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Mais de 1.400 são presos no Chile e três cidades têm toque de recolher

Do UOL, em São Paulo

22/10/2019 12h46

Cerca de 1.420 pessoas foram detidas durante os protestos no Chile, informou o Instituto Nacional de Direitos Humanos do país hoje. Foi decretado toque de recolher em Valparaíso, Coquimbo e La Serena, de acordo com a imprensa local.

Segundo o instituto, dos 1.420 presos, 181 são crianças e adolescentes e 300 são mulheres. "Conseguimos registrar denúncias de abuso físico e verbal, espancamentos e atrasos policiais ao conduzir detidos para a delegacia, mantendo-os nas viaturas, com pouca ventilação e superlotadas, por longas horas", disse.

Também foram feitas visitas em hospitais, onde encontraram 204 adultos feridos. "Entre as pessoas que vimos, existem 99 ferimentos a bala, 85 lesionados, muitos deles com ferimentos nos olhos devido ao impacto de pequenas balas".

O instituto reportou que duas mulheres apresentaram queixas por violência sexual durante detenção nas delegacias. Segundo o órgão, uma das mulheres "relata ter sido jogada no chão e com a arma foi ameaçada de matá-la se ela se mexesse, para depois tocar seu corpo com o rifle e ameaçando penetrá-la com a arma".

Foram feitas aproximadamente 400 denúncias, a maioria de "violência desnecessária por parte das forças militares".

Toques de recolher já foram confirmados em Valparaíso - o terceiro seguido na cidade -, Coquimbo e La Serena para esta noite, embora Valparaíso não tenha determinado o horário até o momento. Nas outras regiões a ordem começa a partir das 20h até às 6h de amanhã, determinou o chefe da Força Nacional, general Jorge Morales, de acordo com o "El mercurio".

Hoje o governo atualizou o balanço de mortos para 15, 11 na região metropolitana de Santiago e três fora da capital.

O presidente Sebastián Piñera tentará hoje encontrar uma saída para a explosão social que abala o Chile há cinco dias, com reuniões com os líderes dos partidos políticos, no momento em que os protestos podem ser ampliados com greves e novas mobilizações.

Abalado pela onda de violência mais grave registrada no Chile desde o retorno da democracia em 1990, o presidente, que no domingo afirmou que o país estava em guerra, mudou de tom.

"Vamos explorar e oxalá avançar para um acordo social que nos permita a todos, unidos, nos aproximarmos com rapidez, eficácia e também com responsabilidade de melhores soluções para os problemas que afetam os chilenos", afirmou ontem.

Os protestos começaram na sexta-feira motivados pelo aumento do preço da passagem do metrô em Santiago - medida que o governo suspendeu -, mas rapidamente foram ampliados para um movimento maior, que apresenta outras demandas sociais.

(Com AFP)

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