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Décadas antes dos ataques, 11 de setembro marcou a morte de um bombeiro em NY

Corey Kilgannon

Em Nova York (EUA)

11/09/2013 06h00

Bem antes de 2001, 11 de setembro era uma data dolorosa para a família de um bombeiro de Nova York. Seu nome era Daniel Sullivan, e aquele foi o dia em que ele morreu no cumprimento do dever, em 1954.

A morte dele não envolveu aviões ou terrorismo, nem mesmo um incêndio. Sullivan morreu ao cair do carro dos bombeiros enquanto este corria até um veículo em chamas no Queens.

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Novamente nesta quarta-feira (11), no 12º aniversário do ataque ao World Trade Center, o calendário liga essa família às famílias dos 343 bombeiros que morreram no Marco Zero.

Muitas delas estão seguindo um padrão que há muito é familiar para a viúva de Sullivan, Helena, que criou as três filhas do casal sozinha em um apartamento de um quarto em Jackson Heights. Quase como para vingar sua morte, a família floresceu com o passar dos anos. Suas filhas lhe deram cinco netos, que por sua vez lhe deram quatro bisnetos, incluindo uma menina nascida no mês passado.

Isso eleva para 12 a sua descendência --e uma neta, Kathryn Dunkelman, está grávida de quatro meses.

Apesar da passagem dos anos, Dunkelman disse que seu avô não é esquecido pelas gerações posteriores da família.

"Nenhum dos netos dele o conheceu, mas nós crescemos cientes de como ele viveu e morreu e nos orgulhamos disso", disse Dunkelman, 33.

Oferecendo palavras de esperança e conforto para os membros das 343 famílias com as quais sua família está ligada por um capricho do calendário, ela disse que elas "devem saber que eu nunca conheci meu avô, mas mesmo assim dei a respeito dele --o legado dele vive em nossa memória".


Sua família estendida, ela disse, a maioria vivendo em Nova York e arredores, está planejando a celebração do 60º aniversário da morte de Sullivan no ano que vem, na Unidade 319 dele, um prédio de dois andares situado entre residências familiares no Queens.

A lista de bombeiros já mudou várias vezes desde a morte de Sullivan, mas até mesmo os membros mais jovens de sua unidade sabem seu nome e como ele morreu. Há uma placa de metal no lado interno da porta, ao lado de uma foto dele em posição de sentido, sorrindo e magro em seu uniforme. A placa nota que ele foi "admirado e respeitado por todos".

Ele tinha 48 anos quando morreu e estava em seu 17º ano como bombeiro. Ele estava em um degrau na traseira do caminhão dos bombeiros, segurando em uma alça de metal no alto --a prática padrão na época-- quando o equipamento se movimentou para passar por um caminhão estacionado e o jogou na rua.

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Daniel Sullivan foi o único membro da unidade a morrer no cumprimento do dever, disseram vários bombeiros enquanto olhavam para a placa na segunda-feira. A unidade respondeu ao 11 de Setembro de 2001, mas todos os seus membros sobreviveram. Eles recentemente fizeram um almoço na cozinha da unidade com a mais velha das filhas de Sullivan, Eileen.

"A maioria deles nem estava vivo quando meu pai morreu, mas eles sabem que ele morreu em 11 de setembro", disse Eileen Sullivan, cuja mãe morreu em 1999.  Eileen soube mais detalhes sobre o serviço e a morte de seu pai nesta semana, graças a um vizinho da unidade, Doug Marra, 59, um fã dos bombeiros que frequenta a Unidade 319 desde que tinha 5 anos.

Cerca de 20 anos atrás, o comando da unidade descartou os registros diários da unidade de 1954, após novas diretrizes do Departamento dos Bombeiros sobre manutenção de arquivos. Mas Marra os recolheu do lixo e os preservou durante todos estes anos. Durante a visita de Eileen Sullivan, ele lhe deu o relato do acidente fatal.

Eileen disse que era uma menina de 12 anos brincando do lado de fora de seu prédio quando os colegas de trabalho do seu pai chegaram uniformizados e perguntaram por sua mãe.

"Eu soube imediatamente que aquilo não era bom", ela disse, acrescentando que teve a mesma sensação 47 anos depois, enquanto trabalhava no Woolworth Building no centro de Manhattan e soube que o primeiro avião --e depois o segundo-- atingiu as torres gêmeas próximas. Ela lembrou imediatamente que o dia era 11 de setembro.

"Foi especialmente devastador para mim o fato de 343 bombeiros terem morrido naquele dia. A data se tornou ainda mais significativa para mim", disse Eileen, atualmente com 71 anos e vivendo em Stuyvesant Town, em Manhattan.

Dunkelman, que trabalha como diretor de comunicações do deputado federal por Massachusetts John Tierney, é filha da filha mais nova de Daniel Sullivan, Patricia Prael, e cresceu em Jackson Heights. Ela chamou a data de 11 de setembro de "uma coincidência terrivelmente triste", mas uma que, de algum modo, reforçou os laços de sua família com Nova York.

Assim como para a família de Daniel Sullivan, 11 de Setembro permanecerá uma data inevitavelmente comovente para Marian Fontana, 47, de Staten Island. O marido dela, o bombeiro Dave Fontana, morreu. Mas a data não é a forma como ela deseja definir a memória de seu marido.

Ela disse que ver o filho deles, Aidan, 17, crescer com muitos dos maneirismos e qualidades do pai é agridoce e ajuda na cura. "Nós tentamos manter sua memória viva", disse. “Não na forma como ele morreu, mas na forma como ele viveu.”

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