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Evangelista do jejum: ele cortou 5 alimentos 'tóxicos' pra viver até os 130

Cientista italiano Valter Longo, que desenvolveu dieta a partir de pesquisas sobre alimentação e longevidade Imagem: Divulgação Instagram

Do UOL, em São Paulo*

24/04/2024 04h00Atualizada em 24/04/2024 09h23

O pesquisador italiano Valter Longo, 56, é obcecado por estudos relacionados à longevidade humana desde a juventude, quando deixou de lado a carreira de músico para se dedicar a uma formação em bioquímica.

Ao pesquisar a relação entre alimentação e envelhecimento, ele, que pretende viver até os 130 anos, desenvolveu uma dieta que promete "manter a juventude até o fim da vida", conforme relatou ao The New York Times.

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Entenda a dieta

No laboratório que dirige no Ifom (Instituto de Oncologia de Milão), Longo se dedica a pesquisar os genes que regulam o envelhecimento do corpo e desenvolver uma dieta baseada em plantas e nozes.

Segundo relatado pelo pesquisador ao Times, a alimentação proposta "imita" os efeitos do jejum a partir da ingestão periódica de suplementos e biscoitos de couve.

A dieta, de acordo com ele, permite que as células se livrem de toxinas prejudiciais e rejuvenesçam, sem os efeitos negativos da fome.

Em março, Longo divulgou um estudo baseado em testes clínicos com centenas de idosos na Itália. De acordo com ele, os resultados sugerem que curtos períodos com a dieta de "jejum simulado" podem reduzir a idade biológica e prevenir doenças associadas ao envelhecimento.

Também professor de gerontologia e diretor do Instituto de Longevidade da Universidade do Sul da Califórnia, nos EUA, o italiano patenteou e comercializou seus kits de dieta pelo mundo, é autor do livro "A Dieta da Longevidade" e foi reconhecido pela revista Time como um influente "evangelista do jejum".

Inspiração na juventude

Desde muito jovem, o pesquisador italiano nutre uma fascinação pelos mistérios do envelhecimento. Embora tenha crescido em Gênova, no noroeste da Itália, todo verão ele visitava os avós em Molochio, na Calábria, cidade famosa por seus centenários.

Aos 16 anos, Longo se mudou para Chicago para morar com parentes e observou que suas tias e seus tios de meia-idade, alimentados com a "dieta de Chicago", repleta de salsichas e bebidas açucaradas, sofriam de diabetes e doenças cardiovasculares — realidade bem diferente da de seus parentes na Calábria.

Ao abandonar a faculdade de música que cursava e a sua banda de rock, o italiano concentrou-se em sua outra paixão: o envelhecimento.

Décadas mais tarde, depois de um doutorado em bioquímica na Universidade da Califórnia, e um pós-doutorado em neurobiologia do envelhecimento na Universidade do Sul da Califórnia, ele retornou à Itália, assumiu uma posição no instituto de câncer em Milão e encontrou inspiração na dieta rica em peixes de Gênova e nos abundantes vegetais da Calábria.

No entanto, Longo também considera a dieta italiana moderna uma fonte de doenças, com suas carnes curadas, lasanhas gordurosas e legumes fritos.

Dieta 'tóxica'

Apesar de a Itália ter uma das populações mais idosas do mundo e, segundo Longo, ser considerada o "nirvana" para pesquisadores do envelhecimento, ele afirma que "quase ninguém segue a dieta mediterrânea" no país atualmente e que muitas crianças italianas estão obesas e inchadas com o consumo do que ele chama de "os cinco P's tóxicos": pizza, macarrão (pasta), proteína, batata (patata) e pão.

O professor critica ainda a escassez de investimentos em pesquisa no seu país: "Lamento que a Itália tenha uma história e uma abundância de informações sobre o envelhecimento, mas praticamente não invista na pesquisa desse processo".

Nesse contexto, Longo expressa seu compromisso em prolongar a juventude, mas destaca que seu objetivo não se limita a estender a vida, mas principalmente a criar um ambiente propício para uma "existência plena".

"Meu objetivo é viver até os 120, 130 anos. Isso nos deixa preocupados atualmente, porque muita gente afirma: 'Claro, todo mundo deveria alcançar pelo menos os cem.' Mas não compreende como é desafiador chegar a essa marca".
Valter Longo, ao The New York Times

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