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Sarkozy é indiciado por financiar campanha presidencial com dinheiro líbio em 2007

Após 26 horas de interrogatório, o ex-presidente francês Nicolas Sarkozy foi indiciado - Ian Langsdon/Pool Photo via AP
Após 26 horas de interrogatório, o ex-presidente francês Nicolas Sarkozy foi indiciado Imagem: Ian Langsdon/Pool Photo via AP

Do UOL, em São Paulo

21/03/2018 18h20

O ex-presidente da França, Nicolas Sarkozy, foi indiciado nesta quarta-feira (21) pelo suposto financiamento ilegal da sua campanha de 2007 com dinheiro do ex-líder líbio Muammar Kaddafi e posto em liberdade sob controle judicial, segundo informou o site do jornal "Le Monde".

Os juízes que instruem a causa acusam o ex-chefe de Estado pelos crimes de corrupção passiva, financiamento ilegal de campanha eleitoral e receptação de dinheiro líbio.

Sarkozy, de 63 anos, prestou depoimentos por um total de 26 horas ao longo de dois dias no Escritório Central de Luta contra a Corrupção e as Infrações Financeiras e Fiscais (OCLCIFF) de Nanterre, nos arredores de Paris. Ele foi detido na manhã da terça-feira (20) e liberado perto da meia-noite.

Brice Hortefeux, um deputado do Parlamento Europeu ligado a Nicolas Sarkozy e que foi seu ministro do Interior, também foi interrogado na terça-feira (20) até o fim da noite, mas não foi detido.

"Estou depondo em uma audiência livre. As explicações permitirão encerrar uma sucessão de erros e mentiras", escreveu o deputado no Twitter.

A investigação

A Justiça francesa abriu uma investigação judicial em 2013 depois de, um ano antes, o portal de investigações Mediapart revelar um documento do ex-chefe dos serviços de Inteligência líbios, segundo o qual o regime de Muamar Khadafi aceitou financiar com 50 milhões de euros (aproximadamente R$202 milhões) a campanha presidencial de 2007 de Sarkozy.

Este caso é o escândalo de financiamento político mais explosivo da França e uma das várias investigações legais que perseguem Sarkozy desde que deixou a Presidência em 2012.

As suspeitas sobre Sarkozy se baseiam em testemunhos e operações obscuras, mas os juízes que investigam este caso há cinco anos ainda não obtiveram qualquer prova.

Em março de 2011, quando a França acabava de reconhecer a oposição do regime líbio como único interlocutor, o filho de Khadafi, Seif al Islam, lançou a primeira acusação: "Sarkozy deve devolver o dinheiro!". A afirmação foi feita sem a apresentação de provas.

Outro testemunho capital é o do suposto intermediário dessas operações, o franco-libanês Ziad Takieddine.

Em entrevista em 2016 ao Mediapart, ele admitiu ter entregue três malas cheias de dinheiro em espécie do líder líbio em 2006 e em 2007 para ajudar Sarkozy a chegar ao Eliseu.

Nicolas Sarkozy sempre negou as acusações.

Os magistrados investigam essas alegações, assim como uma transferência estrangeira de 500 mil euros (R$ 2 milhões) para Claude Guéant, aliado de Sarkozy, em 2008, e a venda de uma mansão no sul da França, em 2009, para um fundo de investimento líbio administrado por Bashir Saleh, ex-secretário particular de Khadafi, por um preço supostamente inflado.

Segundo a agência anticorrupção francesa, durante a campanha presidencial de 2007, circularam quantias importantes de dinheiro em espécie na equipe do então candidato.

"Todo o mundo vinha recolher seu envelope", contou um ex-funcionário da campanha no informe do órgão anticorrupção, ao qual a agência de notícias AFP teve acesso.

O tesoureiro de campanha Eric Woerth afirma, porém, que esse dinheiro foi fornecido por doadores anônimos.

Esta não é a primeira vez que Sarkozy é interrogado em um caso judicial. Em julho de 2014, foi o primeiro ex-presidente francês a ser detido para interrogatório em um caso de suspeita de tráfico de influência.

Também é citado em outros casos. Foi liberado em alguns, mas pode ir a julgamento por outros. (Com informações da EFE e da AFP)

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