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Filho de milionário alvo de bomba nos EUA diz que "ódio está nos consumindo"

George Soros e seu filho, Alexander Soros; fundador da Open Society Foundations recebeu um pacote com bomba nos EUA - Reprodução/Instagram
George Soros e seu filho, Alexander Soros; fundador da Open Society Foundations recebeu um pacote com bomba nos EUA Imagem: Reprodução/Instagram

Do UOL*, em São Paulo

24/10/2018 18h09Atualizada em 24/10/2018 19h56

O filantropo milionário Alexander Soros, filho de George Soros, alvo de um pacote com material explosivo na última segunda-feira (22), afirmou em artigo publicado no jornal The New York Times que o ataque é "resultado das nossas políticas de demonizar os oponentes". Intitulado "O Ódio que Está nos Consumindo", o artigo afirma que as bombas são uma "ameaça à democracia dos Estados Unidos". 

Outros pacotes com explosivos foram rastreados pela polícia, entre eles dois que tinham como alvo os ex-presidentes Barack Obama e Bill Clinton. Também foi encontrado um artefato com potencial explosivo na sede da CNN em Nova York --uma das maiores emissoras de TV do mundo. Equipes de polícia foram enviadas às sedes dos principais meios de comunicação em Nova York.

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Os pacotes não chegaram às mãos de Obama nem dos Clinton, uma vez que foram interceptados pelos serviços de inteligência antes. Não há registros de explosões, nem de feridos. No caso de Soros, um pacote contendo o que parecia ser um dispositivo explosivo foi encontrado em uma caixa de correio do lado de fora de sua residência em Nova York.

"Um membro da nossa equipe reconheceu a ameaça e chamou a polícia. Felizmente, as autoridades foram capazes de detonar o dispositivo com segurança", disse Alexander Soros no artigo. "Minha família não é estranha às hostilidades daqueles que rejeitam nossa filosofia, nossa política e nossa própria identidade. Meu pai cresceu à sombra do regime nazista na Hungria", afirmou.

Segundo o filho de Soros, a Open Society Foundations desempenhou um papel de liderança na redemocratização de vários países após o declínio da União Soviética. "Meu pai reconhece que seu trabalho filantrópico, embora não partidário, é 'política' em sentido amplo: procura apoiar aqueles que promovem sociedades em que todos têm voz", escreveu.

A polícia faz ronda do lado de fora do Time Warner Center depois que um explosivo foi encontrado no local na manhã desta quarta-feira (24) - SPENCER PLATT/AFP - SPENCER PLATT/AFP
A polícia faz ronda do lado de fora do Time Warner Center depois que um explosivo foi encontrado no local na manhã desta quarta-feira (24)
Imagem: SPENCER PLATT/AFP

No entanto, segundo o empresário, a ascensão de Donald Trump à Presidência do país resultou em um terreno fértil para o desenvolvimento da extrema-direita nos Estados Unidos, incluindo grupos de supremacistas brancos e antissemitas. Alexander Soros ainda reforçou que esse movimento é mundial e que, na Hungria, o primeiro-ministro Victor Orbán inaugurou uma campanha antissemita que tinha como alvo seu pai.

"Na Hungria, o primeiro-ministro Viktor Orbán lançou uma campanha de cartazes antissemitas acusando falsamente meu pai de querer inundar o país com imigrantes. Isso incluía colar o rosto de meu pai no piso de bondes em Budapeste para que as pessoas andassem sobre ele, tudo para servir à agenda política de Orbán", disse Soros no artigo.

Importante ressaltar que George Soros, por conta de sua posição de grande fomentador de causas progressistas --de campanhas partidárias a veículos de imprensa-- se transformou em um alvo recorrente da direita norte-americana, principalmente após a eleição de Donald Trump.

"Agora estamos enfrentando ataques com bombas. Embora a responsabilidade recaia sobre o indivíduo ou sobre os indivíduos que enviaram esses dispositivos letais para a casa de minha família e para os escritórios de Obama e Clinton, não consigo estes atos de forma separada da demonização política que nos aflige hoje", escreveu o filho de Soros. 

Para Alexander Soros, é preciso evitar a intolerância em relação aos oponentes políticos e ideológicos para construir novas relações. "Um primeiro passo seria lançar nossas cédulas [de votação] para rejeitar os políticos cinicamente responsáveis por minar as instituições de nossa democracia. E devemos fazê-lo agora, antes que seja tarde demais.", afirma Soros. 

Trump e Hillary pedem união

Após as revelações das correspondências com material explosivo, o presidente Donald Trump pediu nesta quarta-feira (24) união entre rivais políticos "para enviar uma mensagem clara e forte de que atos ou ameaças de violência política não têm lugar nos EUA". 

Trump fez uma rápida declaração sobre os incidentes na Casa Branca após fala da primeira-dama, Melania Trump, que também condenou as tentativas de ataque. "Não podemos tolerar estes ataques covardes e condeno veementemente todos os que escolhem a violência", disse Melania.

A ex-secretária de Estado Hillary Clinton, ao comentar pela primeira vez sobre a intercepção de artefatos explosivos dirigidos a ela, disse nesta quarta em um ato eleitoral em Miami que o país passa por um período "preocupante".

"Vivemos tempos de profundas divisões e temos que fazer tudo o que possamos para unir nosso país", afirmou Hillary, que agradeceu ao Serviço Secreto americano pela interceptação do pacote antes que ele chegasse a sua casa.

(Com Reuters)