Campanha por NY tem Trump fã de pizza e Hillary discursando em picape

Maggie Haberman*

Em Nova York (EUA)

  • Mel Evans/AP

Há picles e pizzas, multidões que vaiam e tiradores de selfies agressivos, assim como corridas até Coney Island para cachorros-quentes ao lado de astros do rock barbados e desalinhados.

As campanhas em Nova York às vezes parecem um banquete móvel, com os candidatos ingerindo em excesso as especialidades locais enquanto caminham pelas calçadas da cidade, apertando mãos e tentando evitar pingos de gordura em suas roupas.

E esta corrida presidencial, que antes parecia tão distante, assumiu um caráter distintamente nova-iorquino no prelúdio das primárias desta terça-feira (19), e não apenas pela dieta gordurosa. A campanha tem cativado os nova-iorquinos cansados do mundo, tirando dezenas de milhares de suas casas de South Bronx até Staten Island, para desfrutar de algo que esta cidade aprecia: um grande espetáculo.

Trump na cidade

"As mulheres gostam do Trump?" perguntou Donald Trump a duas fãs vestindo bonés "Torne a América Grande de Novo" no domingo, ao posar para uma foto com elas em Staten Island.

Trump, que é o grande favorito aqui na primária de terça-feira, estava realizando um de seus poucos eventos de campanha oficiais na cidade. E as duas fãs do magnata, que disseram que não podiam revelar seus nomes porque colocaria o emprego delas em risco, estavam prontas para a ocasião.

Sorrindo enquanto posava para a foto com elas, Trump murmurou discretamente que as mulheres empolgadas e outro homem que se inseriu na foto precisavam baixar um pouco o tom.

Mesmo assim, elas estavam felizes por terem conhecido o principal candidato republicano.

"Ele nos disse que também nos ama", disse de forma efusiva uma das mulheres.

Trump foi recebido como um herói local em Staten Island. Do lado de fora do hotel Hilton Garden Inn, onde faria um discurso, a fila para entrar se estendia por mais de 50 metros no estacionamento. Cerca de 1.000 pessoas conseguiram entrar.

O bilionário parecia empolgado por estar no distrito, mesmo sendo impreciso a respeito de seus encantos. Quando um repórter lhe pediu que apontasse seu endereço local favorito de pizza, ele respondeu que há "muitos" deles. Quando era jovem, ele trabalhou por quatro verões em Staten Island, ele disse ao corpo de imprensa, apesar de que, como o vendedor de sempre, ele aumentou para "provavelmente cinco" verões ao falar ao público de Staten Island no salão ao lado. Seu trabalho mais humilde? Recolher as moedas das máquinas de lavar em um dos prédios de seu pai.

Assistir Trump subir ao palco naquele salão, com pessoas em pé nas cadeiras para ouvi-lo, serviu para lembrar o motivo para ele estar se saindo tão bem nas primárias republicanas. O distrito é um enclave de eleitores da classe operária, policiais e bombeiros.

Reprodução/Instagram @mkryley
Hillary Clinton em comício no Brooklin, NY
E, fora suas torres douradas e cintos de segurança banhados a ouro no avião, Trump fala e soa mais como seus fãs da classe operária do que o último prefeito republicano da cidade, Michael Bloomberg. Eu já vi Bloomberg provocar desconforto em uma plateia de Staten Island quando brincou que era o único político presente que não tinha uma vogal no final de seu nome.

De volta ao Brooklyn

A batalha pelo Brooklyn entre Hillary Clinton e o senador Bernie Sanders, de Vermont, é intensa, e Hillary está contando com seu profundo apoio nos bairros afro-americanos do distrito para compensar a popularidade de Sanders entre os liberais brancos. Em uma festa no setor Bedford-Stuyvesant no domingo, ela foi elogiada pelo deputado James E. Clyburn, um líder dos direitos civis que veio de seu Estado, a Carolina do Sul, para a ocasião.

Não houve uma eleição ao longo de toda sua vida "tão importante quanto esta", disse Clyburn para uma plateia de cerca de 200 pessoas aguardando sob sol forte.

Finalmente, Hillary chegou e subiu os degraus até a caçamba da picape vermelha que estava sendo usada como palanque.

"Olá, Brooklyn em casa e nas ruas!" Hillary gritou para a multidão.

A ex-secretária de Estado está confortavelmente à frente nas pesquisas aqui, e parece estar desfrutando as paradas por todo o Estado que representou por oito anos no Senado.

TIMOTHY A. CLARY/AFP
Sanders e e o ator Danny DeVito em comício
Mas apesar de todas as lembranças calorosas, Hillary tem algo a temer de Sanders na terça-feira. Enquanto ela visitava Bedford-Stuyvesant, milhares se reuniam para um comício de Sanders no Prospect Park, uma área verde situada entre o setor de renda mais baixa Crown Heights e o mais rico Park Slope. O ator Danny DeVito liderava o público alegre nos cantos de "Bernie! Bernie!" e uma pessoa distribuía cópias de um jornal falso com uma manchete dizendo "Votar em Hillary Clinton é um Voto em Donald Trump".

A campanha de Sanders disse que o público chegou a 28.300, um recorde para seus comícios.

*Maggie Haberman, uma correspondente política do 'The New York Times', dedica sua carreira jornalística a dois assuntos irresistíveis: política e Nova York. Aos 7 anos, assinou seu primeiro artigo para o "The Daily News". Atualmente já publicou em todos os três jornais diários da cidade. Natural do Upper West Side e atualmente vivendo no setor Crown Heights do Brooklyn, ela já cobriu 10 ciclos eleitorais, de disputas para prefeito a campanhas presidenciais, incluindo a de 2016, cuja atenção se volta às primárias de Nova York na terça-feira

 

A video posted by @mkryley on

Eleições presidenciais americanas: entenda as primárias e votação

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Tradutor: George El Khouri Andolfato

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