com os EUA.

*Com informações da AP

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