Plebiscito convocado pela oposição aponta que 98% rejeitam Constituinte de Maduro

Do UOL, em São Paulo

Os resultados do plebiscito realizado pela oposição neste domingo (16) na Venezuela mostram que 98,4% rejeitam a formação da Assembleia Nacional Constituinte proposta pelo presidente, Nicolás Maduro, para mudar a Constituição.

A informação foi dada pelo reitor da Upel (Universidade Pedagógica Experimental Libertador), Raúl López, que faz parte da comissão organizadora da consulta pública, quando a apuração das urnas estava em 95%, totalizando 7.186.170 votos. 

O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Julio Borges, disse ao final da votação que o fato de a oposição ter conseguido quase a totalidade dos votos recebidos no plebiscito deixa o presidente do país, Nicolás Maduro, praticamente "revogado".

"Com os votos do povo venezuelano, matematicamente, Nicolás Maduro está revogado no dia de hoje. Esse era o medo que se tinha do plebiscito revogatório e, por isso, se impediu. É por isso que o governo não quer fazer eleições nunca mais", disse Borges.

Carlos Garcia Rawlins/Reuters
Presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Julio Borges: "Maduro foi revogado"
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse que a consulta é apenas "um ensaio", "um aquecimento para o que serão as eleições da Assembleia Nacional Constituinte".

"A batalha verdadeira é o domingo dia 30 de julho, quando haverá uma festa do poder constituinte", afirmou o presidente. 

O plebiscito simbólico convocado pela oposição atraiu milhares de pessoas às ruas, na Venezuela e no exterior, que quiseram manifestar seu desacordo com as políticas do governo Maduro.

Em um incidente em investigação, um grupo armado disparou contra um dos locais de votação no bairro de Catia, em Caracas. Uma pessoa morreu e três ficaram feridas.

"Sem consequência"

O poder eleitoral da Venezuela pediu à liderança opositora que evite criar "falsas expectativas" com o plebiscito deste domingo.

"É uma atividade política que não tem consequência jurídica. O importante aqui é que não se criem falsas expectativas, tampouco se gere nenhuma tentativa de violência", expressou a presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Tibisay Lucena, em entrevista coletiva.

Sem o aval do CNE, que acusa de servir a Maduro, a oposição convocou a consulta com a meta de mostrar um repúdio majoritário à Constituinte, que, segundo pesquisas privadas, é rejeitada por sete em cada 10 venezuelanos.

"Eles podem perguntar o que quiserem, porque é um exercício político. O que não se pode é confundir, fazendo pensar que isso possa ter algum valor jurídico", assinalou Tibisay.

A coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) afirma que o plebliscito será o marco zero de uma escalada em seus protestos contra Maduro a fim de bloquear a Constituinte, cujas eleições estão marcadas para o próximo dia 30.

O CNE organizou, paralelamente ao plebiscito opositor, uma simulação do processo para escolher os 545 constituintes, do qual a oposição se negou a participar, por considerá-lo "uma fraude" do presidente socialista para instaurar "uma ditadura".

Boris Vergara/Xinhua
Pessoas votam no plebiscito em sessão localizada na capital Caracas
Tibisay expressou que estão sendo testados o mecanismo eleitoral e as medidas de segurança propostas para "realizar o exercício do voto sem riscos", ante os chamados dos adversários de Maduro para se bloquear o processo.

A funcionária ratificou que haverá "sanções de acordo com a lei" para quem tentar bloqueá-lo.

Maduro afirma que a Constituinte é "o único caminho para a paz", em meio à grave crise política e econômica no país sul-americano.

(Com agências internacionais)

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