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"Carniceiro dos Bálcãs" é condenado por genocídio no conflito da ex-Iugoslávia

Ratko Mladic durante audiência no Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia de Haia, na Holanda - ICTY via AP
Ratko Mladic durante audiência no Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia de Haia, na Holanda Imagem: ICTY via AP

Do UOL, em São Paulo

22/11/2017 09h50

O ex-chefe militar dos sérvios da Bósnia, Ratko Mladic, foi condenado nesta quarta-feira à prisão perpétua depois de ser declarado culpado de dez acusações de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade pelo Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia de Haia.

"Por ter cometido estes crimes, a câmara ordenou o senhor Ratko Mladic à prisão perpétua", declarou o juiz Alphons Orie.

O ex-líder militar dos sérvios da Bósnia, o "Carniceiro dos Bálcãs" Ratko Mladic, foi retirado nesta quarta-feira (22) da sala de audiência do Tribunal Penal Internacional de Haia, depois de se levantar e gritar contra os juízes.

O juiz Alphons Orie determinou que Ratko Mladic fosse retirado, depois de se recusar a ceder ao pedido da defesa de interromper a sessão por conta da pressão alta do acusado. "Eles mentem, vocês mentem. Não me sinto bem", gritou.

O ex-chefe militar dos sérvios-bósnios é, aos 74 anos de idade, o último grande acusado do tribunal criado em 1993 para julgar pessoas responsáveis por crimes de guerra durante os conflitos nos Bálcãs.

"Seu caso foi de fato um dos primeiros que justificaram a criação do TPII", segundo o procurador Serge Brammertz.

Depois de dois anos em que julgou Mladic e condenou seu alter ego político, Radovan Karadzic, a 40 anos de prisão - uma decisão da qual este último recorreu -, o tribunal fechará definitivamente suas portas em 31 de dezembro com um balanço de 161 condenados.

O veredicto de Mladic encerra um capítulo tanto para a ex-Iugoslávia, cujos principais carrascos foram acusados, como para a justiça internacional. O ex-presidente sérvio Slobodan Milosevic, encontrado morto em sua cela durante seu processo em 2006, foi o primeiro chefe de Estado a comparecer ante um tribunal internacional.

O general Mladic, a última pessoa julgada em primeira instância no TPII, é acusado de "limpeza étnica" em uma parte da Bósnia para criar um Estado sérvio etnicamente puro. A ele são atribuídos delitos de genocídio, crimes contra a Humanidade e crimes de guerra durante a a guerra da Bósnia (1992-1995), que deixou mais de 100.000 mortos e 2,2 milhões de deslocados.

A acusação pediu a prisão perpétua para ele. A defesa solicitou a absolvição. O ex-chefe militar jamais reconheceu sua culpa, apesar de dizer lamentar "cada inocente morto em todos os lados, em todas as comunidades étnicas da ex-Iugoslávia".

O TPII acusou Mladic em 25 de julho de 1995, dias depois do massacre de cerca de 8.000 homens e crianças muçulmanos em Srebrenica, pelo que foi condenado por genocídio.

O tribunal julgou seis acusados, incluindo Karadzic, no que é considerada a pior matança na Europa depois da Segunda Guerra Mundial.

Também são atribuídos a ele o sequestro de funcionários das Nações Unidas e o cerco a Sarajevo, que durou 44 meses e deixou 10.000 mortos, em sua maioria civis.

Seu julgamento durou mais de cinco anos e nele prestaram depoimentos cerca de 600 testemunhas e foram apresentadas mais de dez mil provas.

Mladic, detido em 2011 na casa de um primo e transferido para Haia, compareceu pela primeira vez ante o tribunal dias depois.

Em sua primeira audiência apareceu magro e distante. A viúva de uma vítima de Srebrenica, presente durante a audiência, disse que Mladic a olhou e cruzou o dedo pelo pescoço para insinuar uma execução.

Em 2014, negou-se a comparecer no julgamento de Karadzic ao classificar o tribunal de Haia como "satânico".

E, no ano passado, nas conclusões de seu próprio julgamento, Mladic, visivelmente irritado, fez caretas e ficou lendo um jornal.

Mas ao longo das audiências e dos anos, sua saúde física e mental degradaram visivelmente. O general sofreu vários AVCs que provocaram uma deterioração de seu sistema nervoso, segundo especialistas russos citados pela defesa.

Um argumento ao qual seus advogados recorreram várias vezes durante o julgamento, sendo que na última vez para adiar o anúncio do veredicto.

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