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Milhares vão às ruas dos EUA em protesto contra a política de imigração de Trump

Protesto em Nova York contra a política de separação de famílias imigrantes - Eduardo Munoz Alvarez/AFP Photo
Protesto em Nova York contra a política de separação de famílias imigrantes Imagem: Eduardo Munoz Alvarez/AFP Photo

Do UOL, em São Paulo

30/06/2018 14h09

Milhares de pessoas protestam neste sábado (30) em diversas cidades dos Estados Unidos contra a política de imigração de "tolerância zero" do governo de Donald Trump.

EUA_1 - Alex Wroblewski/Getty Images/AFP - Alex Wroblewski/Getty Images/AFP
30.jun.2018 - "Hoje marchamos, logo votamos", diz manifestante em ato realizado em Washington contra a política de imigração dos Estados Unidos
Imagem: Alex Wroblewski/Getty Images/AFP
"Estamos protestando em Washington DC e em todo o país", afirmaram os organizadores da manifestação "Families Belong Together" (As famílias devem ficar juntas).

A cantora Alicia Keys, a atriz America Ferrera e o dramaturgo de origem porto-riquenha Lin-Manuel Miranda lideraram de um palanque montado no local uma manifestação que, segundo os organizadores, reuniu mais de 30 mil pessoas no centro de Washington, enquanto outras 750 cidades em todo território americano organizavam manifestações similares.

"Nossa democracia está em jogo. Nossa humanidade está em jogo. Estamos aqui para salvar a alma de nossa nação", disse Alicia Keys em um discurso.

America Ferrera, à esq., acompanha a fala da cantora Alicia Cens durante protesto contra política de imigração de Trump realizado próximo à Casa Branca, em Washington - Alex Brandon/AP Photo - Alex Brandon/AP Photo
Cantora Alicia Keys discursa em protesto contra política de imigração de Trump realizado próximo à Casa Branca, em Washington
Imagem: Alex Brandon/AP Photo

Keys e Ferrera, que é descendente de imigrantes hondurenhos, leram as histórias reais de uma mãe que foi separada de seu filho e de um avô que teve o pedido de acolher e cuidar de sua própria neta rejeitada pelas autoridades americanas.

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30.jun.2018 - Ato contra política de imigração dos Estados Unidos reuniu mais de 30 mil pessoas no centro de Washington
Imagem: Joshua Roberts/Reuters
"Esta luta não pertence a um grupo de pessoas, a uma cor, a um gênero. Ela pertence a todos nós", afirmou Ferrera, conhecida pelo seu papel na série "Ugly Betty". 

As pessoas que lotavam o centro de Washington gritaram "vergonha" quando líderes religiosos e ativistas pediram ao governo que fosse mais receptivo aos estrangeiros e reunisse as famílias.

"Isso vai contra tudo o que representamos como país", disse a manifestante Paula Flores-Marques, 27, sobre as políticas do presidente Donald Trump, que estava fora da cidade.

Os manifestantes pedem a reunificação das mais de 2.300 crianças que foram separadas de seus familiares desde abril, além de exigir o fim da política de "tolerância zero" e dos "campos de detenção" de imigrantes. 

"Eu vivo ao lado de um centro onde estão detendo acho que entre dez e 15 crianças atualmente", explicou à Agência Efe a jovem de 22 anos, Alexandra Cornejo.

"(O centro de detenção) está a apenas nove minutos da minha casa e não sei o que fazer, por isso queria estar aqui, porque minha família também é uma família de imigrantes, de México e Guatemala, e temos que defender nossas famílias", acrescentou Cornejo, que vive em Manassas (Virgínia), nos arredores de Washington.

No palanque montado para a manifestação, Lin-Manuel Miranda cantou uma canção de seu sucesso da Broadway "Hamilton" e pediu aos presentes que não desistam "até que esses pais possam voltar a cantar canções de ninar para seus filhos". 

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30.jun.2018 - "Imigrantes e refugiados são bem-vindos aqui", dizem ativistas em ato contra a política de imigração dos Estados Unidos
Imagem: Alex Edelman/AFP

Até Nova York parou

Em Nova York, famílias, jovens, crianças e idosos - tanto recém-chegados quanto cidadãos de longa data - marcharam sob um sol forte como parte de um protesto que, segundo um policial, reunia "umas duas mil pessoas".

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Imagem: Eduardo Munoz Alvarez/AFP
"Digam alto, digam claro, os refugiados são bem-vindos aqui", gritavam, também dando as boas-vindas aos muçulmanos.

Um grupo de percussionistas aumentou o fervor de uma multidão que carregava cartazes como "Nossa Nova York é uma Nova York Imigrante" e "Sem jaulas, sem proibições, sem muro".

"Suprimir o ICE [polícia migratória]", dizia outro cartaz, refletindo os crescentes pedidos de ativistas de eliminar a Agência de Imigração e Controle de Aduanas.

Julia Lam, mãe e estilista aposentada de 58 anos que imigrou de Hong Kong para os EUA nos anos 1980, uniu-se ao protesto de Nova York com dois amigos e seus filhos pequenos. "Acho que é realmente cruel separar os filhos", disse ela. "Estou enojada (...) Simplesmente não entendo como um ser humano faz uma coisa dessas", completou. 

Courtney Malloy, uma advogada de 34 anos, disse que é importante mostrar apoio aos imigrantes e que as políticas do governo "não são os Estados Unidos". 

"Isso não é o que defendemos e não está certo. E não ficaremos aqui vendo nosso país ser destroçado, e os bebês serem arrancados de suas mães", disse ela à AFP, segurando um cartaz que dizia "O único bebê que deveria estar em uma jaula é Donald Trump".  

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30.jun.2018 - Ato contra política de imigração dos Estados Unidos também foi realizado em Nova York
Imagem: Kena Betancur/Getty Images/AFP

Trump defende polícia migratória

Neste sábado, Trump tuitou várias mensagens em apoio à agência migratória.

"Os democratas estão fazendo um grande esforço para suprimir o ICE, um dos grupos de homens e mulheres mais inteligentes, mais duros e com mais espírito da lei que eu já vi. Vi a ICE liberar cidades da tomada de (gangue) MS-13 e resolver as situações mais difíceis. São geniais!", escreveu.

Em uma segunda mensagem, pediu aos "corajosos homens e mulheres" da ICE que "não percam seu espírito".

"Estão fazendo um trabalho fantástico para nos manterem seguros, erradicando os piores elementos criminosos. Muito corajosos! Os democratas esquerdistas radicais querem vocês fora. Depois será toda polícia. Zero chance, isso nunca acontecerá!", acrescentou.

Separação de famílias

Em uma tentativa de deter o fluxo de dezenas de milhares de migrantes na fronteira sul dos Estados Unidos, Trump ordenou em maio a prisão dos adultos que entram no país de modo ilegal, incluindo aqueles que solicitam asilo.

Quase 2.000 crianças foram separadas de seus pais, segundo números oficiais divulgados no fim de semana passado.

Muitos dos que tentam atravessar a fronteira entre Estados Unidos e México são pessoas pobres que fogem das violência das gangues e de outros problemas na América Central.

Como resultado da repressão ordenada por Trump, centenas de crianças foram separadas de suas famílias e mantidas em jaulas, uma prática que provocou indignação nacional e mundial.

Na semana passada, Trump assinou uma ordem para acabar com a separação das famílias, mas advogados especializados em imigração dizem que o processo de reunião será longo e caótico.

(Com AFP e Associated Press)