Alimentação

Michelle Obama: Congresso quer derrubar conquistas por alimentação saudável

Michelle Obama

  • Doug Mills/The New York Times

    Michelle Obama se reúne com especialistas em nutrição escolar, na Casa Branca, em Washington. A primeira-dama se manifestou contra o projeto a ser votado no Congresso norte-americano que deixaria escolas fora do programa federal que estabelece limites de sódio, gordura e calorias na merenda escolar

    Michelle Obama se reúne com especialistas em nutrição escolar, na Casa Branca, em Washington. A primeira-dama se manifestou contra o projeto a ser votado no Congresso norte-americano que deixaria escolas fora do programa federal que estabelece limites de sódio, gordura e calorias na merenda escolar

Quando começamos nossa iniciativa Let's Move! há quatro anos, nós estabelecemos uma meta simples, mas ambiciosa: acabar com a epidemia de obesidade infantil em uma geração, para que as crianças nascidas hoje cresçam com saúde.

Para atingir essa meta, nós seguimos um único padrão claro: o que funciona. As iniciativas empreendidas são baseadas em evidência, e nos apoiamos na ciência mais atual. Pesquisas indicavam que as crianças precisavam de menos açúcar, sal e gordura em suas dietas, de modo que alteramos os cardápios de almoço nas escolas de acordo. Quando dados mostraram que a falta de mercados próximos afetava negativamente os hábitos alimentares das pessoas, nós trabalhamos para que mais varejistas de alimentos frescos atendessem as áreas menos servidas. Estudos sobre a formação de hábito nas crianças guiaram nossos esforços para colocar mais alimentos saudáveis e mais atividade física nas creches.

Hoje, nos vemos vislumbres de progresso. Dezenas de milhões de crianças estão sendo mais bem nutridas nas escolas; as famílias estão pensando mais cuidadosamente sobre o que comem, cozinham e compram; as empresas estão correndo para criar produtos mais saudáveis para atender a crescente demanda; e a taxa de obesidade está finalmente começando a cair de seu pico entre as crianças mais novas.

Logo, nós sabemos que quando nos apoiamos em ciência sólida, nós podemos de fato começar a mudar a maré na questão da obesidade infantil.

Mas, infelizmente, agora estamos começando a ver tentativas no Congresso de desfazer grande parte do que conseguimos em prol de nossas crianças. Veja, por exemplo, o que está acontecendo no momento no programa Mulheres, Bebês e Crianças, conhecido como WIC (na sigla em inglês). Trata-se de um programa federal voltado a fornecer nutrição complementar para mulheres de baixa renda e seus bebês e filhos pequenos. A ideia é preencher as lacunas em suas dietas –ajudá-las a comprar itens como alimentos frescos que elas não dispõem de recursos para comprar por conta própria– e lhes dar a nutrição que carecem.

No momento, a Câmara dos Deputados está considerando um projeto de lei que dá as costas à ciência, ordenando que batatas sejam incluídas na lista de alimentos que as mulheres podem comprar usando dólares do WIC. Ora, não há nada de errado com batatas. O problema é que muitas mulheres e crianças já consomem batata suficiente e não os hortifrútis ricos em nutrientes que precisam. É por isso que o Instituto de Medicina –o corpo científico não partidário que orienta os padrões para o WIC– disse que batatas não devem fazer parte do programa WIC.

Infelizmente, essa não é uma ocorrência isolada. Nós estamos vendo o mesmo tipo de cenário se desdobrando em nosso programa de almoço nas escolas. Em 2010, o Congresso aprovou a Lei Crianças com Saúde e Sem Fome, que estabeleceu padrões nutricionais mais altos para as refeições nas escolas, também com base nas recomendações do Instituto de Medicina. Hoje, 90% das escolas informam que estão cumprindo os novos padrões. Consequentemente, as crianças estão recebendo mais frutas, legumes, verduras, grãos integrais e outros alimentos que precisam para serem saudáveis.

Essa é uma grande vitória para os pais que se esforçam para servir refeições equilibradas aos seus filhos em casa e não querem ver seus esforços minados durante o dia na escola. E é uma grande vitória para todos nós, já que gastamos mais de US$ 10 bilhões por ano nos almoços escolares e não deveríamos gastar esses dólares dos contribuintes em junk food para nossos filhos.

Mas alguns membros da Câmara dos Deputados agora ameaçam reverter esses novos padrões e reduzir a qualidade do alimento que nossos filhos recebem na escola. Eles querem que seja opcional, e não obrigatório, às escolas servir hortifrútis para nossos filhos. Eles também querem permitir mais sódio e menos grãos integrais do que o recomendado nos almoços escolares. Essas questões serão consideradas quando o Comitê de Orçamento da Câmara tratar do projeto de lei anual de gastos do Departamento de Agricultura, na quinta-feira.

Lembra de quando, há poucos anos, o Congresso declarou que o molho na fatia de pizza deveria ser considerado um hortifrúti no almoço escolar? Não é preciso ser um nutricionista para saber que isso não faz sentido. Mas estamos vendo a mesma coisa acontecendo de novo, nesses novos esforços para reduzir os padrões de nutrição em nossas escolas.

Nossos filhos merecem algo melhor que isso. Mesmo com o progresso que obtivemos, 1 entre 3 crianças neste país ainda está acima do peso ou obesa. Uma entre 3 deverá desenvolver diabete durante a vida. E não se trata apenas da saúde de nossos filhos: trata-se também da saúde de nossa economia. Nós já gastamos cerca de US$ 190 bilhões por ano tratando de condições ligadas à obesidade. Pense em como serão esses números em uma década ou duas se não começarmos a resolver esse problema agora.

A conclusão é muito simples: como pais, nós sempre devemos colocar o interesse de nossos filhos em primeiro lugar. Nós acordamos toda manhã e nos deitamos toda noite nos preocupando com o bem-estar deles e seu futuro. E quando tomamos decisões sobre a saúde de nossos filhos, nós contamos com médicos e especialistas que podem nos dar informações precisas com base em ciência sólida. Nossos líderes em Washington deveriam fazer o mesmo.

Tradutor: George El Khouri Andolfato

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