Post de 2 anos atrás de filhos de Bolsonaro com referência a forças de Israel gera polêmica no país

Bruno Aragaki*

Do UOL, em São Paulo

Na esteira do aumento do interesse de Israel por Jair Bolsonaro (PSL), que anunciou transferência da embaixada brasileira no país de Tel Aviv para Jerusalém e recuou na última terça-feira (6), cidadãos israelenses resgataram posts antigos do presidente eleito e de seus filhos nas redes sociais.

Uma publicação em específico chama a atenção por lá agora: uma foto no Twitter de 2016 em que o então deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), com uma camiseta em que se lê "Forças de Defesa de Israel" em inglês e em hebraico, caminha ao lado do irmão Carlos (PSC-RJ), vereador pelo Rio, cuja camiseta estampa no peito a palavra "Mossad" - o serviço secreto de Israel.

A imagem foi resgatada no último domingo (4) pelo jornalista israelense Hanan Amiur. Em hebraico, a legenda da publicação de Amiur diz: "Na foto: os dois filhos do novo presidente do Brasil, Bolsonaro. Repugnante e chocante".

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A publicação de Amiur foi compartilhada em 169 vezes e incorporada a posts em inglês, com maior capilaridade - como o da jornalista israelense-americana Mairava Zonszein. "Israel se tornou um símbolo de autoritarismo ao redor do mundo", escreveu Zonszein.

A cidadã israelense Nora K., que já trabalhou no Brasil e hoje mora nos Estados Unidos, explicou ao UOL algumas razões daqueles que se incomodaram com a imagem: ela associa a família Bolsonaro, cuja reputação internacional é majoritariamente ligada a declarações polêmicas, ao país do Oriente Médio.

"Não vejo problemas em usar camiseta da Mossad. O que é simplesmente constrangedor é que o Estado e o povo de Israel seja apoiado por políticos tão radicais e violentos. Isso mostra a imagem que Israel ganhou no mundo", disse K.

"Quando nossos aliados são os Trumps ou os Bolsonaros, sabemos que nos colocamos numa posição muito ruim", afirmou.

No Twitter, houve também israelenses comemorando a imagem ou questionando os críticos. "Muito bom que eles reconheçam Israel", dizem alguns dos comentários.

"Eu não entendi o que há de repugnante nessa foto", escreveu o usuário Haim.

Mossad e Forças de Defesa de Israel

Similar à CIA nos Estados Unidos, o Mossad é o instituto de inteligência do governo de Israel e é considerado um dos mais poderosos do tipo no mundo. O grupo encontrou e capturou em 1960 o oficial nazista Adolf Eichmann em Buenos Aires e o levou para ser condenado em Israel.

Já as Forças Armadas Israelenses (IDF, na sigla em inglês) estão entre as organizações militares mais bem aparelhadas do planeta, alvo de críticas por parte da comunidade internacional por uso desproporcional de força no conflito com a Palestina.

Desde a campanha, Bolsonaro sinaliza a intenção de trazer ao Brasil a expertise militar israelense para lidar com a crise de segurança pública no Brasil. 

Mas os acenos ao país judeu já geram incômodos entre as nações árabes - muitas das quais, clientes da carne brasileira. Os palestinos interpretaram o anúncio como uma "provocação".

Na última semana, o Egito cancelou uma viagem que o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes, faria. E o Catar pediu oficialmente que Bolsonaro não faça a transferência.

A mudança da embaixada vai muito além de uma medida burocrática. Jerusalém é considerada uma cidade sagrada tanto para israelenses quanto para palestinos, e o acordo internacional vigente diz que deve ser partilhada entre os dois povos.

Para a ONU (Organização das Nações Unidas), a situação de Jerusalém ainda deve ser definida em negociações entre israelenses e palestinos. Até que essa negociação não termine, a grande maioria dos países mantém representações diplomáticas com Israel em Tel Aviv.

Na prática, mudar a embaixada para Jerusalém funciona como reconhecer a cidade como capital de Israel, e não como cidade compartilhada. 

Historicamente, o Brasil sempre apoiou a coexistência pacífica entre os dois estados.

*Colaborou Lucas Borges Teixeira, em São Paulo

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